Nacional
No dia da Consciência Negra, saiba quem foi o comandante José Pedro de Oliveira
De origem modesta e negro, José Pedro de Oliveira nasceu no dia 1° de janeiro de 1958, na cidade de Sorocaba, no interior de SP. Ainda jovem e sem saber que quebraria os paradigmas da época, este adolescente ainda imberbe solicitou a bênção dos pais para se dirigir a São Paulo, onde queria se alistar no CPP – Corpo Policial Permanente, nome da Polícia Militar do Estado de São Paulo durante quase todo o Segundo Reinado. Em novembro de 1873, aos 15 anos, José foi incorporado à instituição de segurança; hoje, novembro de 2018, dia da Consciência Negra, 145 anos depois, nós relembramos sua importante história.

A polícia paulista era um “porto seguro” para negros alforriados, livres, mestiços e, em alguns casos, fugitivos (desde que não fossem descobertos), pois a farda dos Permanentes representava cidadania, autoridade e dignidade em um país onde a cor era elemento definidor do sucesso do indivíduo. Ao entrar para a força policial, José sequer imaginaria que teria sua história contada em um dia tão simbólico como o da Consciência Negra
.
Entre os anos de 1882 e 1889, após uma rápida passagem pela Banda Musical do Corpo, Oliveira, já com seus 20 e poucos anos de idade, recebeu as seguintes promoções como Praça:
- Promovido a Cabo de Esquadra em 3 de julho de 1882, sendo efetivado em 3 de agosto do mesmo ano;
- Promovido a Sargento em 10 de setembro de 1885;
- Promovido a 2° Sargento em 7 de julho de 1886;
- Promovido a 1º Sargento em 7 de dezembro de 1889, 15 dias após a Proclamação da República.
Ao longo deste período, José desempenhou suas funções em diversas cidades do interior paulista e também no RJ, como Piracicaba, Campinas, São Simão, São Paulo, Cabreúva, Batatais, Santos, Ribeirão Preto, Ribeirão Bonito, Jaguari e Rio de Janeiro – as duas últimas no estado fluminense -, sempre em busca de criminosos.
Embora a Queda da Bastilha tenha acontecido a milhares de quilômetros de José, o 14 de julho de 1890 teve uma importância história para o brasileiro. Foi justamente nesta data que ele alcançou o Oficialato, com a promoção ao posto de “alferes” – posto extinto da polícia paulista em 1917, surgindo, em seu lugar, a graduação especial de aspirante e os postos de 2° Tenente e 1° Tenente, denominações usadas até hoje.
Com sua nova posição, Oliveira continuou pelas missões no estado, em Santos, Botucatu e Lençóis (rebatizada de Lençóis Paulista em 1948). Na última cidade, o alferes mostrou seus dois lados: primeiro como hábil negociador para evitar um choque entre os líderes políticos locais, e depois como combatente ao enfrentar um grupo de criminosos em Morungava, a 40 km de Lençóis. Após duas horas de confronto, um preso foi morto e os demais acabaram presos, mas José foi ferido no peito e quase morreu. Nos anos seguintes, vieram outras promoções:
- Promovido a Tenente em 13 de março de 1891;
- Promovido a Capitão em 25 de dezembro de 1892, lutando contra a Revolta da Armada e a Revolução Federalista entre 1893 e 1895;
- Promovido a Major em 30 de março de 1895.
Como capitão, manteve suas andanças pelo interior paulista, mas também atuou na capital, comandando o policiamento nas regiões da Santa Ifigênia e da Consolação. Em 1897, o Major Fiscal José Pedro, do 1° Batalhão (1° BPChq – ROTA nos dias atuais) da Brigada Policial (nome da PMESP no início da República), participou de um dos episódios mais tristes de nossa história, a Campanha de Canudos.
