Mato Grosso
Operações de fiscalização focam na segurança e educação no trânsito
Desde janeiro deste ano até a última quarta-feira (11.09), o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) realizou 160 operações de fiscalização de trânsito em Cuiabá e Várzea Grande, com apoio do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito Urbano e Rodoviário (BPMTran) e da Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá (Semob).
Mais de quatro mil autos de infração de trânsito foram lavrados nas operações integradas. A maioria dessas notificações, segundo a Gerente de Fiscalização do Detran-MT, Kerollain Pacheco, foi por condução de veículo sem o licenciamento, direção de veículo sem possuir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou com a habilitação vencida há mais de 30 dias.
As operações integradas entre o Detran-MT, Polícia Militar e Semob acontecem diariamente em pontos estratégicos de Cuiabá e Várzea Grande, em horários alternados, com base em levantamentos dos locais com maior incidência de infrações e acidentes de trânsito.
Durante a ação, os agentes do Detran, policiais militares e agentes de trânsito da Semob realizam barreiras e bloqueios (blitz), orientando motoristas e verificando as condições de circulação dos veículos que possam colocar em risco a segurança no trânsito de toda a coletividade.
O presidente do Detran-MT, Gustavo Vasconcelos, destaca que as ações foram intensificadas desde janeiro deste ano como uma das prioridades da atual gestão, com foco na redução dos acidentes de trânsito, regularização da frota de veículos automotores em circulação e, principalmente, na mudança de comportamento dos motoristas em relação à segurança no trânsito.
Além da documentação do veículo e do condutor, os agentes também verificam as condições básicas de conservação, os equipamentos obrigatórios de segurança e a condição de trafegabilidade do veículo.

“Verificamos as condições básicas do veículo para circular com segurança no trânsito”, observa o comandante do Batalhão de Trânsito, coronel PM Esnaldo de Souza Moreira.
O comandante comenta ainda que, em algumas ações, a PM se depara não somente com situações de infrações administrativas e irregularidades de veículos, mas também com intervenções criminais, como flagrante de droga, porte ilegal de arma de fogo, veículos roubados e até pessoas com mandado de prisão em aberto.
Por isso, segundo Esnaldo, o objetivo da Polícia Militar é ganhar ostensividade nas ruas com ações diárias em apoio ao Detran-MT.
“Além de reforçar a presença da polícia na rua, também auxiliamos os agentes de serviço de trânsito do Detran e da Semob nas abordagens, garantindo maior segurança dos motoristas e dos próprios servidores, e também contribuindo para a construção de uma cultura de paz no trânsito”, completa.
Acidentes em Cuiabá
Dados do Boletim Epidemiológico do Programa Vida no Trânsito de Cuiabá apontam que, em 2018, em 33% dos acidentes com vítimas fatais na Capital, o condutor não possuía a Carteira Nacional de Habilitação (CNH); e em mais de 80% desse total, as vítimas fatais foram motociclistas.
“Ainda é grande a quantidade de motociclistas pilotando sem possuir habilitação, colocando em risco a própria vida e a de terceiros. Por isso, a importância dessas ações integradas diárias de fiscalização no trânsito”, pontua o diretor de trânsito da Semob, Michel Diniz de Paula.

Segundo o diretor, nas operações em parceria com o Detran-MT, os agentes da Semob também realizam muitos flagrantes de situações de risco no trânsito, como a condução de veículos em excesso de velocidade e sob efeito de álcool ou outra substância psicoativa.
“Sendo constatado indícios de embriaguez durante as abordagens aos motoristas no trânsito, os agentes da Semob realizam o teste com etilômetro, mesmo que a operação não seja voltada para a Lei Seca. Pois, o principal objetivo dessas operações todos os dias é trazer um trânsito mais seguro aos condutores e pedestres”, ressalta.
Fiscalização
O diretor-executivo do Detran-MT, José Eudes Malhado, reforça que as ações de fiscalização são fundamentais para a redução do número de acidentes e influenciam diretamente na segurança e fluidez do trânsito.
“As operações contribuem para a mudança de comportamento, especialmente do condutor infrator, pelo seu caráter repressivo, preventivo e até mesmo educativo”, diz.
O agente da autoridade de trânsito ao constatar o cometimento da irregularidade, deve lavrar o auto de infração de trânsito e aplicar a medida administrava, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e demais normas vigentes na legislação brasileira.
Por muitas vezes, as ações de fiscalização de trânsito não são bem compreendidas pela população, sendo avaliadas apenas pelo viés punitivo.
“Entretanto, elas têm como principal e único objetivo salvar vidas. Ignorando as leis de trânsito, o condutor coloca em risco a sua própria segurança e de outras pessoas”, assevera José Eudes.

A gerente de Fiscalização do Detran-MT, Kerollain Pacheco, acredita que o caráter repressivo às condutas que colocam em risco a sociedade no trânsito também é uma forma de educar. “Serve como um alerta aos condutores e aos cidadãos para que seja feita uma reflexão necessária para mudança de comportamento no trânsito”.
Além das operações diárias realizadas com apoio do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar e da Semob, a Gerência de Fiscalização de Trânsito do Detran-MT também atua nas operações integradas com as demais forças de Segurança Pública do Estado e Federal, dentre elas a Operação Lei Seca Mato Grosso, consolidada como política de segurança estadual com foco na redução de acidentes envolvendo bebida e direção.
No site da autarquia (www.detran.mt.gov.br) está disponível uma relação das situações mais recorrentes durante as ações de fiscalização, com dicas e informações.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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