Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Nacional

No dia da Consciência Negra, saiba quem foi o comandante José Pedro de Oliveira

Publicado

De origem modesta e negro, José Pedro de Oliveira nasceu no dia 1° de janeiro de 1958, na cidade de Sorocaba, no interior de SP. Ainda jovem e sem saber que quebraria os paradigmas da época, este adolescente ainda imberbe solicitou a bênção dos pais para se dirigir a São Paulo, onde queria se alistar no CPP – Corpo Policial Permanente, nome da Polícia Militar do Estado de São Paulo durante quase todo o Segundo Reinado. Em novembro de 1873, aos 15 anos, José foi incorporado à instituição de segurança; hoje, novembro de 2018, dia da Consciência Negra, 145 anos depois, nós relembramos sua importante história.

Conheça a história de José Pedro de Oliveira neste Dia da Consciência Negra
Reprodução

Conheça a história de José Pedro de Oliveira neste Dia da Consciência Negra

A polícia paulista era um “porto seguro” para negros alforriados, livres, mestiços e, em alguns casos, fugitivos (desde que não fossem descobertos), pois a farda dos Permanentes representava cidadania, autoridade e dignidade em um país onde a cor era elemento definidor do sucesso do indivíduo. Ao entrar para a força policial, José sequer imaginaria que teria sua história contada em um dia tão simbólico como o da Consciência Negra
.

Entre os anos de 1882 e 1889, após uma rápida passagem pela Banda Musical do Corpo, Oliveira, já com seus 20 e poucos anos de idade, recebeu as seguintes promoções como Praça:

  • Promovido a Cabo de Esquadra em 3 de julho de 1882, sendo efetivado em 3 de agosto do mesmo ano;
  • Promovido a Sargento em 10 de setembro de 1885;
  • Promovido a 2° Sargento em 7 de julho de 1886;
  • Promovido a 1º Sargento em 7 de dezembro de 1889, 15 dias após a Proclamação da República.

Ao longo deste período, José desempenhou suas funções em diversas cidades do interior paulista e também no RJ, como Piracicaba, Campinas, São Simão, São Paulo, Cabreúva, Batatais, Santos, Ribeirão Preto, Ribeirão Bonito, Jaguari e Rio de Janeiro – as duas últimas no estado fluminense -, sempre em busca de criminosos.

Embora a Queda da Bastilha tenha acontecido a milhares de quilômetros de José, o 14 de julho de 1890 teve uma importância história para o brasileiro. Foi justamente nesta data que ele alcançou o Oficialato, com a promoção ao posto de “alferes” – posto extinto da polícia paulista em 1917, surgindo, em seu lugar, a graduação especial de aspirante e os postos de 2° Tenente e 1° Tenente, denominações usadas até hoje.

Com sua nova posição, Oliveira continuou pelas missões no estado, em Santos, Botucatu e Lençóis (rebatizada de Lençóis Paulista em 1948). Na última cidade, o alferes mostrou seus dois lados: primeiro como hábil negociador para evitar um choque entre os líderes políticos locais, e depois como combatente ao enfrentar um grupo de criminosos em Morungava, a 40 km de Lençóis. Após duas horas de confronto, um preso foi morto e os demais acabaram presos, mas José foi ferido no peito e quase morreu. Nos anos seguintes, vieram outras promoções:

  • Promovido a Tenente em 13 de março de 1891;
  • Promovido a Capitão em 25 de dezembro de 1892, lutando contra a Revolta da Armada e a Revolução Federalista entre 1893 e 1895;
  • Promovido a Major em 30 de março de 1895.
Veja Mais:  Nova ministra das Mulheres diz que não vai admitir recuos nos trabalhos da Pasta

Como capitão, manteve suas andanças pelo interior paulista, mas também atuou na capital, comandando o policiamento nas regiões da Santa Ifigênia e da Consolação. Em 1897, o Major Fiscal José Pedro, do 1° Batalhão (1° BPChq – ROTA nos dias atuais) da Brigada Policial (nome da PMESP no início da República), participou de um dos episódios mais tristes de nossa história, a Campanha de Canudos.

Naquele ano, o Exército brasileiro, com dificuldades de vencer Canudos, solicitou o auxílio das polícias das províncias, entre elas a de SP. A missão recaiu sobre o 1° Batalhão de Infantaria, que tinha o Capitão do Exército, Joaquim Elebão dos Reis, como comandante, e Oliveira como seu subcomandante. No dia 1° de agosto de 1897, o “Batalhão Paulista”, como Euclides da Cunha viria a descrever na obra “Os Sertões” partiu da Estação da Luz com 447 policiais, inclusos e 23 oficiais. O destacamento desembarcou em Salvador, na Bahia, no dia 7, chegando em Canudos no dia 23.

