Mato Grosso
Setasc realiza ação de conscientização sobre violência contra a mulher durante 55ª Expoagro
Segundo a titular da Pasta, a ação é destinada à prevenção da violência contra as mulheres, além de mostrar quais passos elas devem seguir, se estiverem em condições de vulnerabilidade.
“A Setasc está, durante os dias da Expoagro, trazendo um pouco sobre a prevenção da violência contra a mulher e divulgando o nosso programa SER Família Mulher, idealizado pela primeira-dama, Virginia Mendes. Estamos acompanhando esse trabalho coordenado pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança Pública, em parceria com a Câmara Temática de Defesa da Mulher. Essa integralidade de todas essas instituições faz parte da Câmara Temática, que hoje presta este serviço de conscientização para as pessoas presentes”, declarou.
A secretária adjunta de Programas, Projetos Especiais e Atenção à Família (Sappeaf) da Setasc, Juliane Maciel, disse que há a necessidade de informar às mulheres sobre os diversos instrumentos que as auxiliam, mediante situação de violência.
“Como exemplo, temos o boletim virtual, o aplicativo SOS Mulher MT – Botão do Pânico Virtual, destinado às vítimas de violência doméstica e as parcerias com o Ministério Público, promotores da Defensoria Pública Estadual, Polícia Civil e Polícia Militar. Todos trabalhando em prol das mulheres do nosso estado”, disse.
Para a delegada do Plantão 24 horas de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica e Sexual de Cuiabá, Jannira Laranjeira, o principal enfrentamento à violência é a conscientização.
“Esse é o momento que a gente tem para entrar em contato com as pessoas e explicar o que é a violência. Alertá-las quais são os sinais e os riscos para a vida dessa mulher, podendo ter como resultado o feminicídio. Então, esse momento que a câmara temática está promovendo, essa união de órgãos e instituições que trabalham em prol desse enfrentamento, é importante justamente porque a gente une as forças e trabalha em rede. Demonstramos pra essa mulher que nós estamos aqui, todo o sistema de segurança e a assistência social, todos imbuídos no enfrentamento da violência doméstica, que tem números crescentes no estado de Mato Grosso”, contou a delegada Jannira.
Ela ainda reforçou que aproveitar a movimentação de pessoas em eventos dá maior visibilidade ao trabalho. “A gente precisa aproveitar o público, porque aqui torna-se um ambiente com alto consumo de bebida alcoólica e, por conta disso, muito propício ao ciúme excessivo. E é dentro desse contexto social que a violência se sobressai”, observou.
A promotora de Justiça Gileade Pereira Maia compreende que o enfrentamento à violência contra a mulher é estrutural, tornando-se como uma “chaga” no país, e que apenas com a união de forças será superado.
“Estamos aqui em uma ação que é multiinstitucional, e buscamos alcançar a população no seu momento de lazer, não somente para informar, mas também para fortalecer a confiança das pessoas em suas instituições. Ainda mmais do que isso, queremos tornar a comunidade uma grande parceira nesse enfrentamento, pois só assim a gente conseguirá fazer a diferença”, finalizou.
O ato contou com a participação do secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, do secretário de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp), coronel César Augusto Roveri, e do secretário adjunto de Integração Operacional, coronel Fernando Carneiro.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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