Nacional
Ciro fala sobre ‘desequilíbrios’ da Lava Jato, SPC e Lula em entrevista ao JN

Primeiro presidenciável a conceder entrevista ao Jornal Nacional na cobertura das eleições 2018, Ciro Gomes (PDT) respondeu a questões dos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos sobre sua relação com Lula e o PT, sua promessa de tirar o nome dos brasileiros inadimplentes do SPC, seu apoio e críticas à operação Lava Jato e, por fim, sobre a escolha de Kátia Abreu (PDT) como vice em sua chapa presidencial.
Seguindo o tradicional tom incisivo das entrevistas dos presidenciáveis ao Jornal Nacional, Bonner buscou pressionar Ciro Gomes já de início, questionando-o sobre as críticas que faz ao juiz Sergio Moro, um dos responsáveis pela Lava Jato.
Ciro argumentou que, por ter “ficha limpa” e não responder a inquéritos criminais, seus adversários frequentemente o criticam a partir de suas falas polêmicas. Assim, quando disse que “receberia Moro à bala” ou que “colocaria o Ministério Público de volta à sua caixinha”, estaria, na verdade, buscando traduzir em linguagem popular críticas pertinentes à operação.
“A operação Lava Jato tem desequilíbrios. Não há, por exemplo, nenhum quadro do PSDB na cadeia, embora abundem provas de corrupção contra os tucanos”, apontou o pedetista.
“Há muitos abusos, destruição de reputações, os prefeitos das pequenas cidades tem sofrido com a atuação do Ministério Público. Quando os promotores fogem de suas atribuições, eles perdem a legitimidade. O presidente tem o poder de colocá-los de volta na sua caixinha, isto é, fazê-los cumprir suas determinações”, completou.
Bonner, então, insistiu na questão, questionando o candidato se cabe mesmo ao presidente interferir no funcionamento de outros poderes – no caso, o judiciário.
“Basicamente, hoje, temos um quarto poder que é o Ministério Público – que não foi eleito pelo povo, bem como os juízes. E eles estão exercendo a política. O que o Brasil precisa é de segurança jurídica e paz”, disse o candidato.
Ainda no tema do combate à corrupção, a entrevista contou com um momento inusitado: Bonner questionou Ciro quanto ao presidente do PDT, Carlos Lupi, acusado de corrupção por supostamente haver comprado apoio político para a então presidenta Dilma Rousseff (PT). Ciro, contudo, rebateu Bonner, e afirmou que Lupi não é réu em nenhum processo, ao que Bonner insistiu que sim, ele é réu.
Ex-ministro de Dilma, Lupi responde a um inquérito por improbidade administrativa. Ainda assim, Ciro sustentou sua posição, afirmando “confiar cegamente” no pedetista.
Perguntado se sua defesa de Lupi não seria contraditória, já que Gomes é um notório crítico de Michel Temer (MDB), o candidato novamente discordou dos entrevistadores.
“O Temer é uma desgraça para o nosso país, já foi acusado duas vezes formalmente por corrupção, e o Congresso barrou as acusações. Temer tem ao ser redor Eduardo Cunha e Geddel, já presos, e Padilha e Moreira Franco, usufruindo do foro privilegiado, todos notórios corruptos” disparou.
Seguindo no tema da corrupção, que foi predominante nos 27 minutos de entrevista, Bonner lembrou da ocasião em que Ciro afirmou que teria avisado Lula sobre possíveis casos de corrupção na Petrobrás, ao que o petista nada fez. Os jornalistas perguntaram a Ciro se não seria o caso de ele apresentar uma denúncia ao Ministério Público.
“Vocês imaginam que cabe a um ministro reportar ao seu chefe casos de corrupção ou fazer o papel de denunciador no ministério publico?” questiona Ciro, ao que Bonner e Vasconcellos concordaram que ele havia procedido bem em levar a questão à Lula.
Aproveitando a deixa, Renata Vasconcellos quis saber sobre a relação de Ciro com Lula e o PT. O pedetista elogiou o governo do ex-presidente petista e lamentou sua prisão.
