Mato Grosso
Produtores investem em inseminação artificial para viabilizar produção de doce de leite
Com 70 litros de leite, os produtores rurais Celso do Carmo Pereira e sua esposa, Ana Lúcia de Almeida, produzem 24 quilos de doce de leite para comercialização em Cuiabá e Várzea Grande. A atividade de ordenha é realizada pelos menos duas vezes por dia, no Sítio Quatro Irmãos, na comunidade Mangueiral, no município de Nossa Senhora do Livramento (42 km ao Sul de Cuiabá) há mais de cinco anos. A família tem como fonte de renda a produção de doce e utiliza 140 litros de leite por dia. Para ampliar a produção e melhorar o plantel, os produtores investiram pela primeira vez na inseminação artificial de 10 vacas.
Ana Lúcia conta que produz até três tachos de doce por dia, ou seja, para manter a produção são necessários 210 litros de leite por dia. Porém, neste período de estiagem, a produção não chega a 120 litros/leite/dia. Para complementar, o casal compra o que falta de um único produtor, o que garante leite de qualidade. “Comprar é necessário, não podemos parar a produção de doces. Tudo que produzimos, vendemos. Os compradores vêm na porta da nossa casa comprar nossos produtos”, esclarece Ana Lúcia.
Os produtores produzem até 72 quilos de doce por dia
A produção mensal é de mais de 1.500 quilos de doce de leite de vários tipos. O tablete de 100 gramas é comercializado por R$ 1,50 a unidade, a barra de um quilo por R$ 10,00 e o pote de quinhentos gramas de doce em pasta pelo preço de R$ 7,00. A produtora trabalha de domingo a domingo e a fornalha, local em que são preparados os doces, virou o local de trabalho e reunião nos finais de semana da família. “Nós estamos nesse local no período da manhã e da tarde. Querem falar com a gente é só ficar perto da produção de doce de leite”, enfatiza.
O doce pronto e ainda quente é encaminhado para a cozinha, que foi preparada para receber toda a produção. O local é limpo e organizado, com mesas de inox e formas apropriadas para montar os diversos tipos e tamanhos de doce. Depois de frio, o doce é embalado e separado para os clientes. Ela explica que leva em média até 3 horas para produzir uma quantidade de 24 quilos de doce, com uma média de produção de até 72 quilos de doce por dia.
Com um plantel de 32 bovinos leiteiros, da raça Holandesa e Jersey, apenas 10 vacas estão produzindo. São realizadas duas ordenhas por dia, nos períodos matutino e vespertino, e a média por vaca é de 12 litros/leite/dia. O produtor Celso, explica que adquiriu um touro há seis meses na expectativa de ampliar o rebanho e percebeu que isto não estava acontecendo.
A médica veterinária da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Priscilla Sinhori, comenta que os produtores pediram ajuda para o escritório da empresa, pois notaram que o touro não havia emprenhado nenhuma vaca. Para averiguar a situação, foi solicitado do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (Hovet/UFMT), um diagnóstico que confirmou a inaptidão do touro para reprodução. A partir disso, os técnicos da Empaer programaram a inseminação artificial utilizando sêmen de touros importados com aptidão leiteira. “O problema seria pior se não fosse tomada nenhuma atitude rápida, pois a família depende da produção de leite para seu sustento, e sem vacas prenhes a quantidade de leite cairia drasticamente”, enfatiza.
Foi realizada a inseminação em 10 vacas
A inseminação artificial foi realizada em parceria com a UFMT, sob a coordenação do Professor Emílio César Martins Pereira e com participação dos alunos de graduação Guilherme Barros, Jéssica Lemos, Edson Junior Figueiredo e Huerik Moreira de Souza. Segundo Priscilla, a cada 15 dia é feita uma visita à propriedade para verificar as condições dos animais.
