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Mato Grosso

Audiência de Custódia: ciclo de diálogos discute avanços e desafios nos 7 anos da implantação

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Superlotação dos presídios, alto número de presos provisórios, elevada taxa de reincidência criminal e desrespeito a determinações de Tratados Internacionais de Direitos Humanos, dos quais o Brasil é signatário, são alguns dos problemas citados pelas autoridades que atuam no Sistema de Justiça que precisam ser combatidos. Em Mato Grosso, uma das medidas adotadas para mudar este cenário foi a implantação, em julho de 2015, das audiências de custódia.
 
Para marcar a data, o Poder Judiciário, por meio do Grupo de Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), realiza o I Ciclo de Diálogo sobre audiências de custódia – 7 anos em Mato Grosso. A abertura do ciclo ocorreu na manhã desta segunda-feira (15), no Auditório Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça. “Mato Grosso foi o segundo Estado a implantar a Audiência de Custodia, já são sete anos de implantação desse instrumento, mas sempre precisamos pensar em avanços. A Justiça brasileira prende muito e prende mal e isso tem nefastas influencias na vida e no destino dos réus”, avaliou o Supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri.
 
Perri afirmou que uma das maiores causas de encarceramento é a reincidência. “A maioria dos nossos presos está presa por conta da reincidência, muitas vezes por um crime pequeno banal, um crime de furto, receptação. A reincidência mostra que o Estado está falhando na ressocialização”, criticou. “A pessoa que cumpre sua pena e depois volta a delinquir mostra uma ineficiência do Estado na ressocialização, que é o principal objetivo da pena. O GMF está trabalhando fortemente para diminuir a reincidência e só podemos fazer isso com capacitação, profissionalização e oferecendo dignidade aos nossos reeducandos”, cita.
 
O desembargador afirma que a audiência de custódia é um instrumento importante que foi implantado por Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e depois, com o pacote Anticrime (Lei Nº. 13.964/2019), tornou-se medida obrigatória. “Vejo como valiosíssimo instrumento das liberdades individuais do cidadão brasileiro. É preciso que o juiz leve a sério a máxima de que a prisão deve ser a última das últimas medidas a se adotar no processo”, defendeu.
 
O magistrado citou que a estrutura da Comarca de Cuiabá é exemplo par ao país. “A pessoa que entra numa audiência de custódia aqui em Cuiabá passa por um médico legista, enfermeira, assistente social, psicólogo. Precisamos expandir esse tipo de instrumento para todos os juízes do Estado de Mato Grosso, tanto quanto possível, temos que ir avançando”, argumentou.
 
Público-alvo – Direcionado aos profissionais que atuam na área de execução penal (equipe técnica, policiais penais e servidores do Judiciário), Policia Militar, Politec, Polícia Civil, o Ciclo continuará com encontros virtuais (às segundas-feiras) até 19 de setembro. Ao todo seis temas que fazem parte da coleção “Fortalecimento das Audiências de Custódia” do CNJ serão abordados: audiências de custódia; monitoração eletrônica; uso de algemas; tortura; tomada de decisões; proteção social.
 
O secretário-adjunto de Administração Penitenciária (SAAP), Jean Carlos Gonçalves, destacou que o advento da audiência de custódia serviu como controle da “porta de entrada” no âmbito do sistema penitenciário. “Conheço bem a realidade do nosso Estado, temos dimensões continentais e precisamos de aparelhamento para que a audiência de custódia possa funcionar na sua totalidade”, apontou.
 
O secretário-adjunto informou que Mato Grosso registrou um decréscimo na população carcerária. “Em 2012 tínhamos entre 11.500 a 12.500 pessoas presas no Sistema Penitenciário do Mato Grosso. Hoje esse número está entre 1.100 a 1.200 pessoas, mas o grande desafio do Sistema Penitenciário brasileiro, não só de Mato Grosso, é o elevado número de presos provisórios. Estudos mostram que quase 80% das pessoas encarceradas provisoriamente, quando sentenciadas são condenadas a um regime diferente do que o fechado ou pior, o tempo que ele ficou preso esperando julgamento já é superior a pena recebida.”
 
Jean Carlos destaca que há regiões no Estado com média de 70% de presos provisórios. “Em uma regional, o número de presos provisórios chegou a 82% nas cadeias. Se resolvermos este problema acabamos com a superlotação, que impede o desenvolvimento de políticas públicas e de assistência. Impede com que os gestores cumpram o que a legislação prevê”.
 
Moção de Agradecimento – Durante a abertura do evento, o GMF entregou à desembargadora Maria Erotides Kneip uma Moção de Agradecimento em reconhecimento aos serviços prestados ao Estado de Mato Grosso desde a implantação da audiência de custódia no ano de 2015, quando era corregedora-geral da Justiça do TJMT, com base na adesão pelo governo do Estado e pelo Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso ao Termo de Cooperação Técnica n 007/2015, firmado entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério da Justiça e o Instituto de Defesa do Direito de Defesa.
 
