Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Portal Agro

Mercado de biodefensivos cresce mais de 70% no Brasil em um ano

Publicado

A produção de produtos biológicos para controle de pragas e doenças agrícolas cresceu mais de 70% no último ano no Brasil, movimentando R$ 464,5 milhões ante R$ 262,4 milhões em 2017. O resultado brasileiro é considerado o mais expressivo da história do setor e supera o percentual apresentado pelo mercado internacional. 

Em termos globais, o setor apresentou crescimento de 17% no mesmo período. Os dados detalhados sobre o desempenho do ano passado da indústria nacional de biodefensivos foram apresentados nesta quinta-feira (21) pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), considerando apenas as empresas associadas que representam 70%  do mercado nacional.

O crescimento do mercado brasileiro de defensivos biológicos segue tendência mundial de redução do uso de agroquímicos para combater pragas e doenças nas lavouras. Em um país com alto índice de insetos devido ao clima tropical, o desafio dos agricultores é reduzir a aplicação dos pesticidas, principal método de manejo de pragas do país atualmente, para também reduzir o custo da produção e os riscos associados para a saúde humana e os recursos naturais.

O que é

O controle biológico faz parte do chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP) e permite o uso de organismos vivos ou obtidos por manipulação genética para combater pragas e doenças provocadas por lagartas comuns, mosca, nematoides (vermes microscópicos), cigarrinha das raízes, broca da cana, ácaros e fungos e outros agentes nocivos para a agricultura.

Os produtos biológicos podem ser utilizados em qualquer cultura, desde frutas e verduras, até grãos, cana de açúcar, entre outros. Existem dois tipos de biodefensivos: os macrobriológicos, que consistem no uso de macroorganismos, como insetos, ácaros e outros inimigos naturais das pragas; ou microbiológicos, que se baseiam em bactérias, fungos e vírus.

Segundo Rose Monerrat, diretora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, os produtos mais usados no mercado são os microrganismos. “A procura tem sido muito grande e está crescendo. Segue uma tendência mundial, porque as exigências do mercado europeu estão fazendo com que este mercado cresça cada vez mais”, comenta.

O professor titular de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), José Roberto Parra, lista uma série de vantagens para o uso de biodefensivos, principalmente o aspecto ecológico e social dos produtos.

Entre os benefícios apontados pelo engenheiro agrônomo está a ausência de resíduos químicos nas culturas, uma vez que o Brasil exporta muitas commodities e o mercado internacional tem colocado cada vez mais restrições aos agroquímicos.

“É indiscutível essa vantagem. Não tem problema de resíduos químicos e não há desequilíbrios biológicos. Quando você usa inseticidas, você mata esses agentes de controle biológico, que chamamos de inimigos naturais, então, o controle biológico não mata e não aumenta a resistência das pragas. E não tem problemas ambientais de contaminação do solo, da água, dos alimentos”, explica.

Fonte: Mapa

Resultados no campo

O manejo de controle biológico é realizado há mais de dez anos pela Fazenda Salgueiro da Serra, situada em Buritis, na região Noroeste de Minas Gerais. As primeiras experiências com produtos biológicos na fazenda do Grupo Agrosalgueiro, que atualmente planta soja, milho e feijão, começaram na década de 1990 e se intensificaram a partir de 2007.

“Na época, o pedido dos sócios era para produzir mais, gastar menos e, se possível, usar menos agroquímicos. Responsável pela compra de insumos, planejamento técnico e experimento agrícola do grupo, a única forma que eu enxerguei para trabalhar esses objetivos foi o biológico e conceitos de agroecologia. Com ingredientes ativos, controle químico eu sei que não teria muita chance de reduzir custo, porque todo ano estávamos aumentando doses ou números de aplicações e com o biológico foi o contrário: nós reduzimos doses e número de aplicações”, conta Rogério Aoyagui, consultor técnico sobre biológicos e herdeiro acionista do grupo Agrosalgueiro.

O engenheiro agrônomo explica que, para reduzir doenças de solo, da planta e do sistema como um todo, o manejo biológico tem se tornado uma ferramenta fundamental. O que tem sido usado em maior escala na fazenda são os microorganismos probióticos. O grupo também utiliza inimigos naturais, agentes biológicos promotores de nitrogênio e compostagens líquidas à base de resíduos animais como fonte de nutrientes e biorremediador do solo. Manejo de sistemas e outras tecnologias já desenvolvidas também foram inseridos para contribuir com a melhoria do processo produtivo.

