Mato Grosso
Custo de produção salta 84% em 3 anos e torna-se o maior desafio dos suinocultores de Mato Grosso
Estudo divulgado pelo Imea no 1º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, mostra que o milho é o maior responsável pelo aumento, com valorização de 70% na relação de troca do quilo do suíno com a saca de 60 kg do grão

O custo de produção tem tirado o sono dos criadores de suínos em Mato Grosso. O vilão desta vez é o milho, principal componente da alimentação dos suínos. De acordo com especialistas, o custo da produção da proteína mais consumida no mundo deve ser o maior desafio para suinocultores estaduais no próximo ano. O assunto, de suma importância para a viabilidade da atividade no Estado, foi debatido na manhã desta terça-feira (30.11), no 1º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
De acordo com estudo realizado em parceria entre o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Embrapa Aves e Suínos e a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o custo para produzir um quilo de suíno vivo em Mato Grosso subiu 84% entre 2018 e 2021. Para o diretor geral da Agroceres PIC e diretor presidente da Associação de Genéticas de Suínos (ABEGS), Alexandre Rosa, o cenário futuro é de melhora para o setor, mas é essencial que neste momento de elevado custo a gestão das granjas seja prioridade para os produtores.
“Nossa previsão é que devido à boa safra de milho deste ano o custo de produção para os próximos meses deve pesar um pouco menos no bolso dos produtores, e a demanda doméstica deve aquecer à medida que a pandemia for diminuindo. Isso dá sinais de um cenário mais favorável aos suinocultores. Mas, neste momento, em que o custo de produção preocupa os produtores, a melhor orientação é manter o foco na gestão de ganhos em eficiência dentro das granjas, minimizar custos e aumentar produtividade”, pontua.
Ainda de acordo com o Imea em outubro de 2018 eram necessários 7,13 kg de suíno para aquisição de uma saca de 60 kg de milho, enquanto que em outubro de 2021 são necessários 12,3 kg de suíno para compra da mesma quantidade do cereal, uma alta superior a 70% em três anos. O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, que palestrou sobre o panorama da atual da suinocultura em Mato Grosso no Simpósio, apontou que o aumento no custo de produção desestimula a produção no Estado, o que pode impactar no desempenho da proteína no mercado nacional e nas exportações.
“Temos alguns pontos que podem auxiliar o segmento neste momento, como a criação de novos mecanismos que possam aliviar o custo dos produtores com a ração, possibilitando a compra do milho a preços menores. Além disso, existe a necessidade de abrir mais rotas comerciais, pois apesar de sermos o 4º maior exportador de carne suína do Brasil, Mato Grosso possui 40 parceiros comerciais a menos que o Paraná, que é o 3º maior exportador do país, por exemplo”, explica.
Para o presidente da Acrismat, Itamar Canossa, as palestras sobre o panorama da suinocultura servem para nortear os produtores e municiá-los de informações para que possam tomar as melhores decisões para seu negócio. “Recebemos muita informação sobre o atual cenário da suinocultura no Brasil e no mundo, principalmente com informações dos grandes players neste segmento, como a China e os Estados Unidos, além de projeções para o curto e médio prazos da atividade aqui no Mato Grosso e no país”, diz ao acrescentar que o Simpósio estimulou o debate sobre as alternativas possíveis para manter o setor competitivo no mercado nacional, especialmente neste momento de alto custo de produção.
Raio-X da Suinocultura
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, a suinocultura mato-grossense produziu mais de 315 mil toneladas de carne suína e possui um rebanho de aproximadamente 2,6 milhões de cabeças. Ainda de acordo com o Instituto, apenas 20,8% da produção são destinados para o consumo doméstico (dentro do Estado), enquanto 66,2% são destinados para o mercado interestadual e apenas 13% são exportados.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), entre janeiro e até o início de outubro deste ano, Mato Grosso exportou carne suína para 23 países, enquanto o Rio Grande do Sul, 2º maior produtor do país, embarcou a proteína para 72 países no mesmo período.
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Mato Grosso
MPMT investiga contratações temporárias na Educação
A 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá instaurou três inquéritos civis para apurar as condições de contratação de profissionais da educação nas redes estadual de Mato Grosso e municipais de Cuiabá e Acorizal. O objetivo é verificar a realização de concursos públicos ou processos seletivos, bem como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), política criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026 para aprimorar a seleção de professores da educação básica no país.
Conforme o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a iniciativa busca levantar informações para avaliar a possível dependência de contratações temporárias, a eventual ausência de concursos públicos regulares, a adesão à política nacional de seleção de docentes (PND) e a existência de planejamento estruturado para a valorização da carreira.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o envio de ofícios à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e às secretarias municipais de Educação de Cuiabá e de Acorizal, requisitando informações como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), ou, em caso negativo, as justificativas e a previsão de adesão; a data de realização do último concurso público ou processo seletivo; e a existência de previsão para novas seleções, com a apresentação de cronograma.
As instituições também deverão encaminhar relação atualizada dos profissionais da educação, com detalhamento por função, local de lotação e tipo de vínculo (efetivo ou temporário). O MPMT requisitou ainda informações sobre o planejamento de políticas de valorização da categoria, incluindo estruturação de carreiras, recomposição do quadro efetivo e adoção de processos seletivos mais técnicos, transparentes e impessoais.
O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior considerou que que dados do Censo Escolar indicam que, nos últimos anos, tem havido aumento no número de professores temporários no país, em desacordo com a previsão constitucional e legal. Em algumas redes estaduais, mais de 70% do corpo docente possui vínculo precário.
Considerou também levantamento baseado em painel de Business Intelligence (BI) do MEC aponta que Cuiabá está classificada como Prioridade 3, com 5,5% de inadequação docente, 83% de profissionais concursados e último concurso realizado entre seis e oito anos. Já o município de Acorizal também figura na Prioridade 3, com 53,5% de inadequação docente, 64% de profissionais concursados e ausência de informações sobre o último concurso público na área da educação, bem como sobre a existência de Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) para a categoria.
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