Mato Grosso
Plano de trabalho orientará atuação de gestores governamentais
A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) regulamentou a lei que trata da carreira dos Gestores Governamentais. O novo modelo direciona os gestores para uma atuação mais articulada junto aos níveis estratégicos de governo, assim como para uma maior performance no alcance de resultados. Atualmente, há 103 especialistas ativos no quadro do Executivo estadual. O novo modelo de atuação da carreira foi publicado no Decreto nº 164/2019.
O Decreto passou a estabelecer também a obrigatoriedade do plano de atuação e de relatórios periódicos de desempenho dos gestores. O objetivo é potencializar o alcance de resultados e entregas da carreira, bem como garantir os meios e condições para a execução de suas atribuições.
Outra mudança é a de que o plano de atuação será firmado entre o gestor e o dirigente do órgão/entidade de atuação, sob a coordenação e acompanhamento da Seplag, através do Núcleo de Ações Prioritárias (NAP).
De acordo com o secretário de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra, o Decreto facilitará a designação dos gestores para o desempenho de suas funções, visto que a portaria é mais ágil e menos burocrática, e atende com maior celeridade as demandas dos dirigentes do Poder Executivo.
“Uma das diretrizes em implementação é direcionar a atuação do gestor para as áreas finalísticas, com o objetivo de diagnosticar os principais problemas enfrentados pelos dirigentes na execução das políticas, apontando soluções e implementando as mudanças necessárias para otimizar recursos, resultados e entregas governamentais”, acrescenta.
No momento, 11 gestores já estão atuando neste novo formato. O primeiro plano de atuação a ser firmado será com a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Duas gestoras governamentais foram designadas pela Seplag para trabalhar na elaboração do modelo de funcionamento das unidades setoriais da PGE. O projeto tem um prazo de seis meses para ser executado.
Também foram designados três gestores para atuar em projetos estratégicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), em estudos de viabilidade econômica de investimentos na MT Parcerias S.A. (MT Par), na implementação do modelo de gestão para resultados na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), entre outras agendas prioritárias do Governo.
“O principal diferencial da carreira é a visão integrada e sistêmica dos problemas e oportunidades inerentes à administração pública, por meio da implementação de melhorias e inovações nos processos e projetos que desenvolve”, afirma Regiane Berchieli, coordenadora do Núcleo de Ações Prioritárias da Seplag e da carreira de Gestor Governamental de Mato Grosso.
Berchieli acrescenta, ainda, que outra característica importante da carreira é a mobilidade, pois permite ao gestor atuar em diversas áreas e setores e “canalizar a força de trabalho para as prioridades da agenda estratégica de governo”.
A expectativa é de que, até o final do ano, todos os órgãos que trabalhem com projetos estratégicos de governo tenham em seus quadros esses especialistas. O cumprimento das metas do plano será avaliado pela Seplag, por meio do Sistema de Gestão da Carreira (SIGGEs). As regras de movimentação dos servidores da carreira, estabelecidas pela Lei nº 9.317, de 21 de janeiro de 2010, permanecem válidas.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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