“Atualmente conseguimos reduzir e, em alguns casos, substituir agrotóxicos. E, obviamente, atingimos a meta inicial de redução de custo. Aumentou a produtividade e reduzimos a carga de químicos. Estávamos um pouco receosos, mas o resultado foi bem interessante. É difícil aceitar a mudança e a quebra de paradigmas de técnicos, consultores, proprietários e funcionários, esse foi um dos maiores desafios. Posso seguramente dizer que o manejo biológico é um caminho sem volta, uma ferramenta importantíssima para a revolução agrícola do mundo”, comenta Aoyagui.

Em relação à assistência técnica e contratos de parcerias com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o grupo tem tido suporte de manejos e acompanhamento do desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável. Segundo Rogério, a parceria tem sido fundamental para implantar as inovações tecnológicas com mais segurança e com grande margem de sucesso.

“Na parceria com a Embrapa conseguimos ter critérios de avaliação sobre a qualidade das nossas lavouras e do produto final. O objetivo do grupo é ter uma produção cada vez mais sustentável e responsável, respeitando cada vez mais a natureza e garantindo produtos saudáveis para a sociedade”, relata Rogério.

Veja Mais:  Ministério analisa inscrições da segunda edição do Selo Mais Integridade

“Nossa meta é reduzir no mínimo em 50% o uso de agroquímicos. Seria um grande sonho. Com a nossa credibilidade como empresa familiar e cuidadores da terra, temos a missão de gerar uma condição de harmonia, alegria e bem estar nos grupos que atuamos e na sociedade. Um dos nossos grandes incentivadores é a Embrapa, pelo suporte técnico”, comenta o proprietário Fernando Aoyagui.

A qualidade ambiental da área de produção da fazenda e a experiência de aplicar em campo tecnologias biológicas de controle de pragas têm atraído a atenção de pesquisadores de outras regiões do país. “O grupo está na vanguarda, fazendo o controle de forma segura e responsável”, elogiou Rose Monerrat.

Rose Monerrat: Demanda do mercado internacional impulsiona o uso de produtos biológicos (Foto: Antonio Araujo)

Além da Fazenda Salgueiro, a Embrapa é parceria de diversos grupos de produção ou pesquisa sobre controle biológico em todas as regiões do país. A empresa tem produtos biológicos comercializados no mercado e há mais de 30 anos desenvolve tecnologias inofensivas à saúde humana e ao meio ambiente para controle de doenças.

“Temos mais de 200 projetos no portfólio e mais ou menos 100 pesquisadores envolvidos. Muitos produtos já foram desenvolvidos e estão sendo comercializados no mercado para atender essa área. Todas as unidades estão fazendo coisas novas, tem produto para controle de lagarta, de percevejo, de nematoide”, comentou Rose.

Plantio de culturas regionais

Nem todas as pragas e doenças que atingem as lavouras brasileiras podem ser controladas por produtos químicos. Em regiões com culturas, solos e clima diferentes, tem crescido a busca por pesquisas que desenvolvam biodefensivos eficazes no controle de doenças específicas de algumas localidades.

Entre as pesquisas em andamento está o trabalho da Embrapa da Amazônia Oriental. A unidade, situada em Belém (PA), analisa o uso de bactérias para promover o crescimento da planta e também para controlar a fusariose, doença que ataca o plantio da pimenta do reino.

“Não tem nenhum agroquímico registrado para controle da fusariose, o que há são medidas preventivas, como evitar plantio perto das áreas de incidência alta, por exemplo”, disse Alessandra Keiko, pesquisadora responsável pelo estudo.
A agrônoma explica que a fusariose é uma doença de solo, causada por um fungo que ataca a raiz da planta, por isso é difícil de controlar. A doença ocorre em todos os lugares de plantio de pimenta do reino e é um problema típico de clima tropical.

A unidade também está desenvolvendo pesquisa, ainda em estágio inicial, sobre o uso de própolis para controlar a bacteriose na mandioca. A cultura também é afetada pela “podridão radicular”, problema que atinge a raiz e está muito relacionado à chuva, entre outros fatores.

