Mato Grosso
Palácio da Instrução recebe seminário dedicado à cadeia produtiva do audiovisual
O Salão Nobre do Palácio da Instrução abrigará na próxima quinta-feira (07.11), a partir das 15h30, o Seminário “Mato Grosso Film Commission”, voltado à cadeia produtiva do audiovisual e seus desdobramentos econômicos e sociais. Com entrada franca, o evento é uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), via Secretaria Adjunta de Turismo.
O encontro busca que Mato Grosso forme uma entidade que trabalhe para incentivar e encontrar meios de atrair para o Estado mais produções audiovisuais, bem como apoiar a cadeia produtiva do segmento, traçando caminhos práticos para uma conexão entre os produtores e entidades públicas e privadas da região.
Para palestrar, o publicitário André Faria, diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions, traz na bagagem informações sobre o desenvolvimento econômico por meio do audiovisual, os impactos gerados e as possibilidades de crescimento do turismo cinematográfico.
Representante do Brasil na Latin American Film Commission Network, a Rede Latino-americana de Film Commissions, André Faria explica que a recepção de projetos audiovisuais acarreta em múltiplos benefícios para as localidades que os recebem, impulsionando assim o crescimento da atividade econômica.
“Uma produção audiovisual aciona empresas locais atuantes nos mais variados segmentos como alimentação, transporte, hotelaria, a exemplo. É real o ganho nas oportunidades de trabalho. Em um segundo momento, temos também o aumento da atividade turística, já que a região ganha maior visibilidade ao ser retratada em mais obras audiovisuais, atraindo assim mais visitantes e movimentando a economia local”, ressalta.
Publicitário, formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, André Faria é diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions desde 2017
Simplificando, Film Commissions são escritórios de apoio à produção audiovisual (filmes, séries de televisão, documentários, publicidade, etc) espalhados pelo mundo. Objetivam atrair produções audiovisuais, além de apoiar operacionalmente produtores de todos os formatos de conteúdo audiovisual nas filmagens ou photoshoots (sessões fotográficas) numa determinada localidade, realizando a interface entre os produtores e as instâncias governamentais e privadas da região.
“Film Commissions fortes emanam de sociedades e governantes que já compreendem o retorno trazido pelo audiovisual. O seminário no Palácio da Instrução pode ser o primeiro passo para a implantação de um escritório Film Commission em Mato Grosso. Existem muitas Film Commissions espalhados pelo mundo com intuito de atrair e auxiliar as produções realizadas em sua região, sejam locais ou estrangeiras”, aponta André.
Para Paulo Traven, secretário adjunto de Cultura, os dados econômicos gerados pela cadeia produtiva do audiovisual são muito promissores. O secretário citou filmes brasileiros, a exemplo, em que aparecem cidades norte americanas.
“Quando a cidade aparece num filme, aumenta o número de venda de pacotes para lá. Existem dados que apontam que toda vez que esse filme é reexibido na TV Brasileira, aumenta o número de pacotes para aquelas cidades que aparecem. Então, a gente está num esforço de juntar o audiovisual com o turismo nesse sentido, facilitando as produções e atraindo turismo para as nossas cidades”, garante o secretário.
Perspectivas
Países próximos como Chile, Colômbia e Uruguai criaram importantes programas de incentivos ficais à produção audiovisual, editam e divulgam vídeos oferecendo toda sua diversidade de locações. Assim, marcam presença em mercados internacionais com estandes repletos de material gráfico, convidando os produtores do mundo todo a irem lá realizar suas produções.
“Enquanto isso, o Brasil, internacionalmente, ainda restringe seus esforços a apenas exportar nossa produção nacional, como se ambas estratégias não fossem perfeitamente complementares. E como se a aplicação de medidas e investimentos com intuito de aumentar a atratividade para projetos audiovisuais estrangeiros não fosse uma tendência mundial, posta em prática hoje em qualquer país desenvolvido”, explica André.
De acordo com um levantamento recente, as Film Commissions ativas no Brasil são as do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo, Minas Gerais (estadual), Garibaldi (RS), Bento Gonçalves (RS) e Porto Alegre (RS).
“Entretanto, apesar dos percalços que o cinema nacional tem vivido nos últimos meses, como a crise na Ancine (Agência Nacional do Cinema), a exemplo, a perspectiva de crescimento é boa. Os serviços de streaming, como a Netflix e a Amazon Prime Video, têm voltado seus investimentos para o país pois enxergam no Brasil o potencial de vir a ser o segundo maior mercado de VOD (Vídeo sob demanda) do mundo, depois dos EUA. A Netflix, por exemplo, entende que é estratégico produzir localmente e por isso está em vários países”, revela André.
Produções brasileiros originais da Netflix: até 2020 a empresa norte-americana vai produzir 30 filmes e séries em diferentes locais pelo Brasil
A propósito, Ted Sarandos, diretor global de conteúdo da Netflix, anunciou recentemente que, entre 2019 e 2020, a empresa norte-americana vai produzir 30 filmes e séries em diferentes locais espalhados pelo Brasil. Só no ano que vem, serão investidos R$ 350 milhões em produções originais brasileiras. Desde que começou a produzir conteúdo no Brasil, em 2016, a Netflix já gerou 40 mil empregos diretos e indiretos no País.
A excelente notícia para o setor audiovisual brasileiro ganha ainda mais impacto devido ao momento delicado em que vive o setor audiovisual brasileiro. Resta agora a pergunta: Estariam todas as regiões do Brasil devidamente preparadas para recepcionar tantos projetos audiovisuais simultaneamente?
André Faria
Publicitário, formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, hoje atua como diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions, entidade que administra desde 2017, onde desde então pôde organizar painéis, workshops, cursos e consultorias sobre o assunto e representar as Film Commissions brasileiras em eventos internacionais. É André Faria o representante do Brasil na Latin American Film Commission Network, a rede latino-americana de Film Commissions.
Serviço
Assunto: Seminário Mato Grosso Film Commission
Local: Salão Nobre do Palácio da Instrução
Quando: Quinta-feira, dia 07 de novembro a partir das 15h30
Entrada franca, vagas limitadas, apenas 100 lugares por ordem de chegada
Informações: 65 3163-0240
Assessoria de Imprensa 65 98425-1443 (WhatsApp)
O Palácio da Instrução é um dos equipamentos culturais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Está localizado na Rua Antônio Maria, 151, Centro de Cuiabá. O funcionamento ao público é de segunda a sexta, das 8h às 18h. Telefone: (65) 3613-9240/9230.
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MPMT investiga contratações temporárias na Educação
A 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá instaurou três inquéritos civis para apurar as condições de contratação de profissionais da educação nas redes estadual de Mato Grosso e municipais de Cuiabá e Acorizal. O objetivo é verificar a realização de concursos públicos ou processos seletivos, bem como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), política criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026 para aprimorar a seleção de professores da educação básica no país.
Conforme o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a iniciativa busca levantar informações para avaliar a possível dependência de contratações temporárias, a eventual ausência de concursos públicos regulares, a adesão à política nacional de seleção de docentes (PND) e a existência de planejamento estruturado para a valorização da carreira.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o envio de ofícios à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e às secretarias municipais de Educação de Cuiabá e de Acorizal, requisitando informações como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), ou, em caso negativo, as justificativas e a previsão de adesão; a data de realização do último concurso público ou processo seletivo; e a existência de previsão para novas seleções, com a apresentação de cronograma.
As instituições também deverão encaminhar relação atualizada dos profissionais da educação, com detalhamento por função, local de lotação e tipo de vínculo (efetivo ou temporário). O MPMT requisitou ainda informações sobre o planejamento de políticas de valorização da categoria, incluindo estruturação de carreiras, recomposição do quadro efetivo e adoção de processos seletivos mais técnicos, transparentes e impessoais.
O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior considerou que que dados do Censo Escolar indicam que, nos últimos anos, tem havido aumento no número de professores temporários no país, em desacordo com a previsão constitucional e legal. Em algumas redes estaduais, mais de 70% do corpo docente possui vínculo precário.
Considerou também levantamento baseado em painel de Business Intelligence (BI) do MEC aponta que Cuiabá está classificada como Prioridade 3, com 5,5% de inadequação docente, 83% de profissionais concursados e último concurso realizado entre seis e oito anos. Já o município de Acorizal também figura na Prioridade 3, com 53,5% de inadequação docente, 64% de profissionais concursados e ausência de informações sobre o último concurso público na área da educação, bem como sobre a existência de Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) para a categoria.
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