Mato Grosso
Sinfra abre licitação para construção de novo arquivo que abrigará acervo
O arquivo da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) terá um novo espaço físico para abrigar as mais de 17 mil caixas de documentos catalogados. A licitação para contratação da empresa que irá executar a obra acontece no próximo dia 4 de novembro e os interessados em participar podem se cadastrar na sede da secretaria até o dia 30 de outubro. Conforme edital, o serviço está orçado em R$ 264 mil. Vencerá o certame o licitante que ofertar o menor preço pela execução.
Para formalizar o cadastro, as empresas devem apresentar documentação que comprovem habilitação jurídica, regularidade trabalhista, qualificação técnica e econômica-financeira. A Comissão Permanente de Licitação (CPL) fará uma análise prévia dos papéis e emitirá a certificação para aqueles que cumprirem os requisitos previstos em edital.
A entrega de documentos poderá ser formalizada também na data de abertura da sessão de concorrência, marcada para o início de novembro. Na ocasião, a empresa que não se cadastrou, deve apresentar à Comissão de Licitação envelopes contendo a documentação de habilitação e ainda a proposta financeira. O material passará por avaliação da CPL, que dará o resultado da habilitação final, com base na proposta financeira. Passados os trâmites licitatórios iniciais, será aberto prazo recursal, para eventuais contestações, com base na lei de licitações.
Conforme o edital, a obra do arquivo deve ser executada em um período máximo de 90 dias a partir da emissão da ordem de serviço, podendo ser prorrogado em caso de justificativa devidamente fundamentada.
Material
Para se ter uma ideia, o arquivo da Secretaria de Infraestrutura e Logística possui hoje armazenadas cerca de 17 mil caixas de documentos. Alguns deles têm mais de 70 anos são datados da década de 1940, quando a pasta ainda se chamava Comissão Estadual Estrada de Rodagem (CER-MT).
Entre a documentação do arquivo, está, por exemplo, a planta da antiga Casa dos Governadores, localizada no Centro de Cuiabá, a primeira planta do Terminal Rodoviário da capital, além de histórico funcional de servidores e registros administrativos.
Serviço
O cadastro para participar da licitação pode ser feito na sede da Sinfra, situada na Avenida Dr. Hélio Hermínio Ribeiro Torquato da Silva, S/N – Centro Político Administrativo, Cuiabá – MT, 78048-250 – Cuiabá (MT), no edifício Ernandy Maurício Baracat Arruda (Nico Baracat).
Informações: (65) 3613-0555/0556 – das 7h30 às 11h30 e 13h às 17h (horário de Mato Grosso)
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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