Alessandra comenta que a demanda por controle biológico no Norte é grande, pois a região tem muitas culturas e doenças para s quais não existem agrotóxicos registrados para combatê-las. E a maioria é produzida pela agricultura familiar.

“Todas as doenças que ocorrem para o açaí, por exemplo, não têm químico registrado. Outros exemplos: o cupuaçu, as fruteiras nativas, a mandioca. O uso de controle alternativo com extrato de plantas, óleos essenciais, viria (no Norte) não como alternativa aos químicos, mas como forma de controle mesmo”, explica Alessandra.

Expansão

Enquanto o mercado convencional de defensivos agroquímicos tem apresentado sinais de estagnação, com resultado recente de queda global de 6% na produção (US$ 64 bilhões), o saldo mundial do controle biológico em 2018 foi 17% maior que o alcançado no período anterior, de US$ 3,8 bilhões.

No Brasil, em fevereiro do ano passado, o mercado de produtos biológicos nacional movimentou US$ 164,9 milhões, o que corresponde a quase R$ 528 milhões, segundo a consultoria Agribusiness Intelligence/Informa. O controle biológico representa 5% da produção geral de controle de pragas e a América Latina é a região que apontou crescimento mais acelerado nesta área.

Para 2020, a expectativa é que o setor de biológicos fature no mundo US$ 5 bilhões e que em 2025 chegue a US$ 11 bilhões, segundo outra consultoria, a Dunham Trimmer – International Bio Intelligence.

Fonte: Abim 2018

Performance destacada

O levantamento da consultoria internacional mostra que o Brasil é o quarto país com melhor performance na produção de produtos biológicos, respondendo por 7% da comercialização mundial. O setor é liderado por Estados Unidos (37%), Espanha (14%) e Itália (10%).

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, avalia que o mercado de biológicos ainda vai crescer muito no Brasil, pois estes produtos passaram a ser demandados por todos os produtores agrícolas e, não somente, pelos da agricultura orgânica.

“Os produtores brasileiros de uma forma geral, os produtores de cana, principalmente, produtores de grãos já vem procurando muitos produtos biológicos para utilizar no manejo fitossanitário das suas lavouras. Então, a tendência é crescer ainda mais e é importante que a gente aperfeiçoe o processo no Ministério da Agricultura para colocar esses produtos não tóxicos à disposição dos agricultores brasileiros”, comentou Tereza Cristina.

Registros

Outro fator que tende a favorecer o crescimento dos biológicos é o processo mais simplificado de registro dos produtos, que levam prazo menor para serem liberados. Até o dia 22 de fevereiro, o Mapa tinha 1.187 produtos químicos aguardando registro, sendo que a demanda mais antiga da fila é de 2009. Para registro de biológicos, a fila tinha 17 pedidos pendentes e outros seis para agricultura orgânica.

Veja Mais:  Aeroportos de SP e do RJ terão cães para reforço na fiscalização agropecuária

Apesar do prazo mais curto, o registro de um produto biológico segue praticamente o mesmo padrão de exigência dos agroquímicos. Para ser liberado para comercialização, o biodefensivo, como também é conhecido, deve atender requisitos de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Fonte: Mapa

A ministra Tereza Cristina reforça que já existem procedimentos diferentes na legislação para registro de produtos para agricultura orgânica e biológicos e que várias empresas de não orgânicos estão interessadas em adotar o uso dos biodefensivos devido aos benefícios e à facilidade do processo.

“Esse procedimento é um pouco mais rápido do que o registro normal, mas ainda é possível melhorar o fluxo do processo para que a gente consiga ter um procedimento ainda mais rápido do que é hoje”, comentou a ministra.
Segundo o Mapa, o Brasil tem atualmente 256 produtos de baixa toxicidade registrados, entre microbiológicos, semioquímicos (feromônios) e produtos de agricultura orgânica, como os extratos vegetais. O registro de biológicos no Mapa se intensificou a partir de 2015. Só em 2018, foram registrados 52 produtos, a maior média desde 1991, quando foi liberado o primeiro controle biológico no país.

Histórico

A primeira ocorrência de controle biológico registrada no mundo é de 1888, quando os Estados Unidos importaram um inseto da Austrália para controlar uma praga do tipo cochonilha, que afeta lavouras de citros. No Brasil, a primeira tentativa de importação de um inimigo natural de pragas ocorreu em 1921.

