Mato Grosso
Um histórico positivo de contribuições à gestão estadual
Considerada vanguarda no País por desenvolver um trabalho preventivo, a Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) completou 40 anos com um histórico positivo de contribuições para a melhoria da eficiência da gestão estadual. Especialmente, na última década, quando deixou de ser apenas auditoria e inseriu em suas atribuições as funções de ouvidoria, controle e corregedoria.
A CGE atuou em casos como o da Conta Única, detectando mais de R$ 101 milhões de desvios, das Cartas de Créditos, dos Maquinários, dos servidores falecidos que ainda recebiam seus salários, além da recuperação de cerca de R$ 900 milhões em acordos de leniência com empresas e em termos de reajustamento de conduta. Esta última possível, graças a Lei Anticorrupção (Lei Federal 12.846), em vigência desde 2013.
“Hoje somos bem equipados e investimos bastante em capacitação continuada e em tecnologia. Neste período, basicamente quadruplicamos nosso quadro de auditores, de 22 para 88, sempre por meio de concurso público, e ampliamos nossa sede, o que nos deu condições para uma melhor atuação”, explica o ex-auditor-geral José Alves Pereira Filho, atual secretário adjunto de Controle Preventivo e Auditoria, auditor desde 2005.

José Alves Pereira Filho, secretário adjunto de Controle Preventivo e Auditoria: “investimos bastante em capacitação continuada e em tecnologia”
Uma das inovações da CGE foi a criação de uma matriz de significância, que considera, entre outros fatores, tamanho, e riscos das secretarias ou órgãos a serem auditados. Desta forma, atua-se de forma mais intensa nos 10 maiores, responsáveis por 92% do orçamento estadual, como Sefaz, Seduc, Saúde, Infraestrutura, Segurança, Sema, Detran e Unemat, entre outros.
“Se antes, atuávamos por órgão, hoje atuamos por sistema. Temos equipes verificando a parte contratual, de patrimônio, financeiro, contábil e gestão de pessoas. Nosso objetivo não é apenas apontar o erro, mas entender porque ele acontece, identificar sua causa e combatê-la. Também temos uma equipe pós-auditoria, funcionando dentro dos órgãos e secretarias, auxiliando-os na melhoria de seus processos, evitando que erros e falhas voltem a acontecer”.
Prevenção
“Trabalho preventivo é o nosso foco”, completa o atual secretário Controlador Geral, também auditor desde 2005, Emerson Hideki Hayashida. Por esse motivo, diz, a maioria dos auditores lotados na CGE atua nesta área. Além disso, a CGE trabalha com profissionais com formação em seis áreas (Administração, Ciências Contábeis, da Computação, Direito, Economia e Engenharia).
“Problemas existem em todos os lugares e na administração pública não é diferente. Se conseguimos detectá-lo e corrigi-lo, ganha a sociedade, que passa a ter um serviço de melhor qualidade e mais eficiente. Que gaste menos e com resultado mais efetivo”, diz Emerson Hayashida.
Segundo ele, embora a prevenção seja a principal vertente da CGE, não se pode coadunar com erros grosseiros, dolo e má-fé. “Se for comprovada a infração, pessoas ou empresas serão punidas, porque nossa meta é trabalhar com servidores comprometidos (para isso, os capacitamos) e empresas íntegras, corretas, justas, para que possamos caminhar juntos. Tanto o Estado quanto as empresas precisam fazer o dever de casa”.
Tecnologia permite avanços
O avanço em tecnologia da informação tem sido fundamental para a CGE exercer seu trabalho. “Desde 2012, quando cruzamos dados numa base de mais de 100 mil servidores – algo impossível de fazer manualmente – avançamos muito nesta área”, diz José Alves Pereira Filho.
“Hoje, não conseguimos viver sem ela”, completa Emerson Hayashida. Há uma equipe de inteligência exclusivamente para trabalhar nesta área. Cruzam-se os vários bancos de dados à nossa disposição (folha de pagamento, servidores, pagamentos a fornecedores, Junta Comercial, saúde, etc.) e verifica se as informações estão batendo.