“O Lula não é um satanás como parte da imprensa pensa, nem um santo como pensa o PT. Ele fez muita coisa boa para muita gente no Brasil. Faço essa menção a ele em respeito ao povo brasileiro. A população mais pobre sentiu na pele as consequências do bom governo dele. Não devemos comemorar o fato de ter o maior líder popular do país preso”, defendeu o candidato.
Ciro Gomes e o SPC

Deixando de lado o tema da corrupção, Bonner e Vasconcellos quiseram saber sobre a viabilidade da proposta de Ciro de retirar o nome dos brasileiros inadimplentes do SPC. Para os jornalistas, a formulação da proposta do candidato pode soar simplista e clientelista ao eleitor.
O candidato pedetista, então, presenteou os jornalista com um manual detalhando a proposta. “Não tem nenhuma coerência com a minha prática essa ilação de meus adversários. Se você não me levar a mal, trouxe um manual explicando como fazer”, brincou.
“Estudei o assunto. A dívida média das pessoas no SPC é de 4 mil, fazendo um refinanciamento, baixando o juros, o banco também ganha dinheiro. Não farei isso porque sou bonzinho, mas por tenho um projeto de desenvolvimento cujo grande motor é o consumo das famílias. Se temos 63 milhões de pessoas humilhadas com o nome no SPC, como girar a economia?”, disse.
Quando a conversa chegou à segurança pública, Bonner e Vasconcellos apontaram que o Ceará, governado por Cid Gomes, irmão do candidato, é um dos que ostenta os piores índices de violência no Brasil. Para o pedetista, contudo, a marca deve-se à atuação de facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo – cabendo à presidência da República combatê-las, não ao governo do estado, que não teria recursos para tanto.
O último tópico da entrevista foram as alianças políticas traçadas por Ciro, que tem como vice Kátia Abreu, tradicionalmente alinhada ao agronegócio e repudiada por grande parte dos eleitores de esquerda. Seria possível, tendo a senadora como vice, unir a centro-esquerda brasileira?
“Meu objetivo não é unir a centro-esquerda”, respondeu. “É, sim, implmentar um projeto de desenvolvimento. Unir os interesses de quem produz e quem trabalha, tendo como grande rival a especulação financeira. Restaurar investimentos, descartelizar o sistema financeiro, retomar a industrialização”, disse.
“A Kátia Abreu não vem para a chapa por ser igual a mim, mas por ser diferente. Ela conhece a economia rural brasileira, votou contra o golpe do impeachment, contra a reforma trabalhista. Não parece o Lula com o José Alencar?” questionou.
Dando fim à entrevista ao Jornal Nacional, Ciro Gomes
, para quem “é preciso acabar com a rivalidade entre ‘coxinhas’ e ‘mortadelas’” no país, afirmou que, se eleito, irá propor de saída as principais reformas que planeja para o país. Ele disse, ainda, que plebiscitos e referendos, consultando a população sobre os principais temas, será prática usual em sua possível gestão.
Nacional
Comissão aprova proposta para consórcios municipais de inovação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e de Inovação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4076/25, do deputado José Medeiros (PL-MT), que autoriza municípios a celebrar convênios intermunicipais e contratar consórcios públicos para viabilizar projetos de tecnologia e inovação.
O texto altera a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) para permitir que prefeituras se associem no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores. A medida busca facilitar o acesso de municípios, principalmente os de menor porte, a soluções tecnológicas.
A Lei de Inovação já permite que entes da Federação formem alianças estratégicas para o desenvolvimento de inovações. Essas parcerias podem contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica, ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Medeiros afirmou que municípios de menor porte têm dificuldades para desenvolver projetos de inovação pela falta de recursos, escala e expertise. Segundo ele, é comum a contratação separada de empresas de consultoria, apesar de as carências serem compartilhadas por várias prefeituras. “Devido a essa falta de integração, há uma dificuldade muito grande para que essas unidades federativas possam identificar, contratar, desenvolver e incorporar serviços e produtos inovadores”, disse.
Aliança estratégica
O texto foi aprovado com alteração do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), para reforçar que os convênios e consórcios servem para viabilizar alianças estratégicas e desenvolvimento de projetos cooperativos. “A redação proposta reforça a segurança jurídica e a clareza do comando normativo, sem alterar o mérito da iniciativa, mas aprimorando sua aderência ao ordenamento vigente e sua aplicabilidade prática”, afirmou.
Para Ramos, a proposta dialoga diretamente com a necessidade de fortalecimento das capacidades institucionais locais, especialmente nos municípios de menor porte, por meio da atuação em rede e do compartilhamento de recursos, competências e infraestrutura.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Comissão pode votar regulamentação do trabalho por aplicativo; conheça a proposta

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a regulamentação dos serviços de transporte e entrega por aplicativo no país poderá votar, na próxima terça-feira (14), o parecer do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), ao Projeto de Lei Complementar 152/25, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE).
Em relação à primeira versão, de dezembro de 2025, o novo parecer publicado no último dia 7 de abril enfatiza ainda mais o caráter autônomo do trabalho e redefine a abrangência e o peso de certas obrigações. Segundo Coutinho, as mudanças refletem o resultado dos debates e o empenho por um consenso que permita a aprovação da matéria.
“O novo substitutivo materializa o esforço de buscar um texto politicamente viável que, ao mesmo tempo, mantenha conquistas importantes para os trabalhadores”, diz o relator no parecer.
A nova versão consolida o termo “trabalhador autônomo plataformizado”, reforçando que a relação intermediada pela plataforma não cria vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário.
O texto deixa claro o direito do trabalhador de gerenciar livremente seu tempo e de se cadastrar em múltiplas plataformas. Proíbe também metas de tempo mínimo de trabalho e punições para quem recusar serviços ou ficar offline.
Entre outras alterações, o substitutivo foca apenas no transporte de passageiros e em entregas de bens, eliminando a categoria genérica de “outros serviços” via plataformas; e exclui diversos dispositivos relacionados aos direitos dos usuários, remetendo, nesses casos, ao Código de Defesa do Consumidor.
Pontos de apoio e infraestrutura para motoristas, que eram direitos garantidos na primeira versão do parecer, passam a ser “diretriz de política pública” na nova versão, que prevê instalação gradual e sem exigência imediata.

A nova versão estrutura as regras nos seguintes eixos centrais:
Previdência Social
- Trabalhador autônomo plataformizado: é segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Paga 5% sobre o salário de contribuição, que corresponde a 25% de sua remuneração bruta mensal.
- Plataformas: a regra geral é o recolhimento de 20% sobre a mesma base de cálculo (os 25% da remuneração bruta do trabalhador).
- Modelo alternativo: as plataformas podem optar por contribuir com 5% sobre a receita bruta obtida no mercado brasileiro.
Ganhos, taxas e remuneração
- Natureza dos ganhos: os ganhos do trabalhador são divididos em duas partes:
- 25% são considerados renda (base para impostos e Previdência)
- 75% servem para cobrir custos, como combustível e manutenção
- Taxas de retenção: as plataformas podem cobrar uma taxa mensal fixa ou taxas por serviço. No caso de taxas por serviço, a média não pode ultrapassar 30% (ou 15% em modelos híbridos com taxa mensal). O cálculo deve ser feito de forma individualizada a cada sete dias.
- Remuneração para entregas:
- por serviço — piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (automóvel) ou até 4 km (moto, bicicleta ou a pé).
- Por tempo trabalhado — valor não inferior ao proporcional a dois salários-mínimos por hora efetivamente trabalhada (contada do aceite à entrega).
Gorjetas e promoções: as gorjetas devem ser repassadas integralmente e não integram a remuneração bruta. Descontos e promoções oferecidos pela plataforma aos usuários não podem ser descontados do trabalhador ou usados para abater o limite das taxas.
Benefícios adicionais
- Benefícios fiscais: isenção de IPI e IOF na compra de carros e motocicletas nacionais para profissionais que comprovem ao menos 2.000 horas de serviço nos últimos 12 meses.
- microempreendedor: motoristas enquadrados como trabalhadores autônomos plataformizados não podem ser microempreendedores individuais (MEI).
Foram excluídos da nova versão benefícios como a gratificação de 30% em dezembro, os adicionais para trabalho noturno, domingos e feriados, e a possibilidade de formação de reserva (poupança) custodiada pela plataforma.
Trabalho, segurança e transparência
- Justiça: compete à Justiça do Trabalho julgar casos envolvendo os contratos dos trabalhadores autônomos plataformizados.
- Seguro: obriga as plataformas a contratarem seguro de vida e integridade física com capital mínimo de R$ 120 mil.
- Transparência: assegura aos motoristas direito de receber relatórios detalhados (por serviço e consolidados a cada 30 dias) com valores, taxas e retenções. Decisões automatizadas sensíveis (como bloqueios) devem ser passíveis de revisão humana.
- Dever de Diligência: obriga as empresas a prevenirem cadastros falsos e garantirem a identidade real do trabalhador.
Regras para punições
- Contratos: exige contrato escrito e claro definindo prazos, formas de remuneração, obrigações de conduta e critérios para distribuição de ofertas de serviços.
- Bloqueios e suspensões: antes de suspender, bloquear ou punir trabalhadores, as plataformas devem prever sanções em contrato, notificar o trabalhador dos fatos, conceder prazo para defesa e decidir apenas após avaliá-la — proibindo cláusulas genéricas e vagas.
Por fim, foram removidos na nova versão o limite de jornada de 12 horas, o tempo mínimo de 15 segundos para aceite, o botão de pânico obrigatório no aplicativo e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Nutricionistas pedem jornada de 30 horas e piso salarial em audiência na Câmara

Em debate realizado na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados na terça-feira (7), representantes dos nutricionistas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6819/10, que prevê jornada de 30 horas semanais e piso salarial nacional para a categoria.
A audiência pública foi solicitada pela deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) e reuniu representantes do governo, conselhos profissionais e sindicatos para discutir as condições de trabalho dos nutricionistas. Os participantes relataram condições precárias de trabalho e defenderam mudanças na legislação para valorizar a categoria.
A diretora da Federação Nacional dos Nutricionistas, Ana Paula Mendonça, afirmou que o projeto aguarda votação no plenário após receber apoio para tramitação mais rápida.
“Um nutricionista valorizado é um profissional mais presente, motivado e capaz de oferecer à população um cuidado mais qualificado”, disse.
A deputada Sâmia Bomfim afirmou que valorizar esses profissionais pode reduzir gastos públicos ao prevenir doenças no Sistema Único de Saúde (SUS).

Precarização e pejotização no setor
A presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, Maria da Consolação Machado, relatou condições precárias de trabalho.
Segundo ela, há casos de desvio de função, com profissionais que chegam a realizar tarefas de limpeza. Também há registros com cargos genéricos para evitar o pagamento do piso da categoria.
Outro problema apontado foi a contratação como pessoa jurídica (pejotização) e a informalidade.
Representante do Ministério da Saúde, Lívia Angeli Silva informou que mais de 50% dos vínculos de nutricionistas no setor de saúde são informais.
Segurança alimentar
As participantes afirmaram que a nutrição é essencial para a segurança alimentar.
A conselheira do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, Jozelma Rodrigues dos Santos, destacou a atuação desses profissionais em áreas como alimentação escolar e atendimento em unidades de terapia intensiva.
A presidente do Conselho Federal de Nutrição, Manuela Dolinsky, apresentou dados sobre a categoria:
- entre 93% e 95% dos profissionais são mulheres;
- o Brasil tem cerca de 270 mil nutricionistas e 21 mil técnicos;
- no SUS, atuam mais de 35 mil nutricionistas, número considerado insuficiente.
Apoio do governo
O representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Miqueias Freitas Maia, disse que o ministério não se opõe à limitação da jornada e ao piso salarial.
Ele informou que a revisão da norma sobre insalubridade está prevista para 2027 e que o governo acompanha riscos psicossociais e casos de assédio no trabalho.
Ao final da audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de uma frente parlamentar em defesa dos nutricionistas.
A proposta é dar caráter suprapartidário ao tema e acelerar a análise de projetos, como o que permite a solicitação de exames laboratoriais por nutricionistas em planos de saúde.
Da Redação – GM
Fonte: Câmara dos Deputados
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