Mato Grosso
População pode acionar os números 192 e 193 para receber atendimento pré-hospitalar

A população pode, agora, solicitar atendimento pré-hospitalar diretamente ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), pelo número de emergência 193, principalmente nos municípios da Baixada Cuiabana, como Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Chapada dos Guimarães. O serviço, que antes era prestado exclusivamente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), passou a ser realizado também pelos bombeiros militares, ampliando a capacidade de resposta e garantindo mais agilidade nas emergências.
Essa ampliação na prestação do serviço é fruto da ativação do Sistema Estadual de Atendimento Pré-Hospitalar, resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Por meio dessa parceria, foi implantada a Central de Atendimento Pré-Hospitalar no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), e as atuações do Corpo de Bombeiros Militar e do Samu nesse tipo de ocorrência passaram a ser integradas.
Dessa forma, o cidadão pode acionar os números 192, do Samu, e 193, do CBMMT, com a confiança de que ambas as instituições estão integradas e preparadas para oferecer um atendimento eficiente. Essa integração garante que cada emergência seja rapidamente direcionada à equipe mais próxima da ocorrência, o que pode fazer toda a diferença no momento do socorro, conforme destaca o comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra.
“Estamos integrando os números de emergência 192 e 193, eliminando a confusão que antes existia sobre qual número ligar em situações de acidente. Com essa integração, independentemente do número discado, a chamada será direcionada a uma única central, que é o Ciosp. Os números são diferentes, sim, ainda são, mas a central é a mesma. E essa central vai despachar a viatura que estiver mais próxima da ocorrência. Então, sem dúvida nenhuma, quem ganha com toda essa história é a população mato-grossense”, disse.
O comandante reforça ainda que, além da redução no tempo de resposta às chamadas de emergência, a integração também amplia a cobertura do atendimento e qualifica o suporte oferecido, já que os bombeiros militares atuantes também são especialistas enfermeiros e técnicos de enfermagem. Tudo isso é feito por meio de um serviço digitalizado, que permite o registro e despacho ágil e preciso das ocorrências, otimizando recursos públicos, evitando duplicidade de contratos e desperdícios.
“O Governo do Estado está buscando economizar e melhorar o serviço, e isso vai acontecer simplesmente pela regulação de todo o serviço de atendimento pré-hospitalar. Isso passa a ocorrer com esse termo de cooperação. Na verdade, o Corpo de Bombeiros sempre prestou atendimento pré-hospitalar ao longo de sua existência; tanto que, no interior do Estado, isso ainda acontece. O Corpo de Bombeiros Militar realiza mais de 35 mil atendimentos por ano, dos quais mais de 20 mil são atendimentos pré-hospitalares”, afirma o comandante.
Um município que é exemplo do sucesso do modelo de atendimento integrado é Rondonópolis, onde o sistema funciona há 15 anos. No município, a Central de Regulação de Urgência do Samu é integrada à estrutura do Ciosp, e o Samu está instalado dentro da unidade dos bombeiros. Já em Cuiabá, a retomada do atendimento pré-hospitalar pelo CBMMT vai corrigir uma lacuna existente desde 2004, quando a capital deixou de contar com o serviço dos bombeiros militares nessa área, passando a ser atendida apenas pelo Samu.
“O Corpo de Bombeiros nunca deixou de ter essa atribuição, que é legal e constitucional. No interior, isso já vinha ocorrendo e também não se trata de nenhuma inovação. Muito pelo contrário: estamos apenas cumprindo uma lei estadual que estabelecia a necessidade de atendimento pré-hospitalar pelo Corpo de Bombeiros na capital do Estado”, concluiu o comandante.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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