Naquele ano, o Exército brasileiro, com dificuldades de vencer Canudos, solicitou o auxílio das polícias das províncias, entre elas a de SP. A missão recaiu sobre o 1° Batalhão de Infantaria, que tinha o Capitão do Exército, Joaquim Elebão dos Reis, como comandante, e Oliveira como seu subcomandante. No dia 1° de agosto de 1897, o “Batalhão Paulista”, como Euclides da Cunha viria a descrever na obra “Os Sertões” partiu da Estação da Luz com 447 policiais, inclusos e 23 oficiais. O destacamento desembarcou em Salvador, na Bahia, no dia 7, chegando em Canudos no dia 23.
No dia seguinte ao da chegada, o Batalhão Paulista foi colocado à disposição do General Arthur Oscar de Andrade Guimarães, comandante das operações em Canudos. Pelos dias que se seguiram, a unidade liderada por Joaquim marcou a história militar do Brasil com episódios como a defesa da estrada do Passo do Calumby. Foi também nesta época que correu o boato de que o Major José Pedro havia morrido, boato prontamente desmentido pelo próprio em um telegrama: “Estou bem. Mostre à família. Canudos, 10 de setembro”.
No dia 25 de setembro, à frente da 1ª e 2ª Cias do 1º Batalhão Paulista, o Major José Pedro recebeu a incumbência de atacar uma trincheira na estrada de Uauá, no percurso entre Monte Santo e Canudos, em conjunto com o 38º Batalhão do Exército Nacional e a polícia do Amazonas. A intransponível posição sertaneja sofreu um ataque frontal do efetivo do Major paulista, bem como dos demais aliados, com duração de duas horas. Os conselheiristas abandonaram as trincheiras, deixando para trás feridos e mortos, além de parte da cidadela de Canudos, restando a eles apenas a parte central do reduto, com 500 casas, aproximadamente.
O combate matou seis miltares da Brigada Policial Paulista e deixou outros dez fora de ação, entre eles o Major José Pedro, que havia sido atingido por um disparo no peito no momento em que saía de casebre no Arraial de Canudos para passar as ordens ao efetivo, segundo o tenente-coronel Elesbão Reis. Ainda ensanguentado, passou o resultado do assalto à trincheira inimiga ao General Arthur Oscar.
Encaminhado para o Hospital de Campanha, o Major ouviu do corpo médico que seria preciso realizar uma cirurgia com anestesia, mas, consciente, interferiu: “Doutor, não leve a mal, mas eu entendo que o militar que derrama seu sangue pela pátria, para ser coerente com esse sublime sacrifício, deve ser operado sem anestesia”. E assim foi feito. Oliveira foi substituído pelo Capitão José Martiniano de Carvalho, que, por sua vez, acabaria sendo substituído no dia 26 pelo Capitão Arthur da Fonseca Ozório.
No dia 1° de outubro, Batalhão Paulista, Exército e polícia do Pará partiram para o ataque final ao reduto de Antônio Conselheiro. Elesbão dos Reis comandava as 1ª e 2ª Cias, enquanto José Pedro, mal recuperado dos sérios ferimentos, liderava as 3ª e 4ª Cias. As margens do rio Vaza-Barris seriam testemunhas de uma luta terrível entre irmãos de uma mesma pátria. E assim caía Canudos.
O Batalhão Paulista foi desligado das forças da operação no dia 6 de outubro e retornou no mesmo dia para São Paulo. Muitos ficaram feridos e 12 tombaram, sendo homenageados em um monumento no interior do Quartel da Luz, sede do 1° BPchq (ROTA), em São Paulo. Além dos 12 homenageados, outros quatro morreram, mas não tiveram seus nomes lembrados. São eles:
- Soldado Luís Manoel de Sousa, morto no hospital ainda em Salvador, antes da partida da tropa para o sertão, em 9 de agosto;
- Soldado João Francisco da Silva, da 2ª Cia, afogado no rio Itapicuru, no sertão baiano, em 15 de agosto;
- Soldado José Ferreira da Cruz, vítima de varíola, em 30 de agosto, no Hospital do Isolamento, no sertão baiano;
- Soldado Nabor Alves de Aguiar, no Hospital Militar de São paulo, em 1 de dezembro; a causa não foi registrada. No início de setembro, o cabo de esquadra tentou desertar, não conseguiu e foi rebaixado para soldado.