No caso dos servidores falecidos, por exemplo, para evitar o que já correu uma vez, quando foram identificados mais de R$ 20 milhões pagos ilegalmente, faz-se uma verificação periódica.
“Peguemos outro exemplo. Um fornecedor que entra em uma licitação. Ele apresenta todos os documentos exigidos. De posse desses documentos, checamos se as informações estão corretas. Se o endereço e CNPJ estão coincidem. Se entregou o balanço no último ano. Suponhamos que a empresa tem um capital social de R$ 2 milhões, mas o sócio não tem sequer um veículo em seu nome. É indício de que algo não está certo. Não dá para barrar a participação em certame apenas por suspeita, mas é possível alertar o gestor sobre isso”, completa Hayashida.

José Gonçalves Botelho do Prado, ex-auditor-geral por dois mandatos e auditor aposentado – Foto: Tchelo Figueiredo
Memórias de um auditor aposentado
Criada em 1979, no governo de Frederico Campos, então como AGE (Auditoria Geral do Estado), começou com apenas cinco profissionais, todos contratados. “Eram técnicos investidos na função de auditores”, explica o ex-auditor-geral por dois mandados, atualmente aposentado, José Gonçalves Botelho do Prado, acrescentando que o primeiro concurso público ocorreu em 1987, quando foram aprovados 20 novos auditores.
Com exceção dos anos de 1990, quando foi levantada a possibilidade de sua extinção, o crescimento do órgão tem sido constante. “Os secretários que assumiram a pasta sempre lutaram por este crescimento, tanto em recursos humanos quanto na capacitação dos auditores e, mais recentemente, em tecnologia da informação”.
Em janeiro de 2011, a então AGE foi reestruturada e passou a coordenar também as atividades e Ouvidoria e Corregedoria. Foi o embrião da nova estrutura, consolidada em novembro de 2014, quando pela Lei Complementar 550/2014 se transformou efetivamente em CGE (Corregedoria Geral do Estado) e passou a ser um órgão coordenador das atividades de Ouvidoria, Auditoria, Controle e Corregedoria, seguindo diretriz do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), nos moldes da CGU (Controladoria Geral da União).
“Sou muito orgulhoso de ter participado deste processo desde lá atrás e por saber que os meus sucessores também continuam lutando por uma CGE mais atuante, criando novos sistemas de atuação, modernizando e capacitando seus auditores, atualmente em torno de 100”, afirma Botelho do Prado, cujo currículo passa pela liquidação da Lemat (Loterias de Mato Grosso), Codemat (Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso), Casemat (Companhia de Armazéns e Silos de Mato Grosso), Cohab (Companhia de Habitação) e Bemat (Banco do Estado de Mato Grosso). Foi também interventor do Detran.
Um dos homenageados nos 40 anos da instituição, Botelho do Prado participou também do ajuste fiscal ocorrido no Estado nos de 1990, durante uma das gestões do governador Dante de Oliveira. “Foi uma política pública necessária, inclusive financiada com dinheiro federal. Se não fosse feita, o Estado não tinha condições de funcionar, uma vez que gastava-se muito mais do que se arrecadava. Os salários viviam atrasados”, conclui.
Mato Grosso
MPMT investiga contratações temporárias na Educação
A 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá instaurou três inquéritos civis para apurar as condições de contratação de profissionais da educação nas redes estadual de Mato Grosso e municipais de Cuiabá e Acorizal. O objetivo é verificar a realização de concursos públicos ou processos seletivos, bem como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), política criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026 para aprimorar a seleção de professores da educação básica no país.