Na época, o país importou dos Estados Unidos uma vespa para controlar uma praga que atingia o pessegueiro, mas a aplicação não foi bem-sucedida. Em seguida, ocorreram outras tentativas de controle de pragas de pastagens com insetos importados, principalmente a partir das décadas de 1950 e 1960, até o desenvolvimento do biocontrole nas lavouras de cana-de-açúcar.

“O caso que deu mais certo em larga escala foi em cana-de-açúcar e este sucesso se deveu à importação de um inimigo natural chamado Cotesia Flavipes, uma vespinha que foi importada de Trinidad e Tobago e começou a ser introduzida na época por usinas”, explica o professor José Roberto Parra.

O especialista relata que a experiência com a vespa Cotesia ganhou força principalmente em Piracicaba, interior de São Paulo. Na região, o controle biológico é utilizado em 3,5 milhões de hectares de lavouras de cana-de-açúcar.
Segundo o professor Parra, a entrada da chamada Helicoverpa Armígera nas produções de algodão da Bahia entre 2011 e 2013 foi outro momento de marco do uso de controle biológico no país. Os produtores começaram a usar um tipo de vírus e uma vespa que parasita os ovos da praga, até que saísse um agrotóxico capaz de controlá-la.

“A Helicoverpa criou uma cultura de controle biológico, porque ela só era controlada biologicamente, não tinha produto (químico) registrado. Então, o pessoal teve que usar biológico”, conta o professor.

Desconhecimento e pouca disponibilidade

Quase metade dos produtores brasileiros ainda desconhecem os produtos biológicos para controle de pragas e doenças nas lavouras e 39% já utilizam este tipo de manejo, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). Entre os agricultores que já adotam biodefensivos, 76% apontam que consideram o controle biológico eficiente e 60% destacam a segurança da aplicação dos produtos biológicos.

Praticamente todos os produtores que utilizam afirmaram à pesquisa, feita em parceria com a empresa Agribusiness Consulting, que a decisão pelo controle biológico foi motivada pela importância da pós-venda, segurança, proteção do meio ambiente e aumento da produtividade, além de ser um complemento aos produtos químicos. Para 96%, a tendência é de crescimento do mercado nos próximos cinco anos.

Fonte: ABCBio

Alta demanda e baixa oferta

Apesar do forte crescimento apresentado no último balanço do setor, a produção de biológicos ainda responde por apenas 2% do faturamento total do mercado de controle de pragas.

Pesquisa da ABCBio mostra ainda que os produtos biológicos são utilizados em cerca de 10 milhões de hectares no Brasil. A área total plantada no país é de 77,4 milhões de hectares.

A associação identificou também que a taxa de adoção desse tipo de manejo de pragas não chega a 20% do total de propriedades. Em algumas regiões e culturas, como a soja, não chega a 5%.

Ministra Tereza Cristina visita fazenda de plantação de flores com controle biológico no NE (Foto/Divulgação)

Problema cultural

Para o Professor titular de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), José Roberto Parra, o grande problema no país é a existência de “uma cultura de controle químico” do agricultor, que ainda está muito ligado à tradição de combater pragas com agrotóxicos e submetido à pressão das indústrias de defensivos químicos.

“O problema do Brasil, basicamente, é cultural. O indivíduo fala assim ‘eu vou continuar aplicando inseticida, porque o meu pai aplicava inseticida, meu avô aplicava, etc’. E, logicamente, como é de se esperar, há pressão de quem produz inseticida. Lógico, isso existe. Então, você tem que mudar essa cultura para que a gente utilize menos produtos químicos”, recomenda.

Veja Mais:  Tereza Cristina trata de integração econômica e de questões sanitárias com autoridades paraguaias

Parra ressalta que o processo de mudança não é rápido e depende da disponibilidade e qualidade do inimigo natural das pragas. Técnicos que atuam no setor destacam que a biodiversidade brasileira abriga muitas espécies que podem ser utilizadas no desenvolvimento de biodefensivos.

Contudo, de acordo com o Mapa, das 1.137 pragas e doenças registradas no país, apenas 86 contam com solução biológica, o que representa 8% dos alvos que mais afetam as lavouras brasileiras.