Após a vitória, o Major José Pedro recebeu elogios do Presidente da República, Prudente de Moraes, do Ministro da Guerra, Carlos Machado de Bittencourt, do Governador de São Paulo, Campos Salles, e do General Arthur Oscar, que comandou a operação.
Em 26 de outubro de 1897, o batalhão paulista chega ao porto de Santos e é ovacionado na chegada a São Paulo, realizada no mesmo dia. No ano seguinte, em março de 1898, a Associação Comercial ofereceu às viúvas e filhos dos soldados caídos em Canudos um auxílio monetário no valor de 23 contos.
Os anos se passam e nos primeiros dias de outubro de 1904, José Pedro de Oliveira assume de maneira interina a Força Pública após seu comandante geral, o Coronel Argemiro da Costa Sampaio, afastar-se das atividades. No ano seguinte, em dezembro de 1905, ele foi promovido ao posto de Tenente-Coronel e assumiu as funções de comandante da Guarda Cívica (GC – na imagem acima, é possível identificar a sigla no quepe de José) da Capital, cujo quartel, o Quartel do Parque Dom Pedro 2°, no centro de São Paulo, ainda existe (e resiste).
Também em 1905, Oliveira participaria da criação da Caixa Beneficente da Força Pública, cujo objetivo era reduzir o desamparo de famílias de militares paulistas mortos durante ocorrências e sucessivas campanhas de guerra. Tal medida é considerada a primeira instituição previdenciária no Brasil.
Em 1906, o Tenente-Coronel foi nomeado pelo governador de SP, Jorge Tibiriçá, como Comandante Geral Interino da Força Pública, tornando-se o primeiro Comandante que veio das próprias fileiras da instituição. A nomeação aconteceu depois da exoneração do Capitão aposentado do Exército, Argemiro da Costa Sampaio, que recusou a 1ª Missão Francesa de Instrução Militar na Força Pública.
O novo Comandante Geral passou a comandar a Força Pública em 7 de maio de 1906 e já propiciou um clima favorável para os trabalhos da missão francesa. No ano seguinte, no feriado de 15 de Novembro, 15 mil pessoas testemunharam o resultado da missão durante desfile militar no hipódromo da Mooca e elogiaram o garbo e a correção dos 1,5 mil homens da Tropa de Piratininga. 14 anos mais tarde, em 1920, os franceses liderariam uma missão militar no Exército brasileiro.
No dia 10 de setembro de 1909, o Comandante Geral José Pedro de Oliveira sofreu um edema cerebral em sua casa, na rua Tabatinguera, no bairro da Sé, e perdeu a fala e os sentidos; a situação acabaria agravada pela diabetes. Ele morreu 14 dias depois, aos 51 anos, 36 deles dedicados à Força Pública, sendo sepultado no Cemitério da Consolação.
Com a morte de José Pedro, a Câmara Paulista (atual Assembleia Legislativa) suspendeu a sessão do dia 27 de setembro de 1909, o primeiro dia útil a queda do valente militar. No entanto, uma grande injustiça pode ter acontecido. Embora tenha ficado três anos à frente da Força Pública, o Comandante Geral não foi promovido ao posto de Coronel durante sua gestão, algo que aconteceu com todos os seus antecessores que vinham, assim como ele, da própria instituição.
