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Países do Mercosul discutem impactos do Acordo com União Europeia sobre a agricultura familiar
Os participantes da 31ª Reunião Especializada em Agricultura Familiar do Mercosul (REAF) debateram nesta quinta-feira (31) como o acordo firmado entre o bloco sul americano e a União Europeia pode afetar os agricultores familiares do ponto de vista econômico, comercial e social. A REAF está sendo realizada em Chapecó (SC), sob coordenação da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Participam do evento mais de 80 convidados de entidades públicas, privadas e cooperativas vinculadas à agricultura familiar da Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Peru e Bolívia.
Os negociadores dos 4 países membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) que participaram das articulações com a União Europeia apresentaram os principais pontos de alguns capítulos do Acordo que afetam diretamente o setor da agricultura familiar.
O secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke, destacou que a discussão sobre o acordo é muito frutífera para os gestores públicos e organizações da agricultura familiar de todos os países da região.
“Precisamos conhecer este tema e nos preparar para o que vem pela frente, em todos os aspectos, positivos e negativos. Podemos utilizar as questões positivas em nosso favor e nos precaver para as situações que porventura sejam negativas para os nossos agricultores”, comentou Schwanke.
Desafios e oportunidades
Entre os temas destacados pelos negociadores estão a política de cooperação, as questões sanitárias e fitossanitárias, a propriedade intelectual, os recursos genéticos, os conhecimentos tradicionais e a transferência de tecnologia.
O representante do Brasil, Gustavo Cupertino Domingues, que integra a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, expôs o panorama das trocas comerciais no mundo e a participação dos produtos brasileiros e europeus no comércio mundial. Cupertino ressaltou que todos os produtos considerados sensíveis pelo mercado brasileiro foram excluídos do acordo, como trigo, cogumelos, produtos derivados da uva, da aquicultura, laticínios e outros. Entre as oportunidades que se abrem para o Brasil estão os setores de pescado, café solúvel, tabaco, vinhos e, principalmente, das frutas, que terão livre comércio na Europa nos próximos dez anos.
Considerando os produtos importantes para a agricultura familiar que receberam cotas sem tarifas, Cupertino citou arroz, milho, mel, ovos, queijos, leite em pó, alho e carnes. Alguns produtos brasileiros receberão tratamento misto, como suco de laranja, cachaça e chocolates, setor que motivou muitas discussões durante as negociações.
>> Confira as cotas e tarifas do acordo Mercosul-UE
O representante brasileiro reiterou que o acordo é muito grande, pode vigorar parcialmente e que apresenta muito mais oportunidades do que desvantagens, pois os potenciais riscos podem ser controlados por mecanismos como o de salvaguarda e as regras de origem.
Para Valeria Csukasi, negociadora do Ministério de Relações Exteriores do Uruguai, entender o acordo é uma tarefa que pode levar anos e depende da interpretação de cada setor. Valeria destacou que a Reaf tem um papel fundamental neste processo de análise e de institucionalização do trabalho de avaliação do impacto do acordo para a agricultura familiar.Ela destacou que o acordo apresenta flexibilidade para que os parlamentos de cada país decidam em seu próprio tempo sobre as vantagens e desvantagens dos princípios estabelecidos na proposta.
Segundo Valeria, da parte do Mercosul, há uma brecha de 8% de comércio não liberalizado, incluindo alguns produtos considerados sensíveis, como o trigo, arroz, lácteos e carnes. Ela lembrou que há a possibilidade de redução de preço de entrada de produtos cítricos na União Europeia. Valeria concluiu reiterando que o Acordo Mercosul-União Europeia deve ser visto como uma oportunidade de abertura de novos espaços para a agricultura familiar e como porta de entrada para outras negociações.

A representante do Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai, Maria del Carmen Lopes, enfatizou que os governos reconhecem a necessidade de aplicar as medidas para garantir a sanidade dos alimentos e a proteção sanitária e fitossanitária, mas ressaltou que as normas não devem ocasionar obstáculos desnecessários e injustificados e devem seguir os princípios da Organização Mundial de Comércio (OMC) de comprovação científica, transparência, avaliação de risco, regionalização, entre outros.
A negociadora argentina destacou que há alguns desafios com relação aos temas de bem-estar animal, biotecnologia, entre outros. Contudo, ponderou que em nível geral o acordo estabelece um contato estratégico e permanente com a União Europeia e garante de forma positiva um tempo razoável de transição. Para Carmen, o acordo também pode promover desenvolvimento econômico, reduzir ou eliminar restrições, simplificar procedimentos, melhorar as condições de acesso a bens e serviços e favorecer a integração regional.
O tema da propriedade intelectual e indicações geográficas foi apresentado pela representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Roxana Carmen Blasetti. Ela também expôs as oportunidades em torno da questão dos conhecimentos tradicionais, transferência de tecnologia com prioridade para a agricultura familiar e propôs a criação de um sistema regional de registro de instrumentos de valor agregado para reconhecimento e proteção dos produtos em nível regional.
>> Veja aqui produtos brasileiros com proteção no acordo Mercosul-UE
Organizações sociais como a Coprafam (Confederación de Organizaciones de Productores Familiares del Mercosur Ampliado) e a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) também expuseram suas percepções sobre o acordo. Para os representantes da sociedade civil, é necessário aumentar a resiliência dos setores que podem ser afetados de forma negativa pelo acordo e fortalecer as cadeias produtivas que podem ingressar o mercado internacional.
Para o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), representado na Reaf por Carlos Mermot, entre os pontos favoráveis do acordo estão a permanência das compras públicas para produtos da agricultura familiar, a disposição de compromissos ambientais e trabalhistas; o reconhecimento das indicações de origem e a abertura da possibilidade de iniciar a autocertificação de origem. Mernot também destacou entre os tópicos considerados vantajosos os mecanismos listados no acordo para facilitar a participação de pequenos e médios produtores no comércio internacional; e o de solução de controvérsias por meio do qual as partes se comprometem a manter uma instância de conciliação. Entre os pontos considerados sensíveis, foi destacada produção de laticínios e derivados.
A organização propõe que todos os países do Mercosul formulem políticas públicas para compensar a proteção do setor rural e da agroindústria na União Europeia, além da Institucionalização de escopos para garantir o acompanhamento do processo de entrada em vigência do acordo e priorização da agenda regional.
Reaf 2019
A Reaf 2019 ocorre até a próxima sexta-feira (1) em Chapecó (SC). Criada em 2004, a Reaf é um ponto de encontro para o diálogo participativo entre agricultores familiares, organizações, instituições rurais, academia e governos, com o objetivo de pensar em políticas públicas específicas para pequenos agricultores da região.

Informações à Imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
Débora Brito
[email protected]
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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso
Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria
Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.
O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.
O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.
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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

Foto- Assessoria
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década
Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria
Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.
O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.
Na contramão
O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).
E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.
Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.
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