Mato Grosso
Polícia Militar inicia formação do 5º Curso de Operações Especiais do Bope

A Polícia Militar de Mato Grosso deu início, na manhã desta segunda-feira (07.10), ao 5º Curso de Operações Especiais (Coesp) do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O curso reúne 22 militares do Estado e também de Pernambuco. A aula inaugural foi realizada no auditório do Quartel do Comando-Geral da PMMT.
Durante seis meses, os alunos passarão por constantes capacitações teóricas e práticas sobre a doutrina de operações especiais da PMMT. Os formandos se tornarão aptos para ingressarem ao Bope, conhecida como a “Tropa de Elite” da polícia mato-grossense.
O comandante do Bope, tenente-coronel Frederico Correa Lima Lopes, discursou na solenidade e destacou o caráter desafiador do curso como de alto grau de dificuldade e nível técnico operacional exigido a todos os participantes.
“É um curso de extrema exigência. Antes mesmo do início, os alunos passaram por testes preparatórios para estarem aptos a entrarem neste desafio. Por isso, desejo a cada um de vocês, alunos, que fortaleça o espírito de grandes guerreiros e que, ao final, possam carregar a caveira do Bope com honra e coragem, pois essa é a nossa missão”, afirmou o tenente-coronel Frederico.
O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Alexandre Corrêa Mendes, deu as boas vindas aos alunos do curso e ressaltou que o Coesp tem o objetivo de preparar os militares para atuarem em todas as extremidades das categorias de crimes organizados.
“Saibam que vocês são corajosos por se inscreverem no curso e toparem o desafio para servir a nossa sociedade. Fizemos atualizações, com ensinamentos muito mais técnicos e voltados para o combate ao crime organizado. Um curso que continua sendo desafiador, pois sabemos que, quando acionamos um militar de operações especiais, é porque todos os nossos meios possíveis já foram determinados e que nossa última linha de ação são os nossos ‘caveiras’ do Bope”, finalizou o coronel Mendes.
A aula inaugural foi finalizada com uma palestra do subsecretário de Integração e Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna de Azevedo, que falou sobre “Organizações criminosas no contexto da segurança pública”. O convidado também parabenizou os alunos sobre o início do curso.
“A formação de operações especiais visa capacitar o policial militar para atuar em situações diferenciadas, difíceis e imprevisíveis. Parabéns a todos os policiais que estão iniciando esse curso e que vocês persistam e consigam a vitória de vocês”, afirmou.
História
O primeiro Curso de Operações Especiais da Polícia Militar de Mato Grosso foi realizado no ano de 2009 e a edição mais recente foi finalizada no ano de 2022. Desde então, nas quatro edições realizadas, 30 militares da PM de Mato Grosso e dos Estados do Acre, Rondônia, Pará, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal foram formados no curso.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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