Mato Grosso
Polícia Civil apreende 32 toneladas de carne bovina durante investigações de roubos de veículos

Uma carga de 32 toneladas de carne bovina, avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão, foi apreendida pela Polícia Civil de Mato Grosso, na quarta-feira (18.3), durante ação de fiscalização realizada pelos policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (DERFVA), em Várzea Grande.
Os policiais realizavam fiscalizações em estabelecimentos comerciais na Rodovia dos Imigrantes com o objetivo de localizar veículos ou peças ligados a crimes de roubos, furtos ou receptação. Durante a ação, os policiais civis identificaram diversos cavalos mecânicos e semirreboques estacionados no pátio das empresas vistoriadas, sendo que alguns veículos apresentavam indícios de adulteração nas numerações de chassi.
Um dos veículos chamou a atenção dos policiais, uma vez que estava com o sistema de refrigeração ligado mesmo em suposta manutenção. Ao realizarem a revista veicular, os investigadores localizaram a carne bovina armazenada em câmara fria.
Após diligências, a equipe entrou em contato com a empresa proprietária da carga, que confirmou o roubo ocorrido no dia anterior, na Rodovia Euclides da Cunha, em Urânia (SP). Na ocasião, o motorista do caminhão foi rendido por criminosos, mantido em cárcere durante a madrugada e liberado no dia seguinte, enquanto a carga, avaliada em cerca de R$ 928 mil, foi levada pelos suspeitos.
Um homem, identificado no local vistoriado pelos policiais, foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Questionado, ele afirmou que havia sido contratado por um terceiro para transportar o conjunto até a oficina para reparos, alegando não ter conhecimento sobre o conteúdo transportado. Como não havia indícios de envolvimento nos fatos, o motorista foi ouvido e liberado.
Diante dos fatos, o delegado Maurício Maciel Pereira Júnior, responsável pelas investigações, instaurou procedimento investigativo para apurar a possível prática dos crimes de receptação, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e eventual atuação de organização criminosa.
Também foram requisitadas perícias técnicas nos veículos e na carga apreendida, além de diligências junto à polícia paulista e à empresa vítima para confirmação da origem e rastreabilidade dos produtos. A carne também foi devolvida à empresa.
As investigações seguem em andamento para a identificação de outros possíveis envolvidos e para esclarecer a origem e o destino da carga apreendida.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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