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Mato Grosso

Gefron completa 20 anos no combate aos crimes em região de fronteira em Mato Grosso

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“No início, muitas pessoas duvidaram do projeto, que era uma coisa inimaginária e que não daria certo para aquela época”. A fala é do coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso, Leovaldo Emanoel Sales da Silva, criador do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), que completa neste domingo (13.03) duas décadas no Estado.

As ações tiveram origem a partir da publicação do Decreto Estadual nº 3.994/2002, com objetivo de apoiar às forças de segurança federais, estaduais e municipais no combate aos crimes de tráfico de drogas, contrabando e descaminho de bens e valores, roubo e furto de veículos, invasões de propriedades, entre outras práticas ilegais.

Sales conta que Mato Grosso possui 28 municípios na faixa de fronteira e 11 municípios na linha de fronteira em uma extensão de 980 km, sendo 750 km de limite seco e 230 km de limite aquático, e que para a realidade da época, apesar já dos altos índices de criminalidade, a ideia era “quase impossível”.

O militar conta que foi comunicado pelo então secretário de Estado de Segurança Pública, Benedito Xavier de Souza Corbelino, a apresentar um projeto à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para arrecadar recursos com objetivo de intensificar a segurança na fronteira. O enfrentamento era feito apenas pelo 6º Batalhão da Polícia Militar de Cáceres (220 km de Cuiabá), com pouco efetivo.

Segundo Sales, o órgão tinha um orçamento de R$ 19 milhões para investir nos estados que fazem fronteira com países vizinhos. Ele relembra que preparou o projeto sobre a criação do Gefron em apenas oito folhas e que tinha 45 minutos para apresentar a ideia.

“Nessa época, a realidade em Mato Grosso era de extrema violência na região de fronteira, de saques em fazendas, roubos em propriedades de gado, intenso tráfico de drogas para apenas um corpo policial comprometido. Mas, poucos dias depois, recebemos um fax dizendo que receberíamos R$ 4,5 milhões para criação de algo inédito no estado, sendo necessário 10% do investimento por parte do Estado”, conta.

Sales lembra que o projeto consistia na construção de postos novos, treinamento de pessoal, aquisição de armamentos, viaturas, “sendo um tiro no escuro” de uma coisa revolucionária. A base operacional do grupamento fica no município Porto Esperidião.

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Outros pontos de fiscalização foram distribuídos na região do Matão (no município de Pontes e Lacerda), Vila Cardoso, Avião Caído (em Cáceres), Canil Integrado (Cáceres), além da sede administrativa, que fica na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), em Cuiabá.

“Ninguém acreditava. Todo mundo pensou que eu estava ‘louco’, disseram que eu estava deslumbrando algo fora da realidade. Nós construímos essas bases e adquirimos na época 34 caminhonetes, 12 motocicletas, armamento para cada policial como pistolas, fuzis automáticos e Mato Grosso passou a ser o 4º estado da federação a operar com fuzil chamado Sniper. O efetivo era de 105 policiais, sendo 80 PM e 25 PJC”, afirma.

Com o investimento para criação do grupo, a região de fronteira que antes era tomada pela criminalidade, passou a ganhar um novo valor agregado com o reforço policial logo no início da implantação.

Desde o início, para fazer um bom enfrentamento ao crime organizado em região fronteiriça, o Gefron investe na capacitação dos militares. “Tivemos muitas preparações físicas, psicológicas, cursos de língua espanhola, de relações internacionais, ordenamento jurídico dos países, tivemos que aprender para ter uma boa relação com o país vizinho. Foi uma preparação criteriosa para ter um policial formado, dando a garantia que estava pronto para executar um serviço de qualidade”.

“Isso foi o suficiente para trazer uma recuperação absolutamente nova para região em termos econômicos, sociais, na redução da criminalidade na fronteira, a recuperação econômica foi tamanha que as pessoas passaram a não vender mais as suas propriedades e retornaram para produzir novamente. Nós fizemos história, que sem dúvida nenhuma, o Gefron foi uma aventura muito séria”, reforça.

A experiência de um comandante-geral

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Jonildo José de Assis, integrou o Gefron em duas ocasiões, sendo a primeira delas como Oficial de Operações em 2007 até 2010. Ele relembra algumas dificuldades na época, como baixo número efetivo de militares, de viaturas e armamento para o combate. No entanto, enfatiza que apesar de tudo, o patrulhamento na fronteira era realizado de forma constante no combate ao crime organizado.

