Mato Grosso
Tributo a Belchior embala Casa Cuiabana neste fim de semana
Belchior une diferentes gostos e gerações com sua voz inconfundível e composições eternizadas na música popular brasileira. A história de sucesso do “rapaz latino americano sem dinheiro no bolso”, que viveu seus últimos anos fugindo dos holofotes, voltou à tona após sua precoce partida.
Mas como o próprio cantou: “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. E pela primeira vez em Cuiabá, o músico lendário ganha tributo de artistas da terra, capitaneados pela cantora Luciana Bonfim, que honra a canção.
Será neste sábado (07.09), na Casa Cuiabana, que o show “Amar e mudar as coisas” ecoará como um manifesto. À ocasião, a música se alia à literatura e a setores da economia criativa para celebrar o artista que imprime romance e revolução em seus “delírios com coisas reais”.
O evento terá início às 19h, com discotecagem de Fabrício Chabô, bar e feirinha de artesanato, vinil, sebo e culinária.
Os ingressos estão à venda no sebo Rua Antiga (Metade Cheio) pelo valor de R$ 40 (inteiro) e meia solidária – R$ 20 mais 1 item de higiene pessoal (sabonete, creme dental, escova de dentes etc.), que serão repassados aos ocupantes do Beco do Candeeiro, por meio do projeto Psicanálise de Rua.
O evento tem apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Memórias e repertório

Da voz potente de Lu Bonfim, acompanhada dos músicos Vini Batera, nas baquetas, e Roosevelt de Jesus, nas cordas, o público pode esperar grandes clássicos, mas também o ‘lado B’ de Belchior.
“Alucinação”, “Como Nossos País”, “Coração Selvagem”, “Velha Roupa Colorida”, “A Palo Seco”, “Apenas um Rapaz Latino-americano” e “Fotografia 3X4” são (algumas) canções que não vão faltar no repertório.
Lu Bonfim, presença nas rodas de samba e voz da MPB em Mato Grosso, conta que sua identificação com a música de Belchior remonta os tempos de adolescência.
“Mas fiquei mesmo muito fã quando ele esteve em Cuiabá para um show no Teatro da UFMT”, conta a intérprete, que também é compositora e tem em Belchior uma referência de canto visceral, como ela define.
“Ele fala a minha língua. Gosto do seu canto ácido e sarcástico, dessa poesia direta, que fere e corta ‘feito faca’. Belchior é um músico que marca pelo tom crítico, pela maneira como ele fala da vida com paixão. Um músico intenso e político”, define Lu Bonfim.
Serviço
Show: “Amar e mudar as coisas”, por Lu Bonfim
Data: 07.09 (sábado)
Horário: das 19h às 00h
Local: Casa Cuiabana. Av General Vale, 181, bairro Bandeirantes.
Ingressos: R$ 40 (inteira) ou R$ 20 + itens de higiene pessoal. Ingressos antecipados no sebo Rua Antiga (Metade Cheio, R. Cmte. Costa, 381, Centro Norte)
Mais informações: (65) 9 9313-1286, 9 9962-0352 ou 9 8149-6456.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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