Homenagens que vão além desta nota no Dia da Consciência Negra
Os 36 anos dedicados à Força Pública renderam diversas homenagens para o Comandante Geral, principalmente no estado de SP, e nós lembramos quais foram neste dia da Consciência Negra:
- Em Lorena, no interior de SP, uma escola recluso-policial foi criada em 1913 e batizada com o nome de Coronel José Pedro de Oliveira;
- Em Sorocaba, cidade natal do Comandante Geral, uma rua tem seu nome;
- O atual terceiro ano da Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB) tem José Pedro de Oliveira como patrono.
Hoje, no Dia da Consciência Negra, nós fazemos questão de lembrar e contar a trajetória do Comandante Geral José Pedro de Oliveira, um protagonista esquecido pela História, mas não por nós.
Nacional
Eleições 2026: regras do TSE sobre IA impactam as campanhas de 2026
Resolução em vigor permite ao tribunal punir manipulação digital e amplia vigilância sobre campanhas e redes sociais

Enquanto a regulamentação geral da inteligência artificial segue represada no Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assume o protagonismo ao fechar o cerco jurídico sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026. Amparada pela Resolução nº 23.732, em vigor desde 2024, a Justiça Eleitoral já dispõe de instrumentos normativos para banir deepfakes, exigir a identificação de materiais sintéticos e enquadrar estratégias digitais de partidos e candidatos.
De acordo com Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital na ESPM, FAAP e Insper, as diretrizes do tribunal suprem uma lacuna crucial deixada pela lentidão do Legislativo na votação do Marco Legal da IA (PL 2338/2023). “O TSE exerce o poder de polícia, o que permite regulamentar e fiscalizar condutas no processo eleitoral de forma ágil. Na prática, mesmo com a tramitação da lei geral em curso, o pleito deste ano já conta com uma normatização plenamente válida e com eficácia de lei”, destaca o especialista.
Na avaliação do jurista, o arcabouço consegue delimitar a fronteira entre o uso legítimo da ferramenta nas campanhas, como a edição técnica de materiais e a automação de processos, e a criação de peças manipuladas para induzir o eleitor ao erro. A norma prevê sanções severas nos casos em que a irregularidade for comprovada.
Um dos pontos centrais da norma é a exigência de rotulagem, onde todo material produzido por IA precisa trazer um sinal visual ou sonoro explícito, como marca d’água. O ônus de provar eventual falsificação, no entanto, cabe ao denunciante, cabendo à Justiça analisar cada representação individualmente, sob os critérios de contexto, finalidade e impacto do dano.
As resoluções também elevam o cerco sobre as plataformas digitais, exigindo credenciamento formal, transparência quanto aos financiadores de impulsionamentos e filtros rígidos para a promoção de anúncios. Em situações específicas, as próprias redes sociais poderão ser responsabilizadas pelo material pago que veiculam.
Para consolidar as diretrizes do pleito, a Justiça Eleitoral optou por atualizar mecanismos de remoção ágil de publicações nocivas sem alterar o texto-base de IA aprovado em 2024. A decisão sinaliza que a prioridade do TSE em 2026 não é expandir a regulamentação sobre as ferramentas, mas focar na fiscalização e na responsabilização prática dos infratores.
Apesar do rigor, Opice Blum pondera que o principal desafio dos magistrados será coibir a manipulação digital sem comprometer o debate público. “Não há uma solução binária. A avaliação será sempre contextual, ponderando se a manifestação está protegida pela liberdade de expressão ou se houve propósito ilícito”, conclui.
Sobre o Opice Blum
Opice Blum Advogados é sinônimo de inovação digital. Desde 1997, o escritório é parceiro de seus clientes, redefinindo os limites do possível e trazendo novas estratégias para novas necessidades. Com um time de advogados especialistas, o escritório está onde a transformação acontece e se destaca pela excelência em áreas capazes de impactar positivamente os setores em que atua, como Proteção de Dados, Segurança da Informação, Contencioso Digital e Legal Innovation, entre outras.