“Era totalmente diferente da estrutura que o grupo contém hoje, era um pouco mais empírico, que estava meio que na fase de experimentação, estava se maturando como uma unidade especializada de policiamento de fronteira. Tínhamos apenas quatro viaturas para serviço operacional, não tínhamos o serviço de inteligência, mas ainda assim fazíamos um bom desempenho das ações contra os crimes na região”, conta.

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Assis retornou ao Gefron em 2015, como então coordenador. Ele ficou à frente do grupo até o ano de 2017. Neste período, a realidade já era outra a nível de estrutura. “No último ano era totalmente diferente. O grupo já tinha uma outra estrutura, um alicerce bem fundamentado, na questão doutrinária do policiamento de fronteira”.

O comandante destacou a criação do Curso de Policiamento de Fronteira (CPFron) que capacita militares de diversos estados do país com instrução teórica e prática sobre direção policial, policiamento fluvial, sobrevivência policial, natação utilitária, patrulhamento rural, tiro policial, rastreamento humano, salvamento aquático, dentre outros módulos, consagrando o Gefron como uma ‘Unidade Escola’ no país. 

“Essa instrução dá capacidade operacional para o policial de fronteira atuar com segurança na mata. Nesses períodos, pudemos trocar experiências profissionais e também aprimorar técnicas e táticas no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas. Infelizmente, os criminosos também aperfeiçoam suas formas de burlar a fiscalização policial na fronteira”.

“O Gefron é um dos projetos prioritários e mais difíceis da segurança pública, em razão da característica da região onde o grupamento atua, que é a fronteira. É incrível poder olhar para trás e ver o quanto o Gefron mudou, se estabilizou, cresceu e ganhou o destaque que possuí hoje. Sem dúvida, foi uma experiência fantástica na minha vida, muito rica e de muito aprendizado”, enfatiza.

Investimentos

O coordenador do Gefron, tenente-coronel PM Fábio Ricas, destacou que nos últimos quatro anos foram mensurados aproximadamente R$ 800 milhões em prejuízos às organizações criminosas, quase 40 toneladas de entorpecentes apreendidos e 1.198 veículos apreendidos na faixa de fronteira.

“Esses são um dos nossos principais indicadores de enfrentamento ao crime organizado na região de fronteira de Mato Grosso. Os 20 anos da unidade vem coroado com esses excelentes resultados de produtividade. Eu digo que a minha missão é dar continuidade na evolução da unidade e com a gestão do nosso trabalho tivemos excelentes resultados nos indicadores de produtividade”, aponta.

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Entre os principais investimentos que estão sendo feitos para o aprimoramento do combate à violência na região de fronteira é a modernização da rede de rádio na ordem de R$ 13 milhões.

Segundo Fábio, outros recursos estão sendo investidos na aquisição de fardamento com nova tecnologia no valor de R$ 2 milhões e mais R$ 1 milhão para compra de fuzis. Ainda de acordo com coordenador, o grupo está fazendo a reforma de todos os postos policiais que somam hoje R$ 4 milhões.

O Gefron investiu ainda na construção do Posto Limão, em Cáceres. A obra, de 355,95 m², custou cerca de R$ 820 mil e contempla uma melhor estrutura para o atendimento ao público e também aos profissionais, com espaço de alojamentos masculino e feminino, sala de exame, cozinha, banheiros, dentre outros cômodos, a nova sede contará também com posto de fiscalização com atendimento 24 horas.

“Temos um projeto de ampliação da base operacional em Porto Esperidião, bem como está sendo feita aquisição de 160 pistolas, que vai substituir todo o arsenal da unidade e ainda estamos ampliando os pontos de monitoramento por câmeras OCR com investimento de mais de R$ 1 milhão. Esses recursos são oriundos do Governo de Mato Grosso e do Ministério da Justiça”.

Ainda neste mês, em comemoração aos 20 anos, o tenente-coronel afirmou que o grupo realizará no próximo dia 19, em Cáceres, o famoso torneio de tiro que reunirá diversos servidores que atuam não apenas no policiamento de fronteira, mas também que faz parte das forças de segurança estadual. Além disso, está previsto para os próximos dias uma cerimônia para imposição da Medalha Mérito Policial de Fronteira. 

“Importante destacar que ao longo desses 20 anos, o Gefron conseguiu reunir uma tropa de policiais extremamente dedicados, capacitados e comprometidos no enfrentamento ao crime e garantia da segurança das pessoas na faixa de fronteira. Não adianta apenas investimento e tecnologia se não houver militares focados, preparados e capacitados para atuação da força militar. São quesitos fundamentais para um bom enfrentamento aos crimes transfronteiriços”.

Fonte: GOV MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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