Mato Grosso
Sesp e Aprosoja se reúnem para aperfeiçoar estratégias de combate ao crime
Com um ano e oito meses de parceria, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) se reuniram nesta quinta-feira (25.10) para debater estratégias de combate aos crimes de roubo e furto de defensivos agrícolas, além da venda de defensivos e fertilizantes falsificados. Entre as ações da Sesp para a redução desse tipo de crimes está a intensificação das patrulhas rurais, que já têm resultados.
Na reunião, os representantes da Aprosoja apresentaram a proposta de um projeto-piloto de rastreamento dos defensivos da fábrica até a entrega, por meio de um sistema digitalizado que deve ser testado até o final deste ano. Essa ferramenta seria compartilhada com a Secretaria, para auxiliar nas investigações dos roubos e furtos, para a identificação dos receptadores e as rotas utilizadas.
Entre as ações realizadas pela Sesp para combater os crimes em propriedades rurais e o roubo de cargas de defensivos, estão as rondas em zonas rurais, e também a intensificação das investigações através dos setores de inteligência das Polícias Militar e Civil e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que apreendeu no último dia 11 uma carga de 10,3 mil litros de defensivos agrícolas falsificados em Campo Verde.
Para auxiliar nas investigações e na devolução dos produtos roubados e furtados para os produtores, o titular da Sesp, Gustavo Garcia, enfatizou a necessidade de se registrar o lote dos produtos no boletim de ocorrência. “Reforçarmos a importância de se colocar no B.O. o lote dos produtos roubados, para facilitar as investigações e também o retorno dos produtos recuperados aos donos. Também constatamos na reunião a eficiência das rondas rurais e vamos fazer um comunicado para a Polícia Militar intensificar essa ação, especialmente nesse período em que os produtos já estão estocando os defensivos”.
Wellington Andrade, diretor executivo da Aprosoja, afirmou que o termo de cooperação tem trazido resultados positivos, que podem ser vistos com a redução dos roubos e furtos de defensivos. “Essa parceria e a troca de informações entre os produtores e a Sesp aumentou a ostensividade no combate a esses crimes, pois agora a Polícia tem informações mais detalhadas sobre os casos. Houve uma diminuição dessas ocorrências e esperamos que com a implantação do rastreamento das cargas desde a indústria até o produtor esses casos caiam ainda mais”.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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