Mato Grosso
Polícia Civil prende dono de distribuidora em Cáceres por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo

Com foco no enfrentamento às facções criminosas e retirada de integrantes e apoiadores da rede logística do crime, a Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira (4.2), a Operação Entreposto, para cumprimento de mandados de busca e apreensão em Cáceres.
Um homem, responsável por uma distribuidora localizada em um ponto estratégico da cidade foi preso em flagrante por tráfico de drogas posse ilegal de arma de fogo e munições.
A operação foi deflagrada com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Cáceres e contou com apoio das equipes da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Canilfron e Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Durante as buscas no interior do estabelecimento, os policiais apreenderam munições, reforçando os indícios de atuação criminosa. Diante da suspeita de que o investigado teria dispensado a arma de fogo nos fundos do imóvel, a equipe deu continuidade às buscas, realizando varredura na área adjacente, localizando e apreendendo o armamento em um terreno situado atrás da residência.
Na mesma ocasião, foram apreendidas porções de drogas já fracionadas e prontas para a comercialização, evidenciando a prática do tráfico.
O delegado Mauro Apoitia, coordenador da operação, ressaltou que a Polícia Civil tem atuado firmemente no enfrentamento às facções criminosas, sendo uma das principais frentes de investigação e ação da delegacia. “Enquanto estiver ocorrendo crimes graves no município de Cáceres, especialmente homicídios, todos que possuem vínculos com facções serão identificados e responsabilizados pelos atos praticados”, disse o delegado.
Operação Entreposto
A operação tem como objetivo desarticular a base de apoio das facções criminosas, atingindo pontos de armazenamento, distribuição e financiamento ilícito, bem como retirar de circulações pessoas diretamente ligadas à logística do crime.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil por meio da operação Inter Partes, dentro do programa Tolerância Zero, do Governo de Mato Grosso, que tem intensificado o combate às facções criminosas em todo o Estado.
Denúncias
A colaboração da sociedade é fundamental para o sucesso das investigações. Denúncias anônimas permitem identificar pontos de apoio, rotas e integrantes de organizações criminosas, ampliando a eficácia das ações policiais.
As denúncias podem ser feitas de forma sigilosa pelo Disque 197 ou diretamente nas unidades da Polícia Civil.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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