“A disponibilidade do insumo biológico é fundamental, assim como que seja de qualidade. Não adianta nada falar que temos controle biológico, se não oferecermos opção”, ressalta Parra.

Outro problema é saber a amostragem exata de insetos e pragas na lavoura para determinar a hora certa de liberar e aplicar o controle biológico. O professor avalia que o país ainda está incipiente nesta área e deve desenvolver tecnologias modernas de sensoriamento remoto, por exemplo, para atacar as doenças no local correto e com a quantidade ideal de biodefensivo.

Capacitação

Mesmo os produtores que decidem utilizar o controle biológico esbarram nas dificuldades técnicas e de falta de conhecimento e capacitação sobre a aplicação dos novos produtos.

“Essa área de controle biológico está crescendo muito nos últimos anos. Vários agricultores estão utilizando. E o grande desafio é você ter o pessoal capacitado para trabalhar na área, empresas de qualidade produzindo bons produtos e cursos de formação na área, que existem poucos”, afirma Rose Monnerat, pesquisadora da Embrapa.

O engenheiro agrônomo Rogério Aoyagui, que trabalha como consultor de manejo biológico na região Centro-Oeste do Brasil, relata que há poucas pessoas preparadas tecnicamente para fazer o controle. O deficit de qualificação resulta em má aplicação e ineficiência no uso do produto. Aoyagui ressalta que, para ser preventivo e sustentável, o manejo biológico deve ser planejado e executado como um sistema produtivo e não como ação curativa ou para fins específicos e paliativos.

 

Tesourinha se alimenta de 120  lagartas em duas horas. Clique na imagem e assista ao vídeo

“Tem produtos que o pessoal não sabe o que de fato é ou não sabe recomendar a campo. Eles aplicam para uma coisa, mas o produto tem serventia para outra. O que ainda é pior é comparar a recomendação de manejo biológico com a recomendação de manejo convencional. Outros produtores estão associando o biológico com ingrediente ativo, sintético e isso é um pouco problemático, porque o resultado é bem diferente, se tratado só com biológico ou se tratado com biológico e fungicida, embora algumas empresas defendem não haver interferência.”, explica Aoyagui.

A questão da logística e armazenamento dos organismos utilizados para combater as doenças também tem sido um dos principais fatores apontados por especialistas e produtores para baixa adesão aos produtos biológicos. O chamado “tempo ou vida de prateleira”, que determina a duração que o produto pode ficar armazenado, é um dos critérios para a acessibilidade do produto no mercado.

“O microrganismo é mais utilizado, porque a forma de aplicação é igual ao inseticida e tem um componente a mais que é muito importante: quando você compra um fungo, você pode armazená-lo. A gente chama isso de “tempo de prateleira”, então, você pode armazená-lo e utilizá-lo daqui a alguns meses. O macro você tem que utilizar imediatamente”, explica Parra.

Rose Monerrat, que dirige a Embrapa Recursos Genéticos, avalia que as dificuldades de transporte e de armazenamento dos produtos biológicos ainda afeta muito o custo. “Tem produto que tem de ficar em baixa temperatura e isso é um grande problema para o controle biológico. Produtos à base de vírus são os mais afetados, mas depende muito do tipo de formulação. Há aqueles à base de bactéria, por exemplo, que têm vida de prateleira mais longa, mas outros têm um tempo menor.”

Produto biológico também pode ser aplicado de forma mecanizada (Foto: Antônio Araújo) 

Outros desafios

O Brasil tem outra peculiaridade que dificulta a rápida disseminação dos produtos biológicos. Além do número elevado de pragas devido ao clima tropical, o país planta em grandes áreas, enquanto que na Europa o uso de biodefensivos se fortaleceu mais rapidamente, porque as áreas agricultáveis são menores.

A diferença teve impacto no desenvolvimento das empresas produtoras de controle biológico. No continente europeu as empresas de biológicos surgiram há aproximadamente 50 anos, e no Brasil as fábricas foram impulsionadas já nos anos 2000.

“O grande problema é o nosso tipo de agricultura, ou seja, agricultura de grandes áreas. Por exemplo, há produtor que tem área de 100 mil hectares com soja na Bahia ou em Goiás, isso é uma área imensa. Então, você não pode transferir o que se faz na Europa para o Brasil. O Brasil tem uma condição diferente”, comenta Parra.

