Mato Grosso
Sob gestão de Domingos Neto, TCE mantém rotinas e inova fiscalização
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O Tribunal de Contas de Mato Grosso não parou um único instante durante a gestão do conselheiro presidente Gonçalo Domingos de Campos Neto. Levantamento feito de janeiro de 2018 até o dia 12 de dezembro deste ano, demonstra que o TCE-MT já realizou 178 sessões de julgamento de processos, considerando o Tribunal Pleno, a Primeira e Segunda Câmaras Técnicas. E, no total, foram julgados mais de 7.300 processos. A forma tranquila, leve e descontraída do presidente na condução das sessões também foi uma marca registrada nesse período.
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Em algumas sessões, considerando o fato de elas serem transmitidas ao vivo por televisão aberta e pela internet, o conselheiro Domingos Neto fez questão de marcar posição, portando na lapela do seu paleto símbolos de campanhas mundiais, a exemplo do laços nas cores amarela, rosa e azul alusivos à prevenção ao suicídio, câncer de mama e câncer de próstata. Também usou o início das sessões para homenagens as mais diversas.
O Tribunal de Contas realizou 85 sessões plenárias em 2018, sendo 30 sessões presenciais e 32 sessões virtuais, no caso do Tribunal Pleno. Já as duas Câmaras de Julgamento realizaram 9 sessões presenciais cada. Entre sessões presenciais e virtuais, o Tribunal Pleno julgou 3.375 processos. Em 2019, o levantamento não é conclusivo porque na próxima semana o TCE ainda realizará sessões plenárias. Mas até o dia 12 de dezembro, já haviam sido contabilizados 33 sessões presenciais e 32 sessões virtuais pelo Tribunal Pleno e oito sessões cada pela Primeira e Segunda Câmara Técnica de Julgamento.
No caso do Tribunal Pleno, esses números referem-se a acórdãos, pareceres prévios, resoluções de consultas, resoluções normativas, decisões administrativas e súmulas. No caso da Primeira e Segunda Câmaras, a deliberações plenárias com emissão de acórdão.
MARCA DE GESTÃO – A gestão do conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto ficará marcada na história do Tribunal de Contas de Mato Grosso por duas iniciativas de destaque e que contribuíram decisivamente para o aperfeiçoamento do controle externo no Estado: a reestruturação da área técnica e o funcionamento da ferramenta de controle e transparência denominada Radar de Controle Público.
Com a reestruturação da área técnica, o conselheiro Domingos Neto consolidou uma mudança radical na forma de o Tribunal de Contas atuar, especialmente por meio de sua área de fiscalização e instrução processual.
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Idealizada em 2016, quando o TCE-MT trocou o foco de contas anuais de gestão para processos de atos de gestão e direcionou as auditorias segundo critérios de materialidade, relevância e risco, o novo modelo culminou com a criação de 9 Secretarias Especializadas de Controle Externo, com 24 áreas temáticas. Em resumo, o TCE passou a ter equipes treinadas em auditorias específicas com rotinas mensais de fiscalização. A consequência imediata foi maior efetividade.
Já o Radar de Controle Público, cujo primeiro módulo denominado Compras Públicas já estava em uso desde outubro de 2018, representa a mais avançada e arrojada ferramenta web de controle, transparência e suporte de gestão. Tem como base as informações que os gestores são obrigados a encaminhar para o Tribunal de Contas. O Radar reúne esses dados, tabula as informações e permite aos usuários, por meio de uma infinidade de filtros, apurar as mais surpreendentes informações sobre a gestão pública. Os gestores, ao mesmo tempo, podem usar o Radar para modular seus processos de compra, pois a ferramenta possui o maior banco de preços públicos de Mato Grosso.
O módulo Compras Públicas, que foi utilizado por 200 mil pessoas em 12 meses de uso, informa quem compra, o que comprou, quem vendeu, preço, tipo de licitação etc. A ferramenta completa com os 12 módulos foi lançada no dia 5 de dezembro, com os módulos detalhados sobre receita, despesa, prestação de contas, previdência, pessoal, licitações, contratos, educação, saúde e obras; e o módulo cidadão, que oferece um panorama geral com informações de cada órgão público municipal e estadual. Na primeira semana de uso (5 a 11/12) após o lançamento, o Radar de Controle Público contabilizou mais 14.530 acessos, uma média de 2.000 acessos dia.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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