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Novo Caged: Brasil registra saldo de 145,1 mil empregos formais em junho
Levantamento mensal apresenta informações sobre o mercado de trabalho no país

Cuiabá liderou a geração de empregos com 848 novos postos, seguida por Várzea Grande, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cocalinho – Foto por: Secom/MT
O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou nesta quarta-feira (29/7) os dados do Novo Caged relativos a junho de 2026. De acordo com o levantamento, o mercado formal de trabalho registrou, no mês passado, saldo de 145.161 postos de trabalho, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos.
No acumulado do ano, de janeiro a junho de 2026, o saldo registrado é de 921.645 vagas formais. Nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo foi de 963.921 empregos com carteira assinada.
GRUPOS ECONÔMICOS – Os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas tiveram saldos positivos em junho. O setor de Serviços registrou 74.514 novos postos de trabalho. O resultado decorreu, principalmente, das atividades Administrativas e Serviços Complementares (26.634); Saúde Humana e Serviços Sociais (20.436); e Transporte, Armazenagem e Correio (16.217).
Em seguida aparecem os setores de Agropecuária (22.898), Comércio (19.177), Indústria (14.438) e Construção (12.136).
UNIDADES DA FEDERAÇÃO – Em junho deste ano, 25 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo. Os maiores foram em São Paulo, com 34.981 novos empregos formais, Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856). Em termos relativos, a maior variação percentual ocorreu no Amapá (1,04%), seguido pelo Acre, com alta de 0,88%, e Mato Grosso, com 0,85%.
GRUPOS POPULACIONAIS – No recorte populacional, as mulheres foram responsáveis por um saldo de 72.592 vagas e os homens por 72.569 postos. A população de até 24 anos teve o maior saldo positivo, com 125.430 postos.
No recorte por escolaridade, pessoas com ensino médio completo tiveram saldo de 109.255, seguidos pelo nível médio incompleto, com 15.185. Na análise por raça, o saldo foi de 106.176 para pardos; 28.636 para brancos; 20.199 para pretos; e 776 para indígenas. O saldo foi negativo para amarelos (-66) e para vínculos sem informação de etnia e raça (-10.563).
SALÁRIOS – O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. Para os trabalhadores considerados típicos, o salário real de admissão foi de R$ 2.446,27, enquanto para os trabalhadores não típicos foi de R$ 2.101,51.
EMPREGO NO ANO — De janeiro a junho de 2026, o saldo foi positivo em quatro dos cinco
grandes grupamentos de atividades econômicas. O destaque foi o setor de Serviços, que
gerou 571.926 postos formais no semestre (+2,5%), especialmente nas atividades de
administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais,
responsáveis por 208.737 empregos no primeiro semestre do ano.
A Construção gerou 168.962 postos de trabalho, crescimento de 5,73%, com maior expansão nas atividades de Obras de Infraestrutura (+64.793) e Construção de Edifícios (+60.552). A Indústria apresentou saldo de 143.442 postos (+1,6%) e a Agropecuária registrou saldo positivo de 40.853 novas vagas. O Comércio foi o único setor com saldo negativo, registrando redução de 3.514 postos de trabalho no acumulado do ano.
Nas Unidades da Federação, os maiores saldos no acumulado de 2026 foram registrados em São Paulo (252.558), Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Em termos relativos, as maiores variações positivas ocorreram no Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%).
Nacional
Por que gritos e punições físicas não contribuem para o desenvolvimento emocional da criança

Portrait of mother and son happy cuddle together in the park. Family concept.
Atualmente, grande parte dos pais reconhece a importância do diálogo na educação de seus filhos, porém, muitos deles ainda recorrem aos gritos e às punições como método de solução de conflitos. Uma pesquisa do Instituto Futuro para a Infância (IFI), em parceria com a Quaest, revelou que 62% dos brasileiros já gritaram com crianças e quase metade admitiu ter utilizado punições físicas como forma de disciplina.
