Saúde
Câncer: vencendo barreiras e preconceitos
Outubro e novembro foram os meses em que mais se falou sobre o câncer no Brasil, especialmente o câncer de mama, com o Outubro Rosa, e o câncer de próstata, com o Novembro Azul. As campanhas estimulam mulheres e homens a fazerem o exame precoce dos dois tipos da doença. Lançado há menos de 20 anos, o Outubro Rosa pode ser considerado um sucesso em seu objetivo de conscientização feminina. Hoje, quase a totalidade das mulheres sabe a importância da realização dos exames de mamografia, especialmente a partir dos 45 anos.
Elas buscam fazer o exame, mas como se fala popularmente, “faltou combinar” com as autoridades. Anualmente, milhares de brasileiras procuram ter acesso à mamografia, boa parte sem sucesso, sendo a grande maioria dependente do serviço público de saúde. Levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia identificou que, em 2017, das 11,5 milhões de mamografias previstas para serem realizadas em mulheres com idade entre 50 a 69 anos no país, somente 2,7 milhões foram feitas.
A necessidade da mamografia para detecção precoce do câncer de mama fica ainda mais evidente quando se constata que há chances de 90% de cura quando a doença é descoberta em estágio inicial. Depois do câncer de pele, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, respondendo por aproximadamente 28% dos novos casos a cada ano. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta 59,7 mil casos por ano e 6,91 mortes para cada 100 mil habitantes. Em Mato Grosso, são 680 novos casos a cada ano, que resultam em cerca de 200 mortes de mulheres.
Depois de atingir o objetivo de conscientização do público feminino, o Outubro Rosa começa a passar para um segundo momento: o da reivindicação ao acesso a mamografia. Este ano um pequeno movimento foi iniciado. Alguns grupos começaram a contestar a adesão do poder público à campanha, com sedes de órgãos se colorindo de rosa, ao mesmo tempo em que os governantes não priorizam investimentos na prevenção e no tratamento à doença. A hipocrisia presente no rosa dos prédios públicos ficou em evidência. Uma nova consciência sobre o direito à saúde está nascendo nas mulheres.
Já com os homens a história é diferente, eles já são bastante complicados em relação aos cuidados preventivos com a saúde e, quando se trata da prevenção ao câncer de próstata, a missão é quase hercúlea. O preconceito predomina no Brasil em relação ao exame preventivo, que exige o de toque retal. Embora não se tenha dados quantitativos, é flagrante como o preconceito ao exame de toque é premissa para que os homens não busquem atendimento e, consequentemente, a detecção precoce do câncer fica prejudicada. Assim como o câncer de mama, 90% dos casos de próstata identificados em fase inicial têm cura.
O preconceito ao exame de toque é proveniente de uma cultura machista, que infelizmente ainda predomina no Brasil. O toque é associado pelos homens a questões sexuais e homoafetivas. As piadas sobressaem quando se trata do assunto. “Não vai se apaixonar pelo médico”, dizem aos amigos. Já cheguei de ser questionado pelo paciente se mais alguém, além do médico, estaria na sala durante o exame. Medo de ser visto. Medo de ser mal visto.
E mesmo com o Novembro Azul, que surgiu no ano de 2003, pouca coisa mudou. A cada ano, 68.220 homens são diagnosticados com tumores na próstata no Brasil, resultando em 15.400 mortes. É o segundo tipo de câncer mais comum entre eles. Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, porque 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos, mas a doença pode surgir a partir dos 50 anos.
Os homens precisam perder o medo. Assim como as mulheres, dar o próximo passo e entender que a qualidade de vida e a saúde estão acima de qualquer preconceito ou barreira.
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Saúde
Psicóloga explica os sintomas do TDAH na vida adulta e como o transtorno pode afetar a vida profissional e social
Empresas podem tomar atitudes simples para que o ambiente de trabalho seja mais produtivo para um colaborador diagnosticado

Créditos – Pexels
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ainda é cercado por desinformação, especialmente quando se manifesta na vida adulta. A psicóloga Marciléa Dias explica que se trata de um transtorno neurobiológico caracterizado por desatenção, inquietude e impulsividade, cujos sintomas surgem na infância e podem persistir ao longo da vida, afetando o foco, a organização e o controle de impulsos, tanto na vida pessoal quanto no ambiente de trabalho. De acordo com a Federação Mundial de TDAH, 5,9% dos jovens e 2,5% dos adultos no mundo convivem com o diagnóstico.
Entre os principais desafios que o TDAH traz aos adultos está a adaptação ao cotidiano profissional.
“Muitas empresas ainda não estão prontas para lidarem com a neurodivergência e acabam rotulando essas pessoas que apresentam quadro de TDAH como pessoas desatentas, preguiçosas e desinteressadas. Mas as empresas podem tomar atitudes simples para lidar com isso, como flexibilização de horário, instruções passadas por escrito em vez de só falada, evitar que essas pessoas fiquem expostas a poluições sonora e visual, e formalizar essas instruções de maneira que todos os colaboradores possam contribuir para que a produtividade desse profissional se torne cada vez maior”, destaca a professora do curso de Psicologia da Estácio.
Sintomas do TDAH na vida adulta Entre os sintomas de TDAH na vida adulta estão, além de impulsividade, inquietação e falta de organização, também a dificuldade de relacionamento e de organização.
Identificar o TDAH na vida adulta é consideravelmente mais difícil do que na infância, como cita a psicóloga, isso porque o adulto, ao longo da vida, tenta mascarar suas dificuldades para se adaptar à sociedade.
