Mato Grosso
Sindspen MT rebate boatos de facilitação nas fugas e aponta precariedade e superlotação nas unidades prisionais
Sindicato dos Policiais Penais informa que em algumas unidades o número de detentos é o dobro da capacidade e na Penitenciária Feminina não existem grades na parte superior das celas

Superlotação, falta de manutenção e até mesmo as estruturas inadequadas encontradas nas unidades prisionais do Estado são as maiores responsáveis pelas recentes fugas de reeducandos da Penitenciária Central do Estado (PCE), nesta segunda-feira (10), em Cuiabá, e na Penitenciária Major Zuzi, em Água Boa, no último dia 3. De acordo com o Sindicato dos Policiais Penais de Mato Grosso (Sindspen-MT), algumas dessas unidades abrigam o dobro de detentos que a unidade comporta, e a falta de investimento na estrutura dos presídios dificulta o trabalho dos servidores.
Somente na PCE, local onde dois reeducandos fugiram nesta segunda-feira, são 2.440 detentos em um presídio com capacidade para 1.200 pessoas. A unidade passa por reforma e de acordo com servidores, os reeducandos aproveitaram os transtornos causados pela falta de planejamento e organização durante as obras realizadas pelo governo Estado na unidade.
“São mais de dois mil reeducandos dentro da unidade para um plantão de mais ou menos 30 policiais penais. É um trabalho extremamente difícil, e por causa das obras, ficou ainda mais complicado manter o controle e a organização dentro da unidade. Ao contrário do que estão supondo, não houve facilitação por parte dos policiais penais para que as fugas acontecessem. Há um problema sério de estrutura e condições precárias”, afirmou o diretor de Imprensa do Sindspen MT, Jota Moraes.
A situação é crítica também na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, também na Capital, onde uma detenta foi capturada no telhado da unidade no dia 28 de dezembro, quando tentava fugir do local. “Ali é mais complicado ainda. A parte de cima das celas são cobertas apenas por telhas de amianto, que como sabemos são frágeis e não impediria nenhuma detenta de fugir do local”, ressalta.
Em Várzea Grande, no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, que tem capacidade para abrigar aproximadamente mil presos, não possui muro de contenção, e é cercada apenas por grades. Além disso, os policiais penais reclamam da falta de uma guarita para ajudar no controle de quem entra e sai da unidade, e nem alojamento adequado para os servidores.
Já na Penitenciária Major Zuzi, em Água Boa, onde a estrutura é um pouco melhor, o problema é a superlotação. De acordo com levantamento do Sindspen MT, a unidade tem capacidade para aproximadamente 330 detentos e abriga atualmente mais de 650.
“Nós vemos com frequência na mídia que o governo tem dezenas de obras em andamento, mas infelizmente essas melhorias não estão acontecendo nessas unidades”, ponderou Moraes.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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