Mato Grosso
Polícia Civil e Conselho Tutelar apuram denúncias do Disque 100
A Polícia Judiciária Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) e em parceria com Conselho Tutelar, deflagrou uma operação de combate a violência contra mulheres, na quarta-feira (06.11) com objetivo de apurar três denúncias recebidas pelo “Disque 100” e o 197 da Polícia Civil.
Uma das denúncias informava que duas adolescentes, com idades de 13 e 16 anos, estavam sendo vítimas de exploração sexual, no bairro Jardim Passaredo. Com base nas informações, os policiais da Deddica e conselheiros tutelares se deslocaram até o endereço para averiguação da denúncia.
As menores, junto a mãe, foram encaminhadas à Deddica para tomadas das providências cabíveis e passarão pela equipe multidisciplinar para que recebem atendimento especializado.
Outra denúncia, relatava que uma adolescente, de 17 anos, moradora do bairro Pedra 90, estava sendo aliciada para fins de prostituição. No local, as equipes encontraram duas adolescentes em companhia do suspeito, A.S.A. (29 anos). Questionado, ele disse que estava na casa com as adolescentes por ser amigo de uma delas.
Conduzido a delegacia, o suspeito mudou a versão e disse apenas conversar com a menor no interior da residência, porém negou ter mantido relações sexuais com ela. As adolescentes foram submetidas a exame de corpo de delito e também passaram por atendimento psicológico.
Em continuidade aos trabalhos da operação, os policiais diligenciaram em procura de quatro foragidos da justiça, acusados de estupro de vulnerável e que estão com ordens de prisão em aberto, porém nenhum dos alvos foi localizado e as buscas continuam em andamento.
Caso Nilo Póvoas
A Deddica e o Conselho Tutelar também atuam de forma conjunta no caso da adolescente, de 15 anos, que tentou se jogar do 2º piso da Escola Estadual Nilo Póvoas, na Capital.
O trabalho, realizado por meio da oitiva de pessoas próximas a vítima, visa identificar motivações que teriam levado a menor a praticar o ato.
A Polícia Civil aguarda a adolescente receber alta do hospital para que também possa ser ouvida pela equipe psicossocial da Deddica.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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