Mato Grosso
Sema inicia mutirão de conciliação que também contempla processos mais recentes

Dos 279 processos contemplados na 7ª edição do Mutirão de Conciliação Ambiental, que teve início nesta segunda-feira (15) em Cuiabá, 30% estão relacionados a autos de infrações emitidos este ano. Com a medida, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) pretende ampliar o número de conciliações, já que nas edições anteriores somente os processos mais antigos eram priorizados.
“Nós eliminamos o passivo daqueles processos mais antigos e temos recebido muitos infratores que buscam a regularização no início do processo. O nosso objetivo é, de fato, promover o maior número de conciliações com quem realmente tem interesse”, ressaltou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
Segundo a secretária, outra novidade desta edição do mutirão, que segue até sexta-feira (19.9), das 8h às 17h, no Complexo de Juizados da Capital, foi a assinatura de um termo de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça.
“A assinatura do acordo de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça promoveu as bases formais em que nossa atuação cooperada acontece. O decreto já prevê a possibilidade do mutirão, nós só fizemos realmente a formalização administrativa dessa cooperação entre os órgãos”, acrescentou lazzaretti.
Na abertura dos trabalhos, o presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Mário Kono, ressaltou que as edições já realizadas comprovam a eficiência dos mutirões de conciliação.
“Esses mutirões já se comprovam, pela sua sétima edição, que são sucesso da sua responsabilidade, efetividade, celeridade, eficiência e eficácia”, afirmou o desembargador, lembrando que a iniciativa representa a unidade de propósitos e com a colaboração de cada instituição envolvida.
O mutirão de conciliação ambiental em Mato Grosso é realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Ministério Público Estadual (MPMT), Polícia Judiciária Civil (PJC), Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça (TJMT) e Procuradoria-Geral do Estado.
O coordenador do Núcleo Estadual de Autocomposição do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Júnior, destacou que a instituição participa do mutirão com a incumbência de se buscar ao máximo a autocomposição.
“Estamos aqui pelo Ministério Público e temos a prioridade de buscarmos ao máximo a auto composição, a resolução de conflitos de uma maneira séria, segura, pacífica, pois é isso que clama o meio ambiente. Não podemos esperar que o tempo passe e o meio ambiente fique mercê de uma demora na sua recuperação. Precisamos ao máximo buscar essa garantia para que desses acordos tenhamos uma recuperação cada vez mais célere”, destacou o promotor de Justiça.
Também participaram da solenidade de abertura da 7ª edição do Mutirão de Conciliação Ambiental, a coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), juíza Cristiane Padim; o juiz Emerson Cajango, o subprocurador-geral de Defesa do Meio Ambiente em MT, Davi Maia Castelo Branco Ferreira; o procurador de Justiça Gerson Barbosa, a delegada titular da Dema, Liliane Murata, entre outras autoridades.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
“Achávamos que iam nos matar”: depoimento da filha expõe terror após execução de Renato Nery
O depoimento foi prestado durante o Tribunal do Júri do primeiro dos seis denunciados pelo Ministério Público e revela o clima de medo vivido pela família após o crime.

Foto-Assessoria
A execução do advogado Renato Nery não terminou com os disparos que tiraram sua vida, em julho de 2024. O assassinato desencadeou dias de medo, incerteza e tensão para toda a família, que chegou a acreditar que também poderia se tornar alvo dos criminosos. O relato foi feito pela filha da vítima, Lívia Nery, nesta quarta-feira (15), durante o Tribunal do Júri de Alex Roberto de Queiroz, o primeiro dos seis denunciados pelo Ministério Público pelo homicídio.
“Achávamos que iam nos matar. A gente não sabia o que ia acontecer”, afirmou Lívia, que prestou depoimento como testemunha de acusação. Segundo ela, ainda no hospital, enquanto o pai recebia atendimento médico, pessoas próximas alertavam que a família precisava mudar a rotina imediatamente para tentar se proteger. “Pegaram a chave do carro e disseram que a gente não podia mais andar de carro comum, que deveríamos usar carro blindado”, relembrou.
Apesar de Renato Nery atuar há décadas em processos envolvendo disputas fundiárias, a família afirma que jamais imaginou viver sob ameaça. “Ainda no hospital, todo mundo dizia que isso devia estar relacionado às causas agrárias do meu pai”, contou Lívia. Segundo ela, o advogado já havia decidido reduzir o ritmo de trabalho e pretendia apenas concluir os processos antigos. “Advogado pega processos que duram muitos anos. Por isso, ele resolveu ficar apenas com aqueles que já conduzia”, disse.
Durante o depoimento, ao relembrar o atentado, a filha descreveu a rapidez e a frieza da execução. “Meu pai nem viu. Foi um assassinato a sangue frio. Simplesmente atiraram e ele caiu. Foi tão frio que você nem entende o que está acontecendo.” Renato Nery foi socorrido e permaneceu internado no Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada por volta das 5h do dia seguinte ao atentado, em 6 de julho de 2024.
O clima de insegurança, porém, se estendeu até o velório. Segundo Lívia, toda a cerimônia foi acompanhada por policiais. Embora a presença dos agentes tivesse como objetivo garantir a segurança da família, ela reforçou o temor de que novos ataques pudessem ocorrer. “A polícia estava lá para nos dar segurança, mas aquilo mostrava o quanto estávamos inseguros. A gente não sabia se poderiam atentar contra nós também. Havia inúmeras conjecturas”, relatou.
Entenda o caso
Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi assassinado porque sua atuação em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural localizada em Novo São Joaquim, a 448 quilômetros de Cuiabá, contrariou interesses econômicos dos supostos mandantes do crime. A acusação sustenta que o homicídio foi planejado, financiado e executado mediante pagamento.
Conforme as investigações, Alex Roberto aguardou a chegada do advogado ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e efetuou os disparos no momento em que a vítima desembarcava do veículo. Em seguida, fugiu em uma motocicleta. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança, cujas imagens passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil.
Ainda de acordo com o Ministério Público, o executor teria sido recrutado pelo policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos intermediários da execução. O crime completou dois anos neste mês.
Disputa milionária
A investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o assassinato teve como motivação uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim.
Segundo a denúncia, o casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontado como mandante do homicídio, teria decidido eliminar Renato Nery após sofrer uma derrota em um processo conduzido pelo advogado, o que teria provocado prejuízos financeiros milionários.
Para viabilizar o crime, conforme sustenta o Ministério Público, o casal contratou os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira. Eles seriam responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no homicídio.
Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.
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