No dia seguinte ao da chegada, o Batalhão Paulista foi colocado à disposição do General Arthur Oscar de Andrade Guimarães, comandante das operações em Canudos. Pelos dias que se seguiram, a unidade liderada por Joaquim marcou a história militar do Brasil com episódios como a defesa da estrada do Passo do Calumby. Foi também nesta época que correu o boato de que o Major José Pedro havia morrido, boato prontamente desmentido pelo próprio em um telegrama: “Estou bem. Mostre à família. Canudos, 10 de setembro”.

No dia 25 de setembro, à frente da 1ª e 2ª Cias do 1º Batalhão Paulista, o Major José Pedro recebeu a incumbência de atacar uma trincheira na estrada de Uauá, no percurso entre Monte Santo e Canudos, em conjunto com o 38º Batalhão do Exército Nacional e a polícia do Amazonas. A intransponível posição sertaneja sofreu um ataque frontal do efetivo do Major paulista, bem como dos demais aliados, com duração de duas horas. Os conselheiristas abandonaram as trincheiras, deixando para trás feridos e mortos, além de parte da cidadela de Canudos, restando a eles apenas a parte central do reduto, com 500 casas, aproximadamente.

O combate matou seis miltares da Brigada Policial Paulista e deixou outros dez fora de ação, entre eles o Major José Pedro, que havia sido atingido por um disparo no peito no momento em que saía de casebre no Arraial de Canudos para passar as ordens ao efetivo, segundo o tenente-coronel Elesbão Reis. Ainda ensanguentado, passou o resultado do assalto à trincheira inimiga ao General Arthur Oscar.

Encaminhado para o Hospital de Campanha, o Major ouviu do corpo médico que seria preciso realizar uma cirurgia com anestesia, mas, consciente, interferiu: “Doutor, não leve a mal, mas eu entendo que o militar que derrama seu sangue pela pátria, para ser coerente com esse sublime sacrifício, deve ser operado sem anestesia”. E assim foi feito. Oliveira foi substituído pelo Capitão José Martiniano de Carvalho, que, por sua vez, acabaria sendo substituído no dia 26 pelo Capitão Arthur da Fonseca Ozório.

Veja Mais:  Pornografia infantil é achada no celular de mãe, presa por estuprar filha com o padrasto

No dia 1° de outubro, Batalhão Paulista, Exército e polícia do Pará partiram para o ataque final ao reduto de Antônio Conselheiro.  Elesbão dos Reis comandava as 1ª e 2ª Cias, enquanto José Pedro, mal recuperado dos sérios ferimentos, liderava as 3ª e 4ª Cias. As margens do rio Vaza-Barris seriam testemunhas de uma luta terrível entre irmãos de uma mesma pátria. E assim caía Canudos.

O Batalhão Paulista foi desligado das forças da operação no dia 6 de outubro e retornou no mesmo dia para São Paulo. Muitos ficaram feridos e 12 tombaram, sendo homenageados em um monumento no interior do Quartel da Luz, sede do 1° BPchq (ROTA), em São Paulo. Além dos 12 homenageados, outros quatro morreram, mas não tiveram seus nomes lembrados. São eles:

  • Soldado Luís Manoel de Sousa, morto no hospital ainda em Salvador, antes da partida da tropa para o sertão, em 9 de agosto;
  • Soldado João Francisco da Silva, da 2ª Cia, afogado no rio Itapicuru, no sertão baiano, em 15 de agosto;
  • Soldado José Ferreira da Cruz, vítima de varíola, em 30 de agosto, no Hospital do Isolamento, no sertão baiano;
  • Soldado Nabor Alves de Aguiar, no Hospital Militar de São paulo, em 1 de dezembro; a causa não foi registrada. No início de setembro, o cabo de esquadra tentou desertar, não conseguiu e foi rebaixado para soldado.

Após a vitória, o Major José Pedro recebeu elogios do Presidente da República, Prudente de Moraes, do Ministro da Guerra, Carlos Machado de Bittencourt, do Governador de São Paulo, Campos Salles, e do General Arthur Oscar, que comandou a operação.