Para a pedagoga Andreia Dichelli, supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil, os dados evidenciam um desafio comum na parentalidade: transformar o conhecimento sobre práticas educativas mais respeitosas em atitudes concretas no dia a dia.
De acordo com a especialista, mesmo que um grito possa interromper um comportamento momentaneamente, ele não ensina nem ajuda a criança a desenvolver habilidades socioemocionais fundamentais, que são essenciais para a vida.
“A infância é o período em que a criança aprende principalmente por meio do exemplo. Ela observa como os adultos resolvem conflitos, expressam emoções e se relacionam com as pessoas. Quando é educada por meio de gritos ou punições físicas, tende a compreender que essa é uma forma aceitável de lidar com as dificuldades”, comenta Andreia.
A especialista explica que a obediência conquistada pelo medo costuma ser imediata, mas passageira porque raramente gera aprendizado. O grito pode até interromper uma atitude, porque assusta a criança, mas isso não significa que ela tenha compreendido porque aquele comportamento não era adequado. Na maioria das vezes, ela apenas reage ao medo.
Além disso, esse tipo de estratégia pode dificultar o desenvolvimento da autorregulação emocional e influenciar a forma como a criança passará a lidar com conflitos ao longo da vida.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Ela também ressalta que, a longo prazo, esse tipo de estratégia é prejudicial para o desenvolvimento da autorregulação emocional da criança e influencia a forma como ela irá se relacionar com outras pessoas.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Limites sem violência
Para Andreia, estabelecer regras e dizer “não” continua sendo uma das principais responsabilidades da família. A diferença está na forma como esses limites são apresentados.
“Ser firme não significa ser agressivo. Uma atitude simples e muito eficaz é abaixar-se para ficar na altura da criança, estabelecer contato visual e falar com uma voz calma, mas segura. Depois, é importante procurar compreender o que aconteceu e ajudar a criança a reconhecer e nomear aquilo que está sentindo”, sugere Andreia.
Segundo ela, acolher emoções como tristeza, medo, frustração e raiva, sem abrir mão de regras claras e consistentes, ajuda a criança a desenvolver recursos para lidar com esses sentimentos de maneira saudável.
E quando o adulto perde a paciência?
Andreia lembra que nenhum cuidador é perfeito e que perder a paciência eventualmente faz parte da experiência de educar. Nesses casos, reparar a relação é tão importante quanto estabelecer limites.
“Quando o adulto reconhece o erro, explica o que aconteceu e pede desculpas quando necessário, a criança aprende algo importante: todo mundo erra, mas é possível assumir isso e reconstruir a relação através do diálogo”, aponta a supervisora pedagógica.
Para a especialista, reconhecer o erro fortalece a confiança entre adultos e crianças e transforma um momento difícil em uma oportunidade de aprendizado. Ao mostrar que é possível lidar com sentimentos como raiva, frustração e tristeza sem recorrer a gritos ou violência, os adultos ensinam, na prática, uma das habilidades mais importantes da infância: resolver conflitos com respeito, empatia e inteligência emocional.
Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma rede pioneira dedicada exclusivamente à Educação Infantil, com atuação voltada à valorização da primeira infância como uma fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das crianças. Com 36 unidades distribuídas na capital paulista, Grande São Paulo e interior do Estado de São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores. Especializado no atendimento de crianças de 4 meses a 6 anos, o Fadelito possui metodologia própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar e aprimorada continuamente a partir de estudos e novas descobertas da Educação Infantil. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa multidisciplinar criado para bebês do berçário, que integra conhecimentos de Pediatria, Fisioterapia e Pedagogia para estimular, de forma planejada e respeitosa, o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social de cada criança, considerando as particularidades de cada fase da primeira infância. Mais do que uma rede de escolas, o Fadelito trabalha ativamente para fortalecer a compreensão de que investir nos primeiros anos de vida é investir no desenvolvimento humano e no futuro da sociedade.
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