“Identificar o TDAH exige do adulto uma investigação profunda e busca por especialistas, como psiquiatras e neuropsicólogos, para chegar ao diagnóstico, mesmo que tardio. E entre os sintomas mais comuns do TDAH nesta faixa etária estão também a procrastinação severa, grande dificuldade de gerenciar o tempo e cumprir prazos, a desorganização e uma impulsividade que podem afetar tanto as conversas quanto as decisões do dia a dia, afetando a vida social e o ambiente de trabalho”, explica Marciléa.
A profissional destaca ainda que, muitas vezes, o TDAH é associado somente a crianças mais agitadas, mas a verdade é que o transtorno acompanha o indivíduo por toda a sua vida.
“Aquela agitação da infância vai diminuindo e na vida adulta se transforma numa grande inquietação mental, podendo levar a quadros de depressão e de ansiedade”.
Tratamento para o TDAH A professora do curso de Psicologia da Estácio explica que TDAH tem tratamento, feito por meio de psicoterapia, além de medicação quando necessário.
“Quando uma pessoa com TDAH não busca ajuda, ela traz prejuízos para si mesma, para sua vida profissional, familiar, amorosa e em todas as suas relações, pois ela poderá ser sempre mal interpretada. Por isso a importância de adultos procurarem ajuda para terem o quanto antes esse diagnóstico e melhorarem sua qualidade de vida”, finaliza Marciléa Dias.
Saúde
Julho Laranja: 6 dicas para proteger a saúde bucal das crianças desde os primeiros anos de vida
Campanha de conscientização reforça que acompanhamento odontológico na infância é decisivo para prevenir alterações no desenvolvimento da arcada dentária e promover mais qualidade de vida às crianças

Julho é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde bucal infantil. A campanha Julho Laranja chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce de alterações no desenvolvimento da arcada dentária, e incentiva pais e responsáveis a incluírem a avaliação odontológica na rotina de cuidados com as crianças. O objetivo é prevenir problemas que, quando identificados nos primeiros anos de vida, podem ser tratados de forma mais simples e confortável, com intervenções menos complexas.
De acordo com o dentista especialista em Ortodontia da ClearCorrect, Dr. Roberto Shimizu, ao contrário do que muitos imaginam, a ortodontia não começa apenas quando os dentes permanentes nascem ou quando surge a necessidade de colocar aparelho, seja o fixo convencional ou o alinhador transparente. A avaliação precoce permite identificar alterações na mordida, no crescimento dos ossos da face, hábitos como chupar o dedo ou usar chupeta por tempo prolongado e dificuldades respiratórias que podem comprometer o desenvolvimento infantil.
Muitos tratamentos podem ser simplificados quando o acompanhamento é iniciado precocemente. “Quanto mais cedo identificamos alterações no desenvolvimento da criança, maiores são as chances de intervir de forma preventiva, evitando problemas mais complexos na adolescência e na vida adulta”, explica o especialista. Em muitos casos, a intervenção precoce também reduz a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro, como extrações dentárias e outros procedimentos mais invasivos.
A recomendação é que as crianças passem por avaliações odontológicas regulares e, entre os 6 e 12 anos, realizem acompanhamento ortodôntico anual. Nessa fase, é possível acompanhar o crescimento ósseo e a troca dos dentes de leite pelos permanentes. A campanha Julho Laranja reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce durante esse período do desenvolvimento infantil.
Além da saúde bucal, o diagnóstico precoce também pode contribuir para a qualidade do sono, da mastigação, da fala, da respiração e até da autoestima da criança. Atualmente, a Ortodontia dispõe de diferentes recursos terapêuticos, como os alinhadores transparentes, que podem ser indicados para casos específicos em crianças e adolescentes, sempre mediante avaliação profissional. Por serem removíveis, eles facilitam a higiene bucal, podem proporcionar maior conforto durante o tratamento e permitem que a criança mantenha sua rotina com menos restrições. Além disso, o planejamento digital e o escaneamento intraoral tornam o acompanhamento mais preciso e personalizado.
Seis cuidados para manter o sorriso infantil saudável
Durante o Julho Laranja, algumas orientações simples ganham destaque:
- Realizar consultas odontológicas periódicas desde o primeiro ano de vida.
- Observar alterações na mordida, no alinhamento dos dentes e no crescimento da face.
- Incentivar hábitos adequados de higiene bucal, com escovação supervisionada e uso do fio dental.
- Evitar hábitos prejudiciais, como chupar o dedo ou usar chupeta.
- Manter uma alimentação equilibrada, evitando o consumo excessivo de açúcar.
- Procurar avaliação ortodôntica durante a fase de crescimento, mesmo sem sinais aparentes de problemas.
Para Shimizu, a principal mensagem da campanha é que os cuidados com a saúde bucal devem começar cedo. “O Julho Laranja reforça que a prevenção é o melhor caminho para garantir um desenvolvimento saudável da criança. Um diagnóstico precoce permite intervenções mais simples, contribui para funções importantes, como mastigação, respiração e fala, e pode evitar tratamentos mais complexos no futuro. Cuidar do sorriso desde a infância é investir na saúde e na qualidade de vida ao longo de toda a vida”, conclui.
Sobre a ClearCorrect
A ClearCorrect é uma das principais marcas de alinhadores transparentes para tratamentos ortodônticos do mundo. A integrante do grupo suíço Straumann está presente no Brasil desde 2018, se consolidando no primeiro mercado fora dos Estados Unidos, com produção concentrada em fábrica própria em Curitiba (PR). O sistema da ClearCorrect promove a movimentação dentária por meio de pressões exercidas em determinadas regiões da arcada, resultando na remodelação óssea, além de levar à correção da má-oclusão com a elaboração de um planejamento ortodôntico virtual. Mais informações em www.clearcorrect.com.br.
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