Mato Grosso
Polícia Civil cumpre 10 mandados contra autores de roubos em VG

Dez mandados judiciais contra integrantes de facção criminosa instalada em Várzea Grande, foram cumpridos pela Polícia Civil, na Operação Impacto, deflagrada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) do município.
Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão domiciliar, em diferentes bairros de Várzea Grande. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça, visando a repressão aos crimes contra o patrimônio na região.
O primeiro suspeito preso integra uma associação criminosa envolvida em roubos a residências e empresas. Sua função era viabilizar a estrutura logística, com informações privilegiadas de onde os roubos deviam ser praticados e o transporte dos comparsas.
Conforme apurado pela Derf VG, o suspeito não costuma executar os crimes. Um dos roubos foi em junho de 2024, no bairro Nova Várzea Grande. Os criminosos armados invadiram uma residência, renderam as vítimas e subtraíram cerca de R$ 5 mil em dinheiro, joias e celulares.
O segundo alvo da operação, de 36 anos, também vinha sendo procurado pela Justiça do Estado de Pernambuco, no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Civil pernambucana, por meio da 44 Delegacia de Polícia de Goiana, que apura dois roubos praticados em uma loja e, em seguida, a um taxista, cujo veículo foi usado para fuga pelo homem.
O terceiro preso, de 20 anos, é apontado como autor do roubo a uma empresa no bairro Cristo Rei. Junto com outros comparsas teriam roubado dinheiro, celulares e outros pertences das vítimas. Além de outro roubo a residência no bairro Ipanema, em Várzea Grande.
O quarto criminoso detido é responsável por pelo menos dois roubos com emprego de arma de fogo, em Várzea Grande.
O quinto preso integra uma associação criminosa envolvida em roubos e extorsões. Uma das ocorrência foi registrada em dezembro de 2023 Um comprador de grãos veio do Rio Grande do Norte para Mato Grosso, negociar a compra de sacas de milho. O comprador foi sequestrado e mantido em cativeiro. Além de ter seus pertences e dinheiros subtraídos, a vítima foi obrigada a usar o próprio celular para falar com outros empresários do Rio Grande do Norte e exigir um adiantamento do valor das supostas sacas de milho.
Conforme a delegada titular da Derf VG, Elaine Fernandes, a Operação Impacto integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso no enfrentamento às facções criminosas, por meio da operação Inter Partes, que faz parte do programa Tolerância Zero, do Governo do Estado.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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