O especialista destaca que o Brasil atingiu a liderança na agricultura tropical nos últimos 40 anos e tem condições de vencer com excelência o desafio de desenvolver um modelo de controle biológico específico para região tropical.
“Esses desafios vão sendo transpostos à medida em que a gente vai melhorando os estudos, oferecendo mais opções e transferindo a tecnologia”, sugere o professor.

Ouça a matéria da Rádio Mapa

 

 Mais informações à Imprensa:

Coordenação geral de Comunicação Social
Debora Brito
[email protected]

Agro News

Falta de aviso sobre seguro agrícola pode gerar indenização ao produtor

Publicado


Conforme especialista, entendimento considera financiamentos em que o banco contratou a cobertura por anos e deixou de emitir nova apólice sem comunicar o mutuário


A instituição financeira que contrata automaticamente o seguro agrícola por anos pode responder pelas perdas do produtor se deixar de emitir a apólice em um novo financiamento sem aviso prévio. A responsabilização exige a comprovação de que houve trato sucessivo na contratação de seguro vinculado ao financiamento, omissão na contratação seguinte e constatação de prejuízo na safra financiada.

O advogado da HBS Advogados, Roberto Bastos Ghigino, explica que obrigar o cliente a adquirir um seguro para obter crédito configura venda casada, prática proibida pela legislação. O caso analisado é diferente porque envolve uma rotina criada pela própria instituição ao longo de sucessivos contratos. Quando o banco emite o seguro em todas as operações, lança os prêmios em conta-corrente e administra a apólice, esse procedimento passa a fazer parte do relacionamento com o produtor. A repetição cria a expectativa de que os financiamentos seguintes também estarão protegidos.

Esse histórico, na avaliação do advogado, obriga a instituição financeira a agir com clareza antes de mudar o procedimento. “A boa-fé objetiva impõe aos contratantes deveres anexos de conduta, entre os quais destacam-se a lealdade, a cooperação, a transparência e a proteção mútua”, afirma Ghigino.

O problema aparece quando a instituição deixa de contratar a apólice em um financiamento posterior e não informa a mudança. “O ponto crítico desse entendimento manifesta-se quando a instituição financeira rompe unilateralmente com essa prática de anos, deixando de formalizar o seguro na operação de crédito subsequente sem emitir qualquer aviso prévio, tampouco oportunizando ao produtor rural a busca por cobertura alternativa no mercado de seguros”, explica Ghigino.

Veja Mais:  Tereza Cristina trata de integração econômica e de questões sanitárias com autoridades paraguaias

Se a lavoura financiada sofre um dano e a safra é frustrada, o produtor precisa demonstrar a ligação entre a ausência do seguro e a perda financeira. Comprovada essa relação, a omissão pode caracterizar falha na prestação do serviço e gerar indenização. Ao retirar a proteção sem o consentimento ou a ciência clara do produtor, o banco passa a responder pelos efeitos dessa mudança, conforme a análise. Nessas condições, a instituição “assume integralmente o risco decorrente da descontinuidade da cobertura securitária”, observa o advogado.

A reparação deve corresponder ao valor que o produtor receberia se a apólice vinculada ao custeio estivesse regularmente contratada. O dever de indenizar depende da comprovação do histórico dos financiamentos, da omissão da instituição e do prejuízo sofrido. Ghigino cita uma análise recente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul sobre uma situação com essas características. A tese reconheceu que a contratação automática e reiterada do seguro pode criar a expectativa de manutenção da proteção e que a omissão no contrato seguinte pode gerar o dever de indenizar.

Foto: Divulgação
Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
Continue lendo

Agro News

Com safrinha sob risco, produtor de MT encontrou no sorgo uma solução para rentabilidade e manejo de plantas daninhas

Publicado

Além de reduzir a exposição aos desafios do calendário da segunda safra, a mudança de estratégia ajudou a controlar o avanço de invasoras de folhas estreitas, um problema recorrente na propriedade

Foto- Assessoria

As mudanças no comportamento do clima têm obrigado produtores rurais a rever estratégias que, até pouco tempo atrás, pareciam consolidadas. Com a janela da safrinha cada vez mais apertada em algumas regiões, culturas mais adaptadas às condições de estresse hídrico vêm ganhando espaço no planejamento das propriedades.