Em 26 de outubro de 1897, o batalhão paulista chega ao porto de Santos e é ovacionado na chegada a São Paulo, realizada no mesmo dia. No ano seguinte, em março de 1898, a Associação Comercial ofereceu às viúvas e filhos dos soldados caídos em Canudos um auxílio monetário no valor de 23 contos.

Os anos se passam e nos primeiros dias de outubro de 1904, José Pedro de Oliveira assume de maneira interina a Força Pública após seu comandante geral, o Coronel Argemiro da Costa Sampaio, afastar-se das atividades. No ano seguinte, em dezembro de 1905, ele foi promovido ao posto de Tenente-Coronel e assumiu as funções de comandante da Guarda Cívica (GC – na imagem acima, é possível identificar a sigla no quepe de José) da Capital, cujo quartel, o Quartel do Parque Dom Pedro 2°, no centro de São Paulo, ainda existe (e resiste).

Veja Mais:  Comissão aprova projeto que revoga dispositivos ultrapassados de lei do açúcar e álcool

Também em 1905, Oliveira participaria da criação da Caixa Beneficente da Força Pública, cujo objetivo era reduzir o desamparo de famílias de militares paulistas mortos durante ocorrências e sucessivas campanhas de guerra. Tal medida é considerada a primeira instituição previdenciária no Brasil.

Em 1906, o Tenente-Coronel foi nomeado pelo governador de SP, Jorge Tibiriçá, como Comandante Geral Interino da Força Pública, tornando-se o primeiro Comandante que veio das próprias fileiras da instituição. A nomeação aconteceu depois da exoneração do Capitão aposentado do Exército, Argemiro da Costa Sampaio, que recusou a 1ª Missão Francesa de Instrução Militar na Força Pública.

O novo Comandante Geral passou a comandar a Força Pública em 7 de maio de 1906 e já propiciou um clima favorável para os trabalhos da missão francesa. No ano seguinte, no feriado de 15 de Novembro, 15 mil pessoas testemunharam o resultado da missão durante desfile militar no hipódromo da Mooca e elogiaram o garbo e a correção dos 1,5 mil homens da Tropa de Piratininga. 14 anos mais tarde, em 1920, os franceses liderariam uma missão militar no Exército brasileiro.

No dia 10 de setembro de 1909, o Comandante Geral José Pedro de Oliveira sofreu um edema cerebral em sua casa, na rua Tabatinguera, no bairro da Sé, e perdeu a fala e os sentidos; a situação acabaria agravada pela diabetes. Ele morreu 14 dias depois, aos 51 anos, 36 deles dedicados à Força Pública, sendo sepultado no Cemitério da Consolação.

Com a morte de José Pedro, a Câmara Paulista (atual Assembleia Legislativa) suspendeu a sessão do dia 27 de setembro de 1909, o primeiro dia útil a queda do valente militar. No entanto, uma grande injustiça pode ter acontecido. Embora tenha ficado três anos à frente da Força Pública, o Comandante Geral não foi promovido ao posto de Coronel durante sua gestão, algo que aconteceu com todos os seus antecessores que vinham, assim como ele, da própria instituição.

Homenagens que vão além desta nota no Dia da Consciência Negra

Os 36 anos dedicados à Força Pública renderam diversas homenagens para o Comandante Geral, principalmente no estado de SP, e nós lembramos quais foram neste dia da Consciência Negra:

  • Em Lorena, no interior de SP, uma escola recluso-policial foi criada em 1913 e batizada com o nome de Coronel José Pedro de Oliveira;
  • Em Sorocaba, cidade natal do Comandante Geral, uma rua tem seu nome;
  • O atual terceiro ano da Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB) tem José Pedro de Oliveira como patrono.

Hoje, no Dia da Consciência Negra, nós fazemos questão de lembrar e contar a trajetória do Comandante Geral José Pedro de Oliveira, um protagonista esquecido pela História, mas não por nós.

Nacional

A categoria petroleira reage a novo tarifaço dos EUA imposto unilateralmente ao Brasil

Publicado

Foto- Divulgação

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta repúdio ao novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre cerca de quatro mil produtos brasileiros, medida que atinge aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações. Para a entidade, a decisão representa um ataque à soberania nacional, compromete a competitividade da indústria brasileira, ameaça empregos e reforça a necessidade de fortalecer o mercado interno, a soberania energética e a Petrobras como empresa estratégica para o desenvolvimento do país.

