Mato Grosso
Pró-Família é destaque em Encontro Nacional
Nesta quinta-feira (08.11), o Programa Pró-Família foi apresentando pela secretária de Trabalho e Assistência Social de Mato Grosso, Monica Camolezi, durante o Encontro Nacional Intersetorial de Coordenadores do Programa Bolsa Família (PBF) e Cadastro Único. Participaram do encontro representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Social, Educação e Saúde, e de 26 estados e do Distrito Federal.
A secretária abordou a estratégia utilizada para acolher no Programa famílias em situação de vulnerabilidade extrema. Para essa seleção, foram utilizados dados do Cadastro Único, Bolsa Família e a parceria do Programa Família Paranaense.

Lançado em 2017, o Pró-Família já atende 19.691 famílias, 3.077 profissionais que formam a rede que envolve agentes comunitários de saúde, assistentes sociais e psicólogos. O Programa transfere mensalmente R$ 2.323.800,00. Esse recurso chega às famílias para compra de alimentos e movimenta a economia local.
“O programa disciplina todas as estratégias de intersetoralidade e envolve efetivamente a saúde e outras áreas, não apenas a educação, além das instituições do terceiro setor. Desta forma, conseguimos acessar as famílias que estavam em situação de extrema pobreza”, explicou Monica Camolezi.
Como resultado, houve uma redução de 1,3% no índice de pobreza extrema em Mato Grosso. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017. A metodologia aplicada foi elogiada e solicitada pelos demais estados.
A secretária informou que em breve será lançado um sistema que possibilitará a vigilância e o monitoramento das famílias que irão gerar dados estatísticos em tempo real de todos os municípios, realizando o georeferenciamento das famílias no estado.

No Encontro foi realizado o painel intersetorial que apresentou os impactos dos 15 anos do Programa Bolsa Família na erradicação da pobreza e do Cadastro Único como ferramentas de políticas sociais e a contribuição das Redes do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Socia (Suas) e da Educação.
O Encontro Nacional e Intersetorial termina nesta sexta-feira (09), às 18h, no auditório do Mato Grosso Palace Hotel, na Rua Joaquim Murtinho, 170, no centro de Cuiabá. O evento é organizado pela equipe da Superintendência de Inclusão Social da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social de Mato Grosso (Setas-MT).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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