Em Mato Grosso, por exemplo, essa realidade levou o produtor, Ernesto Vasques Júnior, sócio proprietário da Fazenda Santa Luzia, em Poxoréu (MT), a reformular o planejamento da propriedade, que possui 500 hectares de área cultivada. Segundo ele, o atraso das chuvas no início da temporada comprometeu o calendário da safra e reduziu significativamente a janela para o plantio do milho safrinha. “Demorou muito para chover e, quando as águas vieram, já era tarde para a semeadura do milho. Até daria para plantar, mas sob risco alto”, relata.

Diante desse cenário, o agricultor buscou orientação técnica para definir uma alternativa mais segura. “Conversando com o consultor da fazenda, ele sugeriu o sorgo por ser uma cultura de ciclo mais curto e mais tolerante ao déficit hídrico. Como já havíamos comprado adubos e defensivos, fomos em busca das sementes. Paralelamente, para reduzir os riscos da operação, firmei contrato para vender parte da produção para um aviário da região”, explica.

Veja Mais:  Ministra recebe representantes da Associação Brasileira de Inseminação Artificial

A mudança foi cuidadosamente planejada. Além de encontrar uma alternativa rentável para substituir parte da área destinada ao milho, o produtor buscava uma solução para outro desafio da propriedade: o controle de plantas daninhas de folhas estreitas, cada vez mais resistentes aos herbicidas.

Diante desse cenário, a escolha foi pelo sorgo da Advanta Seeds com tecnologia igrowth®, que alia alto potencial produtivo a uma ferramenta eficiente para o manejo dessas invasoras. “Escolhemos esse híbrido pelos bons resultados que já conhecíamos e, principalmente, pela tecnologia embarcada, que permite controlar muito bem as plantas daninhas de folhas estreitas. Esse era um problema que enfrentávamos havia anos, porque elas estão cada vez mais resistentes”, afirma o titular da Fazenda Santa Luzia.

A primeira colheita, em andamento, confirma as expectativas, com bom desenvolvimento da cultura e resultados positivos no campo. “A produtividade está muito boa e tivemos uma excelente resposta no controle das plantas daninhas de folhas estreitas, justamente o que mais chamou nossa atenção na escolha do híbrido”, destaca o produtor.

Tecnologia amplia opções de manejo

A tecnologia Igrowth®, desenvolvida pela Advanta Seeds, é a primeira tecnologia comercial do mundo a conferir ao sorgo tolerância a herbicidas da família das imidazolinonas. Obtida por meio de melhoramento genético convencional, via mutagênese, a tecnologia não é transgênica e amplia significativamente as opções de manejo de plantas daninhas na cultura.

Veja Mais:  Instrução Normativa estabelece padrão de qualidade e identidade para a cerveja

Entre os principais benefícios estão o controle mais eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas, maior flexibilidade para a aplicação de herbicidas registrados em pré e pós-emergência, redução da matocompetição por água, luz e nutrientes e maior expressão do potencial produtivo dos híbridos.

A tecnologia também promove maior uniformidade da lavoura, facilita a colheita, reduz perdas operacionais e contribui para uma área mais limpa para a cultura seguinte, diminuindo o banco de sementes de plantas invasoras e os custos com dessecação. Além disso, proporciona melhor aproveitamento da água e dos fertilizantes, favorece o desenvolvimento inicial das plantas e reduz a pressão de infestação nas culturas subsequentes, fortalecendo os sistemas de rotação e sucessão. “Estamos satisfeitos e a intenção é plantar sorgo no próximo ano. A cultura pode se consolidar como uma terceira alternativa importante e acredito que também seja uma boa opção para outros produtores da região”, finaliza Vasques Júnior.

Continue lendo

Agro News

Fim da moratória da soja pode aumentar a destruição da Amazônia em 1,4 milhões de hectares nos próximos 10 anos, mostra artigo da Science

Publicado

Fim do acordo pode levar a um aumento de 17% no desmatamento na Amazônia em dez anos, com emissões equivalentes às do Canadá, sem trazer ganhos aos produtores de soja

A Amazônia registrou nos últimos anos uma tendência de redução do desmatamento, resultado de diferentes esforços de controle, fiscalização e políticas públicas. Nesse contexto, um artigo publicado na revista Science sobre o legado da Moratória da Soja alerta que seu fim pode resultar em aproximadamente 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia nos próximos dez anos, um aumento de 17% em relação às taxas históricas analisadas. As emissões associadas a essa perda florestal são estimadas em cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.

