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Tipo Sanguíneo e Covid-19 Mais Grave?

oncologista André Crepaldi
Com o avanço da pandemia do novo coronavírus tem-se tentado descobrir por que determinados pacientes evoluem de forma mais grave, enquanto outros passam pela contaminação de forma assintomática. Como uma doença nova, médicos e cientistas por todo mundo estão tentando entender os mecanismos de ação do vírus em cada pessoa.
Em julho de 2020, uma das revistas de medicina de maior prestígio no mundo, a New England Journal Medicine, publicou um artigo mostrando que pessoas com grupo sanguíneo A tem um maior risco de desenvolver a doença com as formas mais graves. Parece haver uma relação entre o tipo sanguíneo da pessoa e a suscetibilidade ao contágio ou à gravidade da doença.
O artigo relata o estudos de um grupo de cientistas que analisaram 1.980 pacientes com Covid-19 de Hospitais da Espanha e da Itália. Compararam com 2.381 pessoas saudáveis ou com sintomas leves da doença. Estudaram, então, o DNA dos pacientes e verificaram que duas regiões do genoma, que estavam associados a formas mais graves da Covid-19. Estas regiões incluem o gene que determina o grupo sanguíneo.
A pesquisa detectou que pessoas do grupo sanguíneo A apresentam um risco 45% maior de desenvolver a doença na forma mais grave. Mostrou ainda, que aqueles do grupo sanguíneo O tinham uma redução de 35% de risco de apresentar a doença em sua forma mais grave.
Os pesquisadores, liderados pelo doutor Andre Franke, da Universidade Christian-Albrecht de Kiel, na Alemanha, e pelo doutor Tom Karlsen, do Hospital Universidade de Oslo, na Noruega, descobriram uma série de variantes em genes envolvida nas reações imunológicas mais comuns em pessoas com casos graves. Estes genes também estão envolvidos com uma proteína de superfície celular chamada ACE2, que o coronavírus usa para ter acesso às células do corpo e infectá-las.
Este estudo acabou mostrando a associação entre grupo sanguíneo e a gravidade da doença causada pelo novo coronavírus, mas não é suficiente para indicar uma causa e efeito.
O grupo sanguíneo faz parte de uma série de heranças genéticas que o ser humano carrega, e esta porção do DNA pode levar a alterações com maior vulnerabilidade ao coronavírus.
O estudo, então, indica que pessoas do grupo sanguíneo O podem diminuir os cuidados relativos ao o contágio da doença como distanciamento social, uso de máscaras, lavar as mãos, usar álcool em gel? De forma alguma, ainda não sabemos muita coisa sobre o vírus.
Quem tem grupo sanguíneo A, por outro lado, não deve entrar em pânico! O grupo sanguíneo faz parte de uma série de outras heranças genéticas que o ser humano recebe. Assim, não necessariamente o grupo sanguíneo, mas um grupo de genes, pode estar envolvido na gravidade da Covid-19.
Portanto, os cuidados devem continuar para toda a população, independente do grupo sanguíneo. A Covid-19 já tirou mais de 113 mil vidas somente no Brasil, com cerca de 3,5 milhões de infectados. Em todo mundo foram, até agora, quase 800 mil mortes e mais de 22,6 milhões de infectados. Dados alarmantes, que nos dizem que todas as medidas de segurança devem ser mantidas, enquanto todos não estiverem devidamente imunizados por uma vacina segura e eficiente.
*André Henrique Crepaldi – Oncologista e Hematologista da OncoLog
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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude
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A seca é um teste de gestão

Por Aluísio Metelo Junior*
A seca é um evento previsível e recorrente em todas as regiões produtoras do país. Ainda assim, muitos produtores chegam ao período crítico sem aceiros revisados, divisas limpas, estradas internas operacionais, equipes treinadas ou um plano estruturado de prevenção. Embora seja frequentemente tratada apenas como um problema climático, a seca é, na prática, um teste de gestão. Existe uma máxima que deveria orientar toda propriedade rural: na seca não se planeja, na seca se executa. O planejamento precisa ocorrer meses antes, pois quando os primeiros incêndios surgem, já é tarde para definir estratégias.
A principal barreira contra o fogo não é o caminhão-pipa, mas a manutenção preventiva da fazenda. As Resoluções nº 02 e nº 03 do COMIF reforçam que a prevenção deve fazer parte da rotina de gestão antes do período crítico, e não ser uma resposta emergencial à crise. Entre as medidas mais importantes estão os aceiros, que não podem ser vistos como mera exigência burocrática. Eles constituem a principal barreira física contra a propagação do fogo e devem ser dimensionados de acordo com a vegetação e o relevo, permanecendo limpos, contínuos e estrategicamente posicionados em divisas, reservas, florestas plantadas, lavouras e áreas de infraestrutura. Aceiros mal conservados oferecem apenas uma falsa sensação de segurança.
A segunda linha de defesa é formada pelas pessoas. Equipamentos sem operadores capacitados pouco contribuem para o combate aos incêndios e podem até aumentar os riscos. Ainda é comum a crença de que possuir um caminhão-pipa ou reservatório de água seja suficiente, mas a eficiência da resposta depende do preparo da equipe. As resoluções do COMIF destacam a importância da capacitação operacional, especialmente porque os primeiros minutos de um incêndio costumam ser decisivos para o controle das chamas.
É importante compreender que o fogo destrói aquilo que a seca apenas castiga. Enquanto a estiagem reduz a produtividade, o incêndio pode eliminar completamente os recursos necessários para a recuperação da propriedade. Pastagens, cercas, máquinas, áreas de preservação, florestas plantadas e a própria fertilidade do solo podem ser severamente comprometidos. Em muitos casos, os prejuízos de um único incêndio superam amplamente o investimento necessário para implantar medidas preventivas.
Nesse cenário, o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF) assume papel central. O documento funciona como um verdadeiro plano de voo da propriedade durante a seca, identificando riscos, áreas sensíveis, rotas de acesso, pontos de abastecimento de água, estruturas de apoio e protocolos de atuação.
Por sua complexidade técnica e legal, o PPCIF não deve ser tratado como mera formalidade. Sua elaboração exige acompanhamento de profissional qualificado, capaz de adequar o plano à legislação vigente, dimensionar corretamente recursos e orientar ações preventivas. Mais do que um documento, o PPCIF é uma ferramenta de gestão de risco que protege o patrimônio, reduz a exposição a multas e fortalece a capacidade de resposta da propriedade.
Quando a umidade cai, os ventos aumentam e os primeiros focos aparecem, não há espaço para improviso. A seca apenas revela quais propriedades se prepararam adequadamente. Aceiros revisados, equipes treinadas, equipamentos inspecionados, estradas operacionais e um PPCIF atualizado são os elementos que definem se a propriedade estará protegida ou vulnerável diante do fogo.
Aluísio Metelo Junior é Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, engenheiro de incêndio e especialista com mais de 30 anos de experiência em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, ex-Presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais (CONAGIF/LIGABOM) e ex-membro do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), CEO da Ellos Soluções Contra Incêndios Florestais.
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