Mato Grosso
Secel realiza roda de conversa sobre economia criativa para pessoas trans
O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), realiza nesta sexta-feira (27.05) uma roda de conversa com o tema “Economia criativa para pessoas trans”. O evento será no Centro Cultural Casa das Pretas, em Cuiabá, às 19h.
A roda de conversa conta com a participação do secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura, e da superintendente de Desenvolvimento da Economia Criativa, Keiko Okamura.
“Vamos falar um pouco sobre como empreender, transformar a atividade cultural e artística em negócio, sobre sustentabilidade e gestão. Além disso, iremos falar sobre o que é economia criativa, quais caminhos possíveis, e um pouco sobre a nossa atuação”, destaca Keiko.
Jan Moura ressalta a importância de pensar desenvolvimento sociocultural de forma abrangente. Segundo o gestor, é preciso compreender que a sociedade é feita de múltiplas possibilidades de existência, e que dentro desta multiplicidade existe uma camada historicamente invisibilizada e excluída dos processos básicos de direitos.
“Para transformar a realidade da população trans e entregar a estas pessoas a oportunidade de sair da vulnerabilidade social que estão, é preciso pensar o direito ao nome e ao gênero que se identifica, acesso à educação, à saúde, à profissionalização e alternativas para a geração de renda. A economia criativa, enquanto segmento econômico é um caminho possível e que pode girar a chave da falta de acesso e de oportunidades. E é sobre isso que queremos conversar”, diz Jan.
Respeito à dignidade da pessoa humana
A Secel também está apoiando o 1º Mutirão de retificação de nome e gênero de pessoas trans de Mato Grosso. A ação ocorre no sábado (28.05), das 08h às 16h, também no Centro Cultural Casa das Pretas.
Serão ofertados os serviços de alteração do prenome nos documentos, alteração dos indicativos de gênero (filho, júnior, neto), alteração do gênero na certidão de nascimento, e assistência jurídica gratuita.
O mutirão é realizado pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT) em conjunto com o Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune-MT) e Coletivo Negro Universitário campus Cuiabá (CNU).
Desde 2018, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os transgêneros podem fazer a troca de nome e gênero em sua documentação sem a necessidade de uma ação judicial. Também não é necessário ter feito cirurgia de redesignação sexual ou tratamentos hormonais.
Serviço
Roda de Conversa “Economia Criativa para pessoas trans”
Quando: 27 de maio de 2022, às 19h
Onde: Centro Cultural Casa das Pretas / Praça Conde de Azambuja, 25. Praça da Mandioca, Centro Histórico, Cuiabá
1º Mutirão de retificação de nome e gênero de pessoas trans de Mato Grosso
Quando: 28 de maio de 2022, das 8h às 16h
Onde: Centro Cultural Casa das Pretas / Praça Conde de Azambuja, 25. Praça da Mandioca, Centro Histórico, Cuiabá
Informações: (65) 99900-6879 – Imune-MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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