Mato Grosso
Tecnologia de reconhecimento facial do Vigia Mais MT já prendeu 23 foragidos da Justiça

O sistema de reconhecimento facial do programa Vigia Mais MT, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), já possibilitou a prisão de 23 foragidos da Justiça com mandados de prisão em aberto por diversos crimes.
A captura mais recente ocorreu nesta quinta-feira (14.11), em um condomínio na Região Centro-Norte de Cuiabá. Um foragido de 25 anos, que havia entrado no local como prestador de serviços, foi identificado por uma câmera do programa instalada em frente ao condomínio, voltada para a via pública.
O sistema reconheceu o mandado de prisão por tráfico de drogas e alertou o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Diante do alerta, uma equipe da Polinter foi acionada e efetuou a prisão do suspeito no local.
De acordo com o superintendente do Ciosp, delegado Cláudio Alvarez Sant’Ana, antes de realizar uma prisão, os servidores da segurança pública realizam uma série de conferências manuais nos bancos de dados da Polícia Judiciária Civil e no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo é evitar “falsos positivos”.
“Após todas as verificações, a Polícia é acionada para abordar o foragido da Justiça e conduzi-lo à delegacia, onde são adotadas as providências necessárias”, explicou o delegado.
A tecnologia opera por meio de parceria da Sesp com a Coordenadoria de Tecnologia da Polícia Civil, e a empresa FacePass.
Vigia Mais MT
O Governo do Estado está equipando os 142 municípios de Mato Grosso com 15 mil câmeras de videomonitoramento com objetivo de fortalecer as ações de segurança e reduzir os índices criminais. Sem nenhum custo, a Sesp concede câmeras de três modelos e cabe ao parceiro (prefeitura ou ente privado) arcar com custos da instalação, internet e manutenção.
Os dispositivos devem ser instalados para possibilitar a fiscalização de áreas de interesse coletivo, como ruas, avenidas e praças. A partir da integração com a Segurança Pública, as imagens captadas são compartilhadas, em tempo real, nas telas do Ciosp e em celulares funcionais dos policiais locais e outras pessoas autorizadas.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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