Mato Grosso
Sesp dobra quantidade de servidores para avaliação psicossocial de recuperandos
A diretoria de Saúde do Sistema Penitenciário dobrou a quantidade de profissionais na Penitenciária Central do Estado (PCE), a partir de quarta-feira (27.11), para atender ao pedido da Vara de Execuções Penais para elaboração dos laudos psicossociais de cerca de 200 recuperandos em condições de progredir de regime. Com isso, mais uma equipe, composta por um assistente social e psicólogo, vai avaliar se os presos encaminhados pela Justiça têm condições de deixar a unidade.
A diretora de Saúde do Sistema Penitenciário, Lenil Costa Figueiredo, diz que recebeu os nomes para serem elaborados os laudos e destes, 70 já tinham passado pelos exames. “Reforçamos o atendimento aqui, por ser a maior unidade, e temos a previsão de entregar os documentos todos para a Vara de Execuções Penais até dia 15 de dezembro”.
O laudo psicossocial é um dos fatores decisivos para que o preso consiga ir para o regime semiaberto ou cumprir prisão domiciliar. Não basta ter apenas tempo cumprido da pena em regime fechado, mas também ter perfil e não representar risco para a sociedade.
“O mutirão é incessante, são todos os dias. O sistema, o computador trabalha pelo ser humano e já projeta quem tem direito. Se houve interrupção no cumprimento da pena, é feito novo cálculo, e pode ser lançado. Contudo, não basta apenas só ter tempo, mas há o requisito subjetivo feito pelo exame psicossocial. A pessoa fala que estourou o tempo, faz o exame e não passa, então não tem direito. Se for para fragilizar a segurança da cidade, a pessoa não vai para rua de jeito de nenhum”, destacou o juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidélis.
Nesta semana, o magistrado iniciou a correição anual na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, Penitenciária Central do Estado (PCE), Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) e Cadeia Pública de Várzea Grande (Capão Grande).
Nas visitas, ele tem ouvido os reeducandos e perguntado quem está prestes a progredir de regime. A intenção do magistrado é conceder a progressão antes do período natalino, reduzindo a pressão nas unidades prisionais, especialmente na PCE, que trabalha com mais que o dobro da capacidade de receber presos.
“Minha preocupação não é porta de entrada. Se a pessoa cometeu crime, ela precisa ser presa. A preocupação é com a porta de saída, quem está saindo da unidade, que tenha direito a progressão, mas que tenha também perfil, para não prejudicar a segurança da nossa cidade”, destacou o magistrado.
Estudo da Vara de Execuções Penais aponta que em seis meses, cerca de 560 presos de Cuiabá e Várzea Grande terão direito a progressão de regime. Caberá a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) agilizar os laudos psicossociais e avaliar as condições dos recuperandos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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