Mato Grosso
Professor da rede estadual e artista plástico se divide entre sala de aula e ateliê
O professor de história da rede estadual Wender Carlos Cardoso Nascimento divide seu tempo entre as salas de aula e as artes plásticas. Enquanto ensina os estudantes das turmas dos oitavos e nonos anos da Escola Estatual Alcebíades Calháo, em Cuiabá, também se dedica a retratar a cultura mato-grossense da forma mais simples e ingênua em suas telas.
Ele está entre os nove artistas que representam Mato Grosso na 14ª edição da Bienal Naif do Brasil, que ocorre no Sesc Piracicaba, em São Paulo, até o dia 25 de novembro.
Formado em Licenciatura Plena em História, pelo Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), com especialização em Metodologia do Ensino da História e da Geografia, o profissional está na unidade escolar desde 2016, mas também atuou na EE Vanil Stabilito, em Várzea Grande. É servidor concursado do estado desde 2012.
Como artista plástico, atua desde 1992, participando de diversas exposições pelo Brasil e até fora do país, ganhou diversas premiações em salões de arte em Mato Grosso e fora do Estado.
“Comecei a pintar quadros em 1992, aos 11 anos, quando conheci o projeto Ateliê Livre da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com o artista Nilson Pimenta”, conta Wender, destacando que ambos moravam no bairro Pedregal e que Nilson levava os jovens da região para aprender a pintar.

O Ateliê Livre era coordenado por Pimenta e Dalva de Barros, em um espaço próximo ao zoológico, dentro do campus da universidade.
Anos depois, ele conheceu sua esposa Ester Fontes Nascimento, que fazia graduação em artes e o incentivou a continuar produzindo, percebendo seu potencial artístico. “Ela teve grande importância para a construção da minha carreira. Se ela não me incentivasse, eu já teria parado”, destaca.
Sobre sua arte, ele diz que gosta de focar nas questões ligadas ao social de Cuiabá, algo ligado à pesca, ao garimpo, aos objetos de Cuiabá. “O que remete ao regional. Antes era uma vida mais simples, não tinha esse movimento de carros. Então, são cenas que eram comuns do cotidiano em primeiro plano e com traços simples”, destaca.

Sala de aula
Wender lembra que escolheu ser professor por influência acadêmica na faculdade de história. Com exemplos de bons professores, começou a se apaixonar pela profissão e pensar em um dia se tornar um mestre.
“O professor tem vários mecanismos para influenciar na vida dos estudantes. Uma das coisas é sempre diversificar suas aulas, na forma metodológica que atraem os alunos. Por exemplo, aula que possa fazer com que o aluno seja o agente da história e da geografia, no seu bairro, sua comunidade, e ele sendo o protagonista o transformador do seu meio vivido. Podemos utilizar, a cultura, como dança regional, a pintura artística da região – conhecendo os artistas locais, etc.”, avalia.
Na escola, desenvolve projetos, juntamente com seus colegas, como Feira de Ciências, Projeto de Ambientalização e Preservação do Meio Ambiente, que é permanente o ano todo, Educomunicação e Africanidade, além do projeto Ler Mato Grosso, que envolve todas as disciplinas, continuo e interativo, entre outros.
Com relação às artes, ele diz que é importante que os estudantes conheçam os artistas que fazem parte da cultura e da arte de Mato Grosso, até mesmo pode influenciar aqueles que tem habilidade e dom da arte. “É preciso que eles conheçam museus, galerias de artes e que lancem um olhar diferenciado quando se deparam com as artes nas ruas da cidade de Cuiabá e outros lugares que forem”.
O destaque alcançado pelo professor no cenário das artes plásticas tem despertado interesse dos estudantes. “No início, quando eles souberam que eu iria participar da Bienal ficaram muito curiosos. Perguntavam qual é o meu estilo de pintura, o que é arte Naíf, etc.”

De acordo com ele, a importância é sublime para qualquer artista pelo fato de participar de um grande evento da arte brasileiro, que reúne os melhores artistas selecionados pelos grandes críticos do Brasil.
“Além disso, foi editado um livro para a divulgação da exposição e dos trabalhos, que é visto por muitas pessoas que gostam da arte e colecionadores”, comemora.
Sobre o futuro, o professor artista diz que quer continuar divulgando o seu trabalho, participar de exposições em lugares diferentes. “E, acima de tudo, continuar trabalhando para formação de estudantes de escolas e na formação de novos talentos que irão surgir nesta trajetória. A arte contribui para uma visão mais ampla de mundo e é uma forma de comunicar, uma maneira de expressão, de abrir horizontes e, nesse sentido, salva”, finaliza.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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