Mato Grosso
População debate implantação de Escola Militar em Jaciara
A secretária de Estado de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, participou nesta segunda-feira (09.09) de uma audiência pública em Jaciara (a 144 quilômetros de Cuiabá) para debater sobre a possibilidade de implantação de uma escola militar no município. A audiência, realizada no Plenário da Câmara Municipal de Jaciara, foi aberta para participação da população e contou com a presença do prefeito Abduljabar Mohammad, vereadores, deputados estaduais e lideranças do município.
A secretária Marioneide destacou que a escola militar é mais uma proposta para a sociedade de Jaciara e tem uma organização pedagógica diferenciada, não só na questão das disciplinas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como também com foco em três princípios, a disciplina, a autoridade e também o respeito à hierarquia dentro do espaço organizacional.
“Nós temos que ofertar diferentes possibilidades de acesso à educação, visando o pleno desenvolvimento do ser humano, seu preparo para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho através da construção da aprendizagem significativa e permeada por valores éticos e morais”, observou.
Segundo a secretária, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a Constituição Federal, a educação é dever do Estado e direito de todo cidadão, mas ela precisa ser gratuita, laica, de qualidade e oferecer diferentes possibilidades.
Em sua política educacional, o Estado de Mato Grosso vem trabalhando com diferentes possibilidades de ensino aos alunos, que são o ensino fundamental regular, o ensino médio regular, o médio e profissionalizante, o ensino integral e a escola militar. “A opção é da família, que vai escolher em qual escola matricular seu filho. Dentro de um processo democrático os pais vão escolhendo e definindo o projeto de vida que tem para seus filhos e matriculando nas escolas que o Estado oferece com as diferentes opções”.
Marioneide Kliemaschewsk informou que nas escolas militares a Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) é responsável pela equipe gestora e pela coordenação. Já a Seduc é responsável pelo projeto político pedagógico, pelos professores e pelo monitoramento e acompanhamento dos resultados e dos processos que ocorrem na escola.
Este ano foi criada uma comissão intersetorial com representantes da Seduc, Conselho Estadual de Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Unidme), União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e Polícia Militar com o objetivo de discutir sobre a forma de acesso dos alunos nas escolas militares. “O sorteio dá a todos a mesma possibilidade de acesso, garantindo a questão da inclusão e da equidade e a isonomia de direitos de participar”.
Segundo o prefeito Abduljabar Mohammad, a Prefeitura já está construindo um novo prédio que poderá abrigar a escola militar, caso ela seja implantada no município. “Esse é um sonho da maioria da população de Jaciara. Acreditamos nessa opção de ensino, pois os resultados da escola militar são sempre positivos”, disse o prefeito lembrando que as escolas militares não registram evasão escolar e foram muito bem colocadas no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
“Acredito que essa escola vem para somar com a educação de Jaciara. Não podemos deixar essa oportunidade passar, pois vai contribuir e dar oportunidade a muitos jovens daqui”, destacou o aluno Mário Marcio Cassiano, 17 anos, da Escola Estadual Plena Antônio Ferreira Sobrinho.
Atualmente, a rede estadual de educação de Mato Grosso possui oito escolas militares, sete administradas pela Polícia Militar e uma pelo Bombeiros. Essas escolas estão localizadas nos municípios de Cuiabá, Confresa, Juara, Nova Mutum, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta e Rondonópolis. Juntas, eslas atendem aproximadamente 3,5 mil alunos.
Todas as escolas implantadas em Mato Grosso atenderam pedidos das próprias comunidades nos municípios e das Prefeituras.
A audiência contou com a presença dos deputados estaduais Claudinei Lopes e Silvio Fávero, do comandante da 7ª Companhia Independente da Polícia Militar de Jaciara, Akira Sakata, comandante da 9ª Companhia Independente do Corpo de Bombeiros de Jaciara, Geovany Motti, da promotora de Justiça da Comarca de Jaciara Cássia Hondo e da secretária municipal de Educação de Jaciara, Ana Paula Bueno.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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