Intitulado The Rise and Fall of the Amazon Soy Moratorium, o artigo analisa os resultados de quase duas décadas da Moratória da Soja, e principalmente os impactos esperados para os próximos 10 anos com o fim deste acordo, criado em 2006 entre empresas do setor, organizações da sociedade civil e governo para impedir a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008 na Amazônia. A publicação mostra que o mecanismo reduziu significativamente o desmatamento associado à expansão da soja, sem impedir o crescimento da produção agrícola, e também que seu fim levará a um aumento expressivo do desmatamento direto para a soja.

Veja Mais:  Ministério analisa inscrições da segunda edição do Selo Mais Integridade

Desde a implementação da Moratória, a área cultivada com soja na Amazônia mais que triplicou, enquanto a expansão ocorreu principalmente sobre áreas já abertas. O estudo aponta que havia entre 9,7 milhões e 15 milhões de hectares previamente desmatados disponíveis para expansão agrícola. A publicação também estima que, nos primeiros dez anos, a Moratória reduziu em cerca de 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, evitando aproximadamente 1,8 milhão de hectares de perda florestal.

O que muda sem a Moratória
Segundo o artigo, o risco associado ao fim do acordo não está apenas na conversão direta de áreas para produção de soja, mas também no aumento da pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulnerabilidade à especulação fundiária.

O estudo identificou que 9,1 milhões de hectares de florestas em propriedades privadas têm alta aptidão para a soja e podem ser legalmente desmatados segundo o Código Florestal. Também aponta que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas podem ficar mais vulneráveis à especulação, especialmente em áreas com potencial futuro de expansão da infraestrutura.

Para o WWF-Brasil, a experiência da Moratória demonstra a importância de mecanismos que atuam nas cadeias produtivas para reduzir incentivos econômicos associados ao desmatamento. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação. O desafio agora é garantir que instrumentos capazes de reduzir o desmatamento continuem fazendo parte da estratégia brasileira de desenvolvimento”, afirma Tiago.

Veja Mais:  Consumo de peixe reduz o risco de morte por doenças do coração

Produção pode crescer em áreas já abertas
Os autores analisaram o argumento de que a Moratória teria limitado oportunidades econômicas para produtores. Os dados indicam que os impactos econômicos diretos são restritos: apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte não está localizada em propriedades produtoras de soja. Nas fazendas que já cultivam soja, a área de floresta com possibilidade legal de conversão é estimada em cerca de 60 mil hectares. Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para soja na Amazônia, o que permitiria ampliar a produção sem conversão de novas áreas de floresta.

Além disso, os autores avaliaram uma das principais críticas dirigidas à Moratória da Soja: a de que o acordo teria provocado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores. A análise comparou os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo, sem identificar diferenças sistemáticas nos valores recebidos pelos agricultores. A evidência indica que o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado, contrariando a tese de que haveria formação de cartel entre as empresas participantes.

Proteção da floresta e competitividade do setor
O artigo destaca que a redução do desmatamento está relacionada à competitividade de longo prazo do setor agrícola. A perda de floresta pode afetar serviços ecossistêmicos importantes para a agricultura, como a disponibilidade de chuvas e a regulação do clima regional. Além disso, cadeias produtivas sem mecanismos de controle de desmatamento podem enfrentar desafios diante de mercados que ampliam exigências ambientais e de rastreabilidade.

Veja Mais:  Ministra recebe representantes da Associação Brasileira de Inseminação Artificial

Segundo Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, “a Moratória da Soja mostra que empresas têm um papel estratégico na construção de uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva. Ao adotar compromissos de controle do desmatamento e rastreabilidade, o setor contribui para proteger a floresta, preservar serviços ecossistêmicos essenciais para a própria agricultura e responder às crescentes demandas dos mercados nacionais e internacionais. Produzir mais e conservar a Amazônia são objetivos que podem caminhar juntos, desde que haja transparência, responsabilidade compartilhada e mecanismos capazes de orientar a expansão produtiva para áreas já abertas”.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 29 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana