Mato Grosso
Sema e MP orientam população sobre venda ilegal de áreas do Parque Igarapés do Juruena
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) participou de uma audiência pública em Cotriguaçu (955 km distante de Cuiabá) para alertar a população sobre golpes que estão ocorrendo no extremo Norte de Mato Grosso, com a falsa promessa de distribuição de áreas do Parque do Igarapés do Juruena. O evento foi realizado nesta quarta-feira (18.05) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Conforme a promotora de Justiça substituta, Caroline de Assis e Silva Holmes, está em curso no MPMT uma investigação, deflagrada em 2021, para apurar os relatos de que há uma associação aplicando golpes na região.
Essa suposta associação induziu uma parcela da população a acreditar que existe uma área do Parque Igarapés do Juruena que seria dividida entre os associados. Os interessados estariam pagando mensalidade para receber terras.
As autoridades reiteraram, na ocasião, que não há nenhuma parcela do Parque Igarapés do Juruena que será rateada, e que as promessas de regularização fundiária de invasões são falsas.
O promotor de Justiça Marcelo Vachiano explica que a audiência pública é importante para que a comunidade perceba que o Poder Público está atento ao que ocorre nas Unidades de Conservação, se coloca à disposição para esclarecimentos, e vai agir para responsabilizar os que atuam de forma ilegal.
“Queremos esclarecer à população que esta área não deixará de ser de preservação. Além de todos esses prejuízos financeiros de quem pagou algum valor por essas áreas, há ainda a fiscalização ambiental. A ocupação ilegal dessas áreas tratará a responsabilização civil, administrativa e criminal para os envolvidos”, afirmou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
Representaram o Governo na audiência pública o secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, e o presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Francisco Serafim.
Também estiveram presentes o prefeito de Cotriguaçu, Olírio Oliveira dos Santos, o deputado estadual Gilberto Cattani, o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Gibson Almeida Costa Junior, vereadores e outras autoridades locais.
Parque Igarapés do Juruena
O parque estadual é uma Unidade de Proteção Integral do Bioma Amazônia, de 227 mil hectares, localizada nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. Foi constituída em 2002 e possui um plano de manejo em vigor.
Conforme a secretária Lazzaretti, o Parque está entre as ações prioritárias de regularização fundiária. Ele faz parte de um corredor de áreas protegidas, localizada entre terras indígenas. Hoje a ação do Estado na área é voltada para a proteção da biodiversidade, e não para a ocupação humana.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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