Mato Grosso
Politec já emitiu 603 documentos com símbolo do Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Desde que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) passou a incluir os símbolos internacionais de acessibilidade na carteira de identidade, em outubro de 2020, já foram emitidos 603 documentos contendo o símbolo do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Além desse, há ainda a possibilidade de incluir outros quatro que indicam deficiência física, auditiva, intelectual e visual. O serviço será mantido na nova carteira de identidade nacional unificada, que deverá ser implementada até março de 2023 em Mato Grosso.
Os símbolos internacionais de acessibilidade são fundamentais para promover a inclusão social dessas pessoas. Pensando nisso, Marta Martins, mãe de uma criança diagnosticada com TEA, procurou o serviço em questão, fornecido pela Diretoria Metropolitana de Identificação Técnica (DMIT) da Politec.
“O autista muitas vezes não é identificado por características físicas, então, a inclusão do símbolo de acessibilidade na carteira de identidade facilita muito. Se você vai ao mercado e a sua criança é autista, não importa se ela está dentro do espectro leve, moderado ou severo, ela pode ter crises com barulhos ou agitação. Com a carteira a gente passa mais facilmente em filas e em bancos. A gente não precisa ficar esperando, então esse serviço ajudou muito”, disse.
Para solicitar a inclusão dos símbolos de acessibilidade no RG, o requerente deverá procurar um dos postos de identificação credenciados em todo o Estado e apresentar a certidão de nascimento ou casamento original, laudo médico atestando a condição de saúde, bem como os comprovantes dos documentos opcionais que desejar incluir. Nos postos equipados com kits biométricos, a fotografia, a assinatura e as impressões digitais são colhidas durante o atendimento.
Em Cuiabá e Várzea Grande, o atendimento é realizado nas unidades do Ganha Tempo dos bairros Morada da Serra, Praça Ipiranga e Cristo Rei. O agendamento deve ser feito através do site do Ganha Tempo.
Há ainda possibilidade de agendar o atendimento no Espaço Cidadania da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT), nesse caso o agendamento deve ser feito através do telefone (65) 3313-6529.
Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Neste sábado (02.03) é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de difundir informações e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno.
*Com supervisão de Tita Mara Teixeira
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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