Mato Grosso
Procon-MT defende medidas para garantir direitos de idosos que usam transporte intermunicipal
O descumprimento do direito à gratuidade no transporte intermunicipal para idosos e aposentados ainda é uma realidade em Mato Grosso e o Procon-MT está unindo esforços para mudar o quadro e garantir a proteção desse público. Juntamente com a sociedade civil organizada, foram apresentadas à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager-MT) as principais infrações que vêm ocorrendo.
Estiveram reunidos, esta semana, representantes da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Mato Grosso, da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Mato Grosso (Fedapi) e da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado, além do Procon-MT. Na ocasião, foram expostas as irregularidades mais frequentes praticadas pelas empresas de transporte terrestre, bem como sugestões de medidas que podem ser tomadas pela agência reguladora para coibir práticas ilegais.
Todo o idoso, aposentado e pensionista (com idade igual ou superior a 60 anos) com renda igual ou menor que dois salários mínimos têm o direito de viajar de graça no sistema de transporte rodoviário intermunicipal. Essa gratuidade foi regulamentada em 2008, pela Lei nº 8.823. Mas os usuários que possuem esse direito denunciam que as empresas burlam a fiscalização simulando compra de assentos por idosos que, na verdade, não adquiriram os bilhetes.
Utilizando-se dessa manobra ilegal, as empresas justificam que as vagas obrigatórias de determinado dia já foram reservadas, forçando o usuário a adquirir a passagem com 50% de desconto – que também está entre os direitos deste público.
O próprio Procon-MT, em janeiro deste ano, autuou uma das empresas que atuam no estado após identificar, por meio dos relatórios mensais de passageiros, que um mesmo usuário idoso aparecia com reservas para o mesmo dia, partindo de cidades diferentes. “Ficou claro, no caso em questão, que a empresa utilizou indevidamente o CPF de uma pessoa para burlar a fiscalização e, assim, não cumprir a legislação”, explica a coordenadora de Fiscalização e Controle de Mercado, Jéssica Amorim. A multa foi de R$ 10.449,49.
Para Silvino da Costa Monteiro, presidente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do estado, o trabalho do Procon-MT é fundamental, inclusive para definir novas estratégias de fiscalização e apresentar à Ager-MT. “Mobilizamos diferentes instituições para formar uma rede de proteção e garantir os direitos dos idosos”. Uma das propostas defendidas, é que a Ager disponibilize de forma pública os boletins de passageiros que tiveram gratuidade fornecida pelas empresas, preservando os dados pessoais dos usuários – o que seria uma forma de proporcionar controle social.
Representando a agência reguladora do Estado, o coordenador de Transporte Rodoviário, Fernando Gardenz, reconhece que a fiscalização no interior do estado é uma das dificuldades da entidade e, por isso, reforça a necessidades de formalização de denúncias junto à ouvidoria do órgão. Outra medida adotada pela agência, segundo ele, é a obrigatoriedade de identificação das poltronas reservadas com uma capa amarela. “Vamos encaminhar ao Procon-MT as últimas regulamentações para que eles possam fazer sugestões, objetivando melhor atender estes usuários e também as demandas do Procon. Podemos fazer uma revisão do regulamento”.
Atualmente, para ter acesso ao benefício, é preciso apresentar qualquer documento oficial com foto e um comprovante de renda igual ou inferior a dois salários mínimos. De acordo com Gisela Simona, secretária adjunta do Procon-MT, é preciso pensar em formas mais seguras e eficazes que garantam o direito do idoso ou aposentado. “Estamos falando de um público vulnerável, que muitas vezes é alvo de várias práticas abusivas. Por isso a necessidade de aperfeiçoarmos este sistema, garantindo esses direitos e protegendo este consumidor”, finalizou.
Serviço
Ouvidoria da Ager – MT
0800 647 6464
(65) 98435-7458 (Whats App)
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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