Mato Grosso
Projeto RodaHans detectou, em menos de dois meses, 317 novos casos de hanseníase em 18 municípios
A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) divulgou nesta sexta-feira (23.11) o relatório sobre o Projeto RodaHans – Carreta da Saúde – Hanseníase realizado em 18 municípios no período de 27 de agosto a 19 de outubro, sob a coordenação e supervisão técnica da equipe do Programa Estadual de Controle da Hanseníase da SES/MT.
De acordo com o documento, foram capacitados nesse período 1.037 profissionais da área da saúde pública dos municípios, 2.749 atendimentos de pacientes; e registrou-se 317 casos novos da hanseníase, sendo que desse total 10 casos foram entre menores de 15 anos de idade.
Em Mato Grosso, no ano de 2017, a taxa de detecção foi de 105,2/100.000 habitantes com registro de 3.477 casos novos da doença. Neste mesmo ano, foram registrados 184 casos de hanseníase na população menor de 15 anos, apresentando taxa de detecção de 22,5/100.000 habitantes.
A ação que integrou dezoito municípios Mato-grossenses foi ofertada pela Novartis Brasil, que desenvolve o projeto “Carreta da Saúde-Hanseníase”, desde 2009. Neste ano, o Ministério da Saúde, em parceria com a ONG DAHW e a NOVARTIS, idealizou o Projeto RodaHans, que concilia a capacitação dos profissionais da Atenção Primária à Saúde, visando aumentar a percepção diagnóstica de novos casos da doença.
O estado foi contemplado com três momentos de capacitação do projeto RodaHans, que foram ofertadas às regiões com maior número de municípios que aderiram à estratégia da carreta: Pontes e Lacerda, Alta Floresta e Água Boa. Nas demais regiões a estratégia foi replicada por meio de uma articulação entre a Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso, Escritórios Regionais de Saúde e Secretarias Municipais de Saúde, tendo com facilitadores profissionais que atuam como referência para hanseníase nestas regiões.
O projeto RodaHans foi realizado por especialistas colaboradores da CGHDE/MS e da ONG DAHW Brasil. No primeiro dia da capacitação, foi realizada a aula teórica e, no segundo momento da capacitação, que também marcou o início das atividades da carreta, os profissionais foram supervisionados pelo colaborador especialista durante o atendimento realizado à população.
Cada município contemplado ficou responsável pela organização e divulgação da ação. Entre as estratégias adotadas, houve a sensibilização prévia pelos Agentes Comunitários de Saúde/ACS que divulgaram em seus territórios os sinais e sintomas da doença, como também a realização da ação. Alguns municípios também conciliaram as ações do outubro rosa.
A equipe técnica do Programa Estadual de Controle da Hanseníase – SES/MT, que acompanhou a execução do projeto e apoiou as atividades de capacitação e de diagnóstico da doença, foi composta pelos servidores Cícero Fraga de Melo e Rejane de Fátima Conde Finotti e na supervisão atuaram as servidoras Alba Valéria Gomes de Melo, Gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Endêmicos, e Alessandra Cristina Ferreira de Moraes, Coordenadora de Vigilância Epidemiológica.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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