Celso comenta que a inseminação foi uma alternativa para garantir novos animais, e que no final de setembro serão realizados exames nas 10 vacas para confirmar a prenhez. Além da inseminação, ele tomou uma medida para que possa ser realizada a monta natural, emprestando um touro de um produtor vizinho. O antigo touro que foi diagnosticado sem capacidade reprodutiva já não está na propriedade.
A bovinocultura representa uma das principais atividades econômicas para a agricultura familiar. De acordo com levantamentos dos técnicos da Empaer, 30% dos agricultores familiares exercem a pecuária de leite como atividade econômica, com uma produção média diária de 70 litros de leite no período das chuvas e de 40 litros na seca.
No final de setembro serão realizados os exames para confirmar a prenhez
Mato Grosso
Via Brasil investe R$ 16 milhões para aumentar a segurança em trecho crítico da BR-163 no Mato Grosso
Obras de correção de traçado na Serra do Cachimbo já começaram

Foto- Assessoria
A Via Brasil BR-163, concessionária responsável pela administração de 1.009 quilômetros da BR-163/230, iniciou importantes obras de correção de traçado em três pontos estratégicos da Serra do Cachimbo, no município de Guarantã do Norte (MT).
Com investimento de aproximadamente R$ 16 milhões, as intervenções têm como principal objetivo aumentar a segurança viária, reduzir o número de acidentes e proporcionar melhores condições de tráfego em um dos trechos mais críticos da BR-163 no estado.
As obras de correção de traçado consistem em intervenções voltadas à modernização da infraestrutura e a adequação das curvas da pista, o que garantirá melhor visibilidade aos motoristas e reduzirá o risco de tombamentos.
Trecho crítico com histórico de acidentes
A Serra do Cachimbo é reconhecida como um dos pontos mais sensíveis da BR-163, com histórico de ocorrências, principalmente tombamentos de caminhões. Diante desse cenário, a Via Brasil BR-163 vem intensificando ações de segurança viária no segmento.
Como medida inicial, já foram implantados medidores de velocidade nos pontos considerados mais críticos. Agora, a concessionária avança com a correção de três curvas estratégicas, promovendo uma rodovia mais segura e confiável para todos os usuários.
Locais das intervenções
As obras de correção de traçado estão previstas para três pontos da BR-163, todos localizados no município de Guarantã do Norte:
- Primeira curva – Km 1102+447
- Segunda curva – Km 1103+387
- Terceira curva – Km 1109+334
A entrega ocorrerá em três etapas: a primeira curva tem conclusão prevista para maio, a segunda para junho e a terceira para agosto.
Sinalização e segurança durante as obras
Com foco na proteção de vidas e na segurança operacional, a Via Brasil BR-163 implantou sinalização provisória nas frentes de serviço. Seguindo as diretrizes do DNIT, placas de obras foram estrategicamente posicionadas para orientar os condutores com clareza.
Para reforçar a redução de velocidade e aumentar a percepção de risco nos trechos em obras, também foram instaladas lombadas provisórias. As medidas garantem um ambiente mais seguro tanto para os usuários da rodovia quanto para os colaboradores que atuam nas intervenções.
Ao término das obras, toda a sinalização provisória será retirada, com a plena normalização do tráfego e a entrega de um traçado mais seguro e adequado às características do trecho.
Mato Grosso
Falta de infraestrutura impede eletrificação total em MT, aponta presidente do Sindenergia

O tema será um dos principais pontos do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, que acontece nos dias 12 e 13 de maio, em Cuiabá, no UNISENAI, promovido pelo Sindenergia-MT.
Segundo o presidente do sindicato, Carlos Garcia, a transição energética no estado precisa considerar a realidade da infraestrutura disponível e o custo dos investimentos.
“Eu não consigo eletrificar o estado de uma vez só, porque não tem infraestrutura elétrica para isso. Precisaria de muito investimento e isso iria para a tarifa e a população pagaria ainda mais caro. Então não conseguimos fazer”, afirmou.
A avaliação é de que a saída passa por um modelo híbrido, que combine energia elétrica com outras fontes, como biocombustíveis e biometano, aproveitando o potencial regional de cada área do estado.
“Todas as fontes são importantes e complementares. Nenhuma delas é capaz de atender toda a demanda sozinha”, disse.
A proposta defendida pelo setor é que o estado avance em um planejamento energético regional, levando em conta as características de cada região. Em áreas com maior infraestrutura elétrica, a eletrificação pode avançar. Já em regiões com menor capacidade, alternativas como geração a partir de resíduos e biomassa ganham espaço.
“Em locais onde não tem infraestrutura elétrica suficiente, a gente precisa trabalhar com o que tem ali. Se há potencial para biometano ou biomassa, é isso que deve ser explorado”, explicou.
O Encontro da Indústria do Setor Elétrico deve reunir representantes do setor produtivo, investidores e especialistas para discutir caminhos práticos para a transição energética em Mato Grosso, incluindo soluções que reduzam custos e evitem pressão sobre a tarifa de energia.
Além do debate técnico, o evento também busca aproximar empresas e soluções, com foco em geração de negócios e aplicação prática das tecnologias discutidas.
Mato Grosso
Fachin nomeia Rabaneda para laboratório que mira erros judiciais
Estrutura do Conselho Nacional de Justiça vai atuar na prevenção de falhas do sistema penal, com foco na qualificação de provas e na proteção de direitos fundamentais

Foto=- Assessoria
O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, nomeou o conselheiro Ulisses Rabanedapara a presidência do Laboratório Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição, marcando um avanço no enfrentamento dos erros judiciais no país. Instituído pela Resolução nº 659/2025, o grupo técnico foi criado com a proposta de modernizar o sistema penal brasileiro, atuando na prevenção de falhas estruturais que resultam em violações de direitos e condenações injustas.
A estrutura funcionará como um centro de inteligência, responsável por formular diretrizes nacionais, qualificar a produção de provas e analisar casos emblemáticos julgados pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça e por organismos internacionais de direitos humanos.
A iniciativa foi destacada pelo ministro do STJ, Sebastião Reis Júnior, como uma mudança de paradigma ao tratar o erro judicial como um problema estrutural. Em artigo, ele cita casos emblemáticos que evidenciam falhas graves no sistema, como o Caso Evandro, no qual o tribunal reconheceu condenações baseadas em confissões obtidas sob tortura e sem provas válidas produzidas sob o contraditório.
Outro exemplo mencionado é o caso da 113 Sul (Marlon), em que houve a anulação de uma condenação mantida por anos com base quase exclusiva em elementos colhidos na fase de investigação, sem respaldo suficiente na prova judicial. Para o ministro, episódios como esses demonstram o custo humano dos erros judiciais e a necessidade de mecanismos permanentes de prevenção.
À frente do laboratório, Rabaneda afirma que a prioridade será transformar falhas em aprendizado institucional. “Nosso objetivo é estruturar diretrizes que fortaleçam a produção de provas, protejam direitos fundamentais e reduzam o risco de condenações injustas”, disse.
Ele também destaca o caráter colaborativo da proposta, que prevê a participação de magistrados, especialistas e da sociedade civil na construção de soluções aplicáveis a todo o sistema de justiça.
Outro eixo da iniciativa é a reparação de danos causados por erros judiciais, com medidas que vão além da indenização financeira e incluem reconhecimento institucional e ações para evitar a repetição das falhas.
“Com atuação técnica e integrada, o laboratório deve consolidar uma política judiciária voltada à prevenção de erros e ao fortalecimento da confiança da sociedade na Justiça”, finaliza Rabaneda.
A proposta do laboratório também inclui a realização de oficinas, capacitações e estudos de caso, com o apoio da Rede de Inovação do Judiciário, buscando maior eficiência e padronização das práticas processuais.
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