Conforme o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a iniciativa busca levantar informações para avaliar a possível dependência de contratações temporárias, a eventual ausência de concursos públicos regulares, a adesão à política nacional de seleção de docentes (PND) e a existência de planejamento estruturado para a valorização da carreira.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o envio de ofícios à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e às secretarias municipais de Educação de Cuiabá e de Acorizal, requisitando informações como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), ou, em caso negativo, as justificativas e a previsão de adesão; a data de realização do último concurso público ou processo seletivo; e a existência de previsão para novas seleções, com a apresentação de cronograma.
As instituições também deverão encaminhar relação atualizada dos profissionais da educação, com detalhamento por função, local de lotação e tipo de vínculo (efetivo ou temporário). O MPMT requisitou ainda informações sobre o planejamento de políticas de valorização da categoria, incluindo estruturação de carreiras, recomposição do quadro efetivo e adoção de processos seletivos mais técnicos, transparentes e impessoais.
O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior considerou que que dados do Censo Escolar indicam que, nos últimos anos, tem havido aumento no número de professores temporários no país, em desacordo com a previsão constitucional e legal. Em algumas redes estaduais, mais de 70% do corpo docente possui vínculo precário.
Considerou também levantamento baseado em painel de Business Intelligence (BI) do MEC aponta que Cuiabá está classificada como Prioridade 3, com 5,5% de inadequação docente, 83% de profissionais concursados e último concurso realizado entre seis e oito anos. Já o município de Acorizal também figura na Prioridade 3, com 53,5% de inadequação docente, 64% de profissionais concursados e ausência de informações sobre o último concurso público na área da educação, bem como sobre a existência de Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) para a categoria.
Mato Grosso
Sérgio Ricardo reforça papel constitucional do TCE-MT e defende atuação fiscalizatória

Conselheiro Sérgio Ricardo, presidente do TCE-MT
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou o papel do órgão na garantia da correta aplicação dos recursos públicos, em artigo publicado nesta segunda-feira (15). Para além do julgamento de contas, a publicação reforça a importância da fiscalização, prevista pela Constituição Federal como um dos pilares do controle externo.
No texto, intitulado “Fiscalizar é obrigação constitucional do Tribunal de Contas”, o conselheiro lembra que os Tribunais de Contas possuem natureza própria e que as garantias asseguradas a seus membros existem para preservar a independência da instituição. Segundo ele, dar publicidade ao trabalho de fiscalização faz parte da missão institucional do Tribunal.
“Uma Corte de Contas passiva diante de sinais de irregularidade não é prudente: é inconstitucional. A imparcialidade não obriga cegueira preventiva; muito menos pode ser invocada para relevar ilegalidades”, observa.
A íntegra do artigo está disponível no link abaixo. Fiscalizar é obrigação constitucional do Tribunal de Contas
Mato Grosso
Gefron e Força Tática apreendem 248 quilos de cocaína e provocam prejuízo de R$ 4 milhões às facções criminosas
Gefron/MT
Uma operação integrada do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e da Força Tática do 12º Comando Regional da Polícia Militar resultou na apreensão de 248 quilos de cloridrato de cocaína, nesta segunda-feira (15.6), em Pontes e Lacerda (a 448 km de Cuiabá). A ação provocou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões às facções criminosas.
Três suspeitos, sendo dois homens e uma mulher, foram presos em flagrante por tráfico de drogas. Foram apreendidos também dois veículos que estavam sendo utilizados para o transporte dos entorpecentes.
Após receber a informação de que dois veículos estariam transportando entorpecentes da Bolívia com destino a Pontes e Lacerda, equipes do Gefron e da Força Tática, da Polícia Militar, realizaram um bloqueio na MT-473.
Os veículos monitorados se aproximaram do bloqueio e foram abordados. Durante as buscas no Fiat Palio Adventure, os policiais encontraram um aparelho de comunicação via satélite. Já as drogas, armazenadas em diversos fardos, estavam em um VW Gol.
Os suspeitos receberam voz de prisão e foram encaminhados, junto com os veículos e os fardos de drogas, para a Polícia Federal.
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