“A Federação Única dos Petroleiros (FUP) repudia o anúncio do novo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida é mais um ataque à soberania nacional. Ela fere acordos comerciais, desestabiliza cadeias produtivas e ameaça milhares de empregos, especialmente na indústria e no setor de energia”, afirmou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.

“Apoiamos postura firme do governo brasileiro, e a reafirmação da soberania de cada país.  A defesa da indústria nacional, dos empregos de qualidade, da agregação de valor às riquezas produzidas no país e da diversificação das relações comerciais deve orientar a resposta brasileira a medidas dessa natureza, sempre com base na defesa da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro”, ressalta a dirigente da FUP.

O especialista no setor de óleo, gás e energia Deyvid Bacelar avalia que o tarifaço terá impactos diretos sobre a produção nacional, setores estratégicos e o mercado de trabalho. “Tarifaço dos EUA contra o Brasil é um ataque à soberania e ao trabalhador. O anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos contra cerca de quatro mil 4 produtos brasileiros, equivalentes a aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, é mais um ataque à soberania nacional e aos empregos do nosso país”, explica Bacelar.

Veja Mais:  Comissão aprova projeto que cria contribuição para financiar investimentos em turismo

“Essa medida protecionista penaliza diretamente setores estratégicos, como a indústria de máquinas e equipamentos e energia. Quem paga a conta é o trabalhador brasileiro, com menos produção, menos salário e desemprego. O Brasil não vai aceitar chantagem comercial. Os investimentos do setor produtivo, feitos ao longo de décadas, são patrimônio do povo brasileiro. Defendemos uma resposta firme do governo brasileiro. É hora de fortalecer o mercado interno, diversificar parceiros comerciais e garantir que a riqueza do Brasil fique no Brasil”, conclui.

Na mesma linha, a diretora da FUP e do Sindipetro-NF, Bárbara Bezerra, afirma que o episódio reforça a necessidade de fortalecer a política energética nacional e preservar o papel estratégico da Petrobras. “A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros é uma medida unilateral que afeta a competitividade da indústria nacional e impõe desafios adicionais à economia do país. Trata-se de uma iniciativa sem justificativa econômica, sobretudo diante do histórico da balança comercial entre os dois países”.

Continue lendo

Nacional

Pressão por resultados no Enem gera síndrome do desempenho e compromete a saúde de estudantes

Publicado

 Especialista da Rede Enem aponta como a rotina exaustiva de estudos e a comparação nas redes sociais reduzem o rendimento cognitivo e afetam a saúde de jovens de 17 e 18 anos

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem gerado um quadro de adoecimento crônico entre jovens. O impacto é comprovado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), na ‘Pesquisa sobre Escolha Profissional e Ansiedade’, que aponta que 63% dos estudantes de Ensino Médio relatam sentir ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e no exame. O cenário é classificado por especialistas como “síndrome do desempenho”, fenômeno que ocorre quando o candidato atrela o seu valor pessoal exclusivamente à sua nota, transformando o aprendizado em uma busca por métricas irreais.

“A exigência por uma rotina de estudos intensa, somada ao processo de construção de identidade característico dessa faixa etária, resulta em uma sensação constante de insuficiência. O estudante é bombardeado com a ideia de que precisa ser o melhor o tempo todo, o que transforma a preparação em um fardo”, explica Juliana Evelyn, Coordenadora Pedagógica Rede Enem, uma das principais plataformas de educação digital no Brasil, marca da Vitru Educação, líder do segmento.

Esse cenário de sobrecarga, no entanto, ganha proporções ainda maiores no ambiente digital. Ao buscar referências de organização na internet, o candidato frequentemente encontra gatilhos que potencializam o sentimento de inadequação.

Veja Mais:  Comissão aprova projeto que revoga dispositivos ultrapassados de lei do açúcar e álcool

O papel das redes sociais e o impacto cognitivo

A pressão é agravada pela exposição a comunidades de estudo em plataformas como Instagram e TikTok. A exibição de cronômetros marcando 12 horas de estudo diárias e rotinas ininterruptas cria um padrão artificial. Segundo Juliana, há uma romantização do sofrimento e a capitalização do estudo. “O estudante compara os seus bastidores reais, cansados e cheios de dúvidas, com um recorte editado da realidade. O resultado é a percepção destrutiva de que ele nunca está fazendo o suficiente”.

Esse contexto gera um paradoxo: o excesso de autocobrança diminui a eficiência cerebral. O estado de alerta constante e o estresse prejudicam a retenção de conteúdos complexos, resultando em bloqueios emocionais e “brancos” durante as provas. O esforço deixa de se traduzir em resultados devido à exaustão cognitiva. Sinais físicos indicam quando a ansiedade deixa de ser um nervosismo natural e passa a ser prejudicial. Insônia crônica, isolamento social extremo e dores psicossomáticas (como dores de cabeça e problemas estomacais) são os principais alertas de que o vestibular passou a atuar como um agente adoecedor.

Recorte socioeconômico e a urgência da aprovação

A pressa por resultados rápidos também reflete a desigualdade social. Para alunos de escolas públicas, a aprovação imediata é muitas vezes a única forma de evitar que a necessidade de trabalhar inviabilize a continuidade dos estudos. “O ano de cursinho, que deveria ser um período de amadurecimento, passa a ser visto como fracasso. O cenário é impulsionado pela lógica do imediatismo digital, que distorce a percepção do tempo e aumenta a cobrança por resultados em uma prova que exige, além de conhecimento, resistência física e inteligência emocional”, afirma Juliana Evelyn.

Veja Mais:  Pornografia infantil é achada no celular de mãe, presa por estuprar filha com o padrasto

Para combater esse cenário, a Rede Enem atua com a oferta de conteúdo pedagógico 100% gratuito, eliminando o peso financeiro da preparação. A plataforma estrutura trilhas de aprendizado fracionadas, baseadas na realidade do candidato. “Mostramos ao estudante que é possível se preparar com qualidade sem abdicar da saúde mental ou passar noites em claro. Os erros cometidos nos simulados são tratados como ferramentas de diagnóstico para o crescimento, e não como sentenças de incapacidade”, afirma a coordenadora pedagógica. Os planejamentos da instituição incluem obrigatoriamente horas de descanso.

A orientação central para os candidatos nesta reta final é o acolhimento do próprio limite. “O Enem é apenas uma prova, e não um atestado sobre a inteligência do aluno. O futuro não cabe em um gabarito de 90 questões. O descanso é parte fundamental da preparação e nenhum curso vale o sacrifício da saúde”, conclui Juliana.

Sobre a Rede Enem: democratização do acesso à educação

Fundada em 2013, com o propósito de democratizar o acesso à educação de qualidade, por meio da oferta de conteúdos preparatórios para os exames Enem, Encceja e vestibulares, e considerado uma das principais plataformas gratuitas de educação digital do Brasil, preparatória para o exame, o programa segue com o compromisso de fornecer recursos educacionais gratuitos e relevantes para milhões de estudantes de todo o país. Em 2015, nasceu o Curso Enem Gratuito, considerado hoje o maior curso preparatório online e 100% gratuito do país, com milhares de estudantes inscritos todos os anos. Desde 2022, a plataforma digital é integrante da Vitru, grupo líder em EAD no mercado de educação digital no Brasil, ampliando ainda mais o seu alcance e impacto. Para saber mais acesse o site.

Veja Mais:  Comissão aprova projeto que cria contribuição para financiar investimentos em turismo
Continue lendo

Nacional

Com a força do El Niño, especialistas alertam para impactos das alterações climáticas na saúde humana

Publicado

Fenômeno impõe novos desafios à rotina hospitalar e aumenta o risco de epidemias e da disseminação de superbactérias

Foto-Assessoria

Segundo a pesquisa Clima, trabalho e transição justa, realizada pelo Aurora Lab em parceria com a More in Common Brasil entre maio e setembro de 2025 em nove capitais brasileiras, 85% dos participantes afirmam que as mudanças climáticas já influenciam suas atividades diárias. Entre os principais reflexos percebidos no cotidiano estão o aumento do custo de vida (53%), problemas de saúde física (45%), dificuldades de acesso ao trabalho (40%) e deterioração da saúde mental (32%).

A preocupação aumenta com a confirmação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico. No Brasil, seus efeitos costumam variar entre as regiões e podem intensificar chuvas intensas, enchentes e ondas de calor, ampliando os impactos sobre a saúde pública. No Sul do país, o principal efeito associado ao fenômeno é o excesso de chuva, que favorece enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

O alerta está alinhado à análise mais recente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que recomenda o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da capacidade operacional dos serviços de saúde para garantir a continuidade da assistência durante eventos climáticos extremos.

A infectologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Viviane Hessel, explica que eventos como esse, além dos prejuízos materiais, favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como leptospirose, hepatite A e infecções gastrointestinais. “No caso da leptospirose, a bactéria pode penetrar pela pele durante o contato com a água contaminada. Quando as famílias precisam deixar suas casas e buscar abrigo temporário, aumentam também os desafios referentes ao acesso à água potável, alimentação, a medicamentos e ao atendimento de saúde. Ambientes coletivos facilitam a transmissão de doenças respiratórias e podem contribuir para a ocorrência de surtos, especialmente em populações mais vulneráveis”, ressalta.

Veja Mais:  Balanço do semestre: aumento do número de deputados foi vetado
Além disso, Viviane alerta que já existem evidências de que o aumento das temperaturas pode facilitar a disseminação de genes de resistência entre bactérias, tanto na comunidade quanto em ambientes hospitalares. “Dependendo do perfil de resistência, a bactéria deixa de responder aos antibióticos habitualmente utilizados, reduzindo as opções terapêuticas disponíveis e dificultando o manejo clínico do paciente”, salienta.
Como exemplo, um estudo publicado em maio de 2026 na revista científica The Lancet Planetary Health identificou um aumento global de 10% nos genes de resistência a antibióticos, associado às mudanças climáticas, com base na análise de mais de 480 mil genomas de Salmonella coletados em 139 países entre 1940 e 2023.

Diante desse cenário, a médica destaca que o fenômeno representa um desafio crescente para os sistemas de saúde, uma vez que “infecções causadas por microrganismos resistentes costumam exigir tratamentos mais complexos e podem ter desfechos mais graves”. Para reduzir os riscos na rotina hospitalar, a especialista reforça a importância de medidas preventivas, como a higiene das mãos, a limpeza e a desinfecção corretas de equipamentos e superfícies e o cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção.

Ondas extremas de calor ampliam os desafios para a saúde
Em contrapartida, nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño tende a provocar redução significativa das chuvas e aumento das temperaturas. Mais de 120 mil mortes foram associadas ao calor extremo no Brasil entre 2000 e 2019, segundo o estudo Saúde e ondas de calor: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil, divulgado em junho de 2026. Realizada por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a análise utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS. Dos óbitos atribuíveis às ondas de calor, 80% ocorreram entre idosos com 65 anos ou mais, totalizando cerca de 97 mil mortes. Entre as principais causas associadas estão as doenças cardiovasculares e respiratórias.

Veja Mais:  Projeto obriga emissoras de rádio e TV a exibirem campanhas contra bullying e cyberbullying
Para a infectologista, os efeitos do calor intenso também são observados na rotina dos serviços de saúde. “Os períodos prolongados de temperaturas elevadas favorecem tanto o agravamento de problemas respiratórios relacionados à piora da qualidade do ar quanto o aumento das internações por desidratação, principalmente entre idosos. São situações que tendem a se tornar mais comuns à medida que os episódios de calor extremo se intensificam”, afirma.

A pesquisa também apontou riscos mais elevados entre mulheres e pessoas com menor escolaridade, o que reforça a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde. De acordo com a especialista, as condições sociais de uma população influenciam diretamente a capacidade de enfrentamento desses eventos. “Além dos extremos de idade, como é o caso dos idosos e recém-nascidos, as pessoas com comorbidades, desnutrição e em maior vulnerabilidade socioeconômica tendem a sofrer consequências mais severas, com mais necessidade de hospitalização e risco de complicações”, completa.

Sobre o Hospital São Marcelino Champagnat

O Hospital São Marcelino Champagnat faz parte do Grupo Marista e nasceu com o compromisso de atender seus pacientes de forma completa e com princípios médicos de qualidade e segurança. É referência em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Nas especialidades destacam-se: cardiologia, neurocirurgia, ortopedia, cirurgia robótica e cirurgia geral e bariátrica, além de serviços diferenciados de check-up. Planejado para atender a todos os quesitos internacionais de qualidade assistencial, é o único do Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

Sobre o Hospital Universitário Cajuru

O Hospital Universitário Cajuru é uma instituição filantrópica com atendimento 100% SUS e com a certificação de qualidade da Organização Nacional de Acreditação (ONA) nível 3. Está orientado pelos princípios éticos, cristãos e valores do Grupo Marista. Vinculado às escolas de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), preza pelo atendimento humanizado, com destaque para procedimentos cirúrgicos, transplante renal, urgência, emergência, traumas e atendimento de retaguarda a Pronto Atendimentos e UPAs de Curitiba e cidades da Região Metropolitana.

Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana