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Empreender na educação: liderança, propósito e impacto social

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*Leonardo Chucrute é Gestor em Educação e CEO do Zerohum

Abrir uma escola vai muito além de iniciar um empreendimento. Trata-se de assumir uma missão de impacto social. A educação é um dos pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e desenvolvida.

A educação transforma vidas. Liderar esse processo exige preparo técnico, planejamento estratégico, coragem para empreender e visão de longo prazo. O primeiro passo é definir com clareza o propósito da instituição. Estabelecer diferenciais e valores sólidos será a base para todas as decisões pedagógicas, administrativas e mercadológicas.

Também é indispensável realizar um estudo de mercado aprofundado. Identificar o público-alvo, a demanda real na região escolhida e o perfil socioeconômico das famílias é essencial. Analisar a concorrência, compreender seus pontos fortes e reconhecer lacunas ainda não atendidas contribui para reduzir riscos e aumentar as chances de sustentabilidade do projeto.

O planejamento financeiro merece atenção redobrada. Abrir uma escola envolve investimentos significativos, como aluguel ou aquisição do imóvel, adequação da infraestrutura, compra de mobiliário e materiais pedagógicos, processos de legalização e contratação de professores e equipe administrativa. Ter um plano de negócios detalhado, com projeções realistas de custos, receitas e fluxo de caixa, é fundamental para garantir a viabilidade da instituição.

A legalização da escola é outro ponto crucial. Buscar assessoria jurídica especializada ajuda a atender às exigências das secretarias de educação, conselhos e demais órgãos reguladores. Além disso, a formação de um time qualificado e alinhado à proposta pedagógica é determinante. Professores, coordenadores e gestores educacionais impactam diretamente a credibilidade da instituição e o desenvolvimento dos alunos.

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A construção da marca também não deve ser negligenciada. Nome, identidade visual e posicionamento precisam transmitir confiança, seriedade e propósito. Um plano de marketing bem estruturado contribui para criar conexão com as famílias, lembrando que, na educação, o relacionamento com os pais começa muito antes da matrícula.

A tecnologia, por sua vez, deve ser encarada como uma aliada estratégica. Plataformas digitais podem otimizar a gestão pedagógica, administrativa e financeira, além de tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente e atrativo. No entanto, o foco deve permanecer na missão central: educar com qualidade, propósito e humanidade.

(*) Leonardo Chucrute é CEO do Zerohum, gestor em Educação, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

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Manter o peso perdido “pós-caneta emagrecedora”

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Lívia Catalá

Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” revolucionaram o tratamento da obesidade. Pela primeira vez, a medicina passou a alcançar perdas de peso expressivas, aproximando-se, em alguns pacientes, dos resultados tradicionalmente observados com a cirurgia bariátrica. No entanto, à medida que os resultados se consolidam, uma nova pergunta ganha protagonismo nos consultórios: o que acontece depois que o peso é perdido?

A resposta vem dos próprios estudos científicos. Hoje sabemos que a obesidade é uma doença crônica, complexa e marcada por mecanismos biológicos que favorecem o reganho de peso. O organismo interpreta a perda de peso como uma ameaça e ativa respostas hormonais e metabólicas que aumentam a fome, reduzem o gasto energético e estimulam a recuperação dos quilos perdidos.

Essa realidade ficou evidente em grandes estudos clínicos. No SURMOUNT-4, pacientes que interromperam a tirzepatida após uma fase inicial de emagrecimento apresentaram recuperação significativa do peso perdido, enquanto aqueles que mantiveram o tratamento continuaram emagrecendo e sustentaram melhor os resultados alcançados. Da mesma forma, o seguimento do estudo STEP 1 demonstrou que a suspensão da semaglutida foi acompanhada pela recuperação de grande parte do peso perdido e de parcela dos benefícios metabólicos conquistados durante o tratamento.

Mas a ciência já começa a olhar além da fase de emagrecimento. Estudos mais recentes, como o ATTAIN-MAINTAIN, começam a explorar estratégias para a manutenção do peso perdido, incluindo a possibilidade de transição para terapias orais em pacientes selecionados. A proposta é tornar o tratamento de longo prazo mais simples e acessível, sem perder a eficácia conquistada durante a fase inicial. Paralelamente, outras pesquisas investigam, ainda em fase de desenvolvimento, esquemas com doses menores após o emagrecimento, buscando identificar quais pacientes podem manter bons resultados com estratégias mais individualizadas.

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Essa mudança de perspectiva representa uma evolução importante no tratamento da obesidade. A pergunta já não é apenas quanto peso um paciente consegue perder, mas como preservar essa perda ao longo dos anos. O foco deixa de ser exclusivamente o emagrecimento e passa a incluir a manutenção dos benefícios metabólicos, a prevenção do efeito sanfona e a proteção da saúde cardiovascular.

Nesse contexto, o papel do endocrinologista torna-se ainda mais relevante. Mais do que prescrever medicamentos, o especialista acompanha a evolução clínica, interpreta as respostas individuais ao tratamento e ajusta estratégias para que os resultados sejam sustentáveis no longo prazo.

A medicina da obesidade está entrando em uma nova era. Se antes o grande desafio era conseguir perder peso, hoje a fronteira mais importante é aprender a mantê-lo. Tudo indica que o futuro será marcado por tratamentos cada vez mais personalizados, com o objetivo não apenas de reduzir números na balança, mas de preservar saúde, qualidade de vida e bem-estar ao longo do tempo.

Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.

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O problema não é Bolsonaro

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Desde as manifestações de 2013, uma parte expressiva da elite política brasileira parece incapaz de compreender a natureza da insatisfação que tomou conta das ruas.
Milhões de brasileiros saíram para protestar inicialmente contra o aumento das passagens de ônibus. Mas rapidamente ficou evidente que o problema era muito maior. A população expressava um sentimento difuso de revolta contra serviços públicos precários, corrupção, privilégios, burocracia excessiva e uma sensação crescente de distanciamento entre governantes e governados.

As instituições ouviram o barulho das ruas, mas não compreenderam sua mensagem.

Em 2016, após anos de manifestações, a pressão popular contribuiu para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 2018, a mesma energia política levou à eleição de Jair Bolsonaro, um candidato visto como outsider, alguém que prometia romper com práticas que grande parte da população identificava como símbolos do sistema político tradicional.

Entretanto, mesmo após a vitória eleitoral, o conflito não diminuiu. Pelo contrário.

Desde os primeiros meses do novo governo, surgiram discussões sobre impeachment, disputas institucionais permanentes, judicialização intensa da política e um ambiente de confronto contínuo. Os apoiadores de Bolsonaro passaram a interpretar essas movimentações como uma tentativa de neutralizar, por outros meios, uma escolha que havia sido feita nas urnas.

Durante o processo eleitoral seguinte, a percepção de desequilíbrio se aprofundou entre milhões de brasileiros. Decisões judiciais envolvendo censura de conteúdos, remoção de perfis e restrições ao debate político foram vistas por muitos cidadãos como intervenções incompatíveis com a liberdade de expressão e com a igualdade de condições entre os competidores.

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Após os acontecimentos de janeiro de 2023, milhares de pessoas foram investigadas, denunciadas ou presas. Independentemente da avaliação jurídica de cada caso, consolidou-se em parte significativa da sociedade a percepção de que não se tratava apenas da punição de crimes específicos, mas da criminalização de um movimento político inteiro.

É nesse ponto que muitos analistas continuam cometendo o mesmo erro.

Acreditam que Bolsonaro produz o fenômeno social. Talvez a relação seja inversa.

Talvez Bolsonaro seja consequência, e não causa.

Talvez ele tenha se tornado a principal expressão política de uma insatisfação que já existia antes dele e que continuará existindo depois dele.

Prender Bolsonaro não elimina as razões que levaram milhões de brasileiros às ruas em 2013. Não reduz a carga tributária. Não diminui a sensação de insegurança. Não resolve a percepção de impunidade. Não reduz a burocracia. Não aproxima as instituições do cidadão comum.

A questão central talvez não seja a polarização entre esquerda e direita.

Essa explicação, embora contenha elementos verdadeiros, parece insuficiente para explicar a profundidade do fenômeno.

O conflito que emerge repetidamente nas ruas parece refletir algo mais fundamental: a sensação crescente de que existe uma distância cada vez maior entre quem exerce poder e quem suporta o peso de suas decisões.

De um lado, uma estrutura estatal que cresce continuamente, amplia tributos, regula cada aspecto da vida social e concentra cada vez mais poder em Brasília.

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De outro, cidadãos que sentem trabalhar mais, pagar mais impostos e receber menos retorno.

Essa tensão não desaparece com prisões, censura ou decisões judiciais. Também não desaparece com eleições isoladas.

Ela só pode ser enfrentada quando as instituições compreenderem que sua legitimidade não decorre apenas da legalidade formal, mas também da capacidade de responder às demandas da sociedade que representam.

Brasília precisa lembrar uma verdade elementar de qualquer democracia: o poder emana do povo.

O Brasil já enviou esse aviso em 2013.

Talvez a pergunta mais importante não seja por que milhões de brasileiros continuam revoltados.

Talvez a pergunta seja por que, depois de tantos anos, tantos ainda se recusam a ouvir.

Zé Medeiros é deputado federal e candidato ao senado por MT

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Fígado gorduroso não é inofensivo: entenda os riscos

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Lívia Catalá

Durante muito tempo, a gordura no fígado foi considerada um achado sem grande importância. Hoje, porém, sabemos que ela pode representar um importante sinal de alerta para a saúde metabólica.

A doença, atualmente chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica), afeta cerca de um em cada três adultos e está fortemente relacionada à obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e colesterol elevado.

O problema é que ela costuma ser silenciosa. Na maioria dos casos, o diagnóstico acontece por meio de exames de rotina, especialmente o ultrassom abdominal ou alterações em exames laboratoriais que levam à investigação da doença. Atualmente, ferramentas como o FIB-4 e a elastografia hepática ajudam a identificar quais pacientes apresentam maior risco de evolução.

E esse risco não deve ser subestimado.

Em alguns pacientes, o simples acúmulo de gordura pode evoluir para inflamação do fígado, condição chamada esteato-hepatite metabólica (MASH). Com o passar do tempo, esse processo pode levar ao desenvolvimento de fibrose, cirrose e, em situações mais avançadas, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Mas talvez o dado mais importante seja outro: a principal causa de morte nesses pacientes não é a doença hepática, mas sim as doenças cardiovasculares. Pessoas com fígado gorduroso apresentam maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.

A boa notícia é que existe tratamento.

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A perda de peso continua sendo a estratégia mais eficaz. Estudos mostram que uma redução de aproximadamente 5% do peso corporal já pode diminuir significativamente a gordura no fígado. Quando a perda ultrapassa 10%, os benefícios podem ser ainda maiores, incluindo melhora da inflamação e da fibrose em parte dos pacientes.

Por isso, mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle das doenças metabólicas associadas permanecem como pilares do tratamento.

Nos últimos anos, medicamentos como a semaglutida também passaram a ganhar destaque. Além de promover perda de peso significativa, estudos recentes demonstraram melhora da gordura no fígado, da inflamação e até mesmo da fibrose hepática, uma das principais preocupações relacionadas à progressão da doença. Esses achados ampliam as possibilidades de tratamento e reforçam a importância da abordagem precoce dos pacientes com fígado gorduroso.

A principal mensagem é simples: a gordura no fígado não deve ser ignorada. Muitas vezes, ela é um dos primeiros sinais de que o organismo precisa de atenção, oferecendo uma oportunidade valiosa para prevenção e tratamento antes do surgimento de complicações mais graves.

Identificar a gordura no fígado precocemente pode significar muito mais do que proteger o fígado: pode ser a oportunidade de prevenir doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações que comprometem a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos.

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Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.

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