“Mato Grosso foi o segundo Estado brasileiro que buscou junto ao coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF/CNJ), Luís Geraldo Lanfredi e ao ministro Ricardo Lewandowski, a implantação da audiência de custódia. E neste espaço foi realizada a primeira audiência de custódia de Mato Grosso, no dia 24 de julho de 2015, seis meses antes da Resolução CNJ, que implantou o instrumento. Quem presidiu essa audiência , junto com o ministro Lewandowski, foi o juiz Marcos Faleiros. O réu tinha sido preso por dirigir embriagado e após passar por audiência ele respondeu o processo em liberdade e já saiu daqui empregado. São coisas que mostram a imprescindibilidade da audiência de custodia”, lembrou a desembargadora, que fez um relato da implantação do instrumento no Estado.
 
Capacitação – O Ciclo atende as ações pactuadas entre o TJMT e o Programa Fazendo Justiça do CNJ, por meio do Termo de Cooperação Técnica nº11/2020 – SEI N. 02842/2019, no que tange à ação das audiências de custódia. A aula inaugural foi ministrada pela coordenadora das audiências de custódia de Mato Grosso, Caroline Pitanga. “O programa Fazendo Justiça presta apoio às audiências de custódia dentro do bojo das ações que foi pactuada com o Poder Judiciário. Então a ideia é trazer mais dignidade para o sistema penitenciário, desde a porta entrada, que é a audiência de custódia até a porta de saída, por isso o programa tem uma série de ações pactuadas e dentro dessas ações, uma série de capacitações e nesse sentido o programa presta apoio ao GMF para realização deste evento”.
 
O programa atua para a superação de desafios estruturais do sistema penal e do sistema socioeducativo, a partir do reconhecimento do estado de coisas inconstitucional nas prisões brasileiras pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Fazendo Justiça compreende um plano nacional com 28 ações para as diferentes fases do ciclo penal e do ciclo socioeducativo, adaptado à realidade de cada unidade da federação com o protagonismo dos atores locais. As ações reúnem as melhores práticas de diferentes gestões do CNJ e se desdobram em apoio técnico, doação de insumos e articulação institucional.
 
O I Ciclo de Diálogos sobre as Audiências de Custódia: 7 Anos em Mato Grosso é realizado em parceria com a Coordenadoria de Ensino Penitenciário (ACADEPOLP/MT), com apoios da Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso; Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (ESMAGIS); Programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
 
O coordenador de Ensino e Aperfeiçoamento do Servidor Penitenciário, policial penal Jonathan Francisco Pereira, também participou da atividade, assim como a promotora de Justiça, Josane Fátima de Carvalho Guariente; defensor público José Carlos Evangelista Miranda Santos; médico legista na Perícia Oficial e Identificação (Politec), Eduardo Andraus Filho; diretora executiva do Escritório Social, Beatriz Fátima Dziobat, presidente da Funac, Winkler de Freitas Teles; diretor da Escola Superior da Defensoria Pública, defensor público Fernando Soubhia; delegado Carlos Francisco de Moraes, superintendente de políticas penitenciárias da Secretaria de Administração Penitenciária (Saap), Fabiana Thiel, gerente de Custodia da SAAP-MT, Wagner Safe, delegado Juliano Silva de Carvalho.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens: Foto1: Horizontal e colorida do dispositivo de autoridades na abertura do evento. Foto 2: Horizontal e colorida do desembargador Orlando Perri entregando a Moção de Aplausos à desembargadora Maria Erotides.
 
No link abaixo você lê outras matérias sobre o tema Audiências de Custódia.
 
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso

Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

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Empresários e equipes do comércio poderão participar de palestras práticas voltadas à experiência do cliente e estratégias de conversão
O Circuito do Varejo segue ampliando sua agenda de capacitações em Mato Grosso e desembarca, no mês de junho, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa. A iniciativa reúne empresários, gestores e equipes do comércio para uma programação voltada à melhoria do atendimento e ao fortalecimento das vendas presenciais e digitais.
Realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT), o projeto percorre diferentes regiões do estado levando conteúdos estratégicos sobre comportamento do consumidor, experiência de compra e relacionamento com clientes.
A primeira parada será em Lucas do Rio Verde, no dia 3 de junho. Depois, o circuito segue para Alta Floresta, em 9 de junho, Colíder, no dia 11, e encerra a programação do mês em Água Boa, no dia 23. Em todas as cidades, a recepção ao público começa às 18h.
A partir das 19h30, o especialista em experiência do cliente Manoel Carlos Junior ministra a palestra “Atendimento que vende: como encantar o cliente dentro da loja”. O conteúdo apresenta estratégias para transformar o atendimento em diferencial competitivo, criando conexões com o consumidor e aumentando as oportunidades de fidelização e vendas.
Manoel Carlos Junior é curador e especialista em Customer Experience, além de autor dos livros “Experiencialize: os sete passos para transformar produtos e serviços em experiências” e “Experiencializando o Mundo: 40 histórias reais baseadas no método experiencialize”.
Na sequência, às 20h15, a empresária e business coach Uliana Ferreira conduz a palestra “Do direct ao Whatsapp: como atender e vender nos canais digitais”. A apresentação aborda técnicas para estruturar o atendimento online, fortalecer a comunicação digital e converter interações em vendas por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens.
Uliana Ferreira é CEO do Grupo Dona, fundador do Instituto A Dona do Negócio e autora do livro best-seller “A Dona do Negócio”. A especialista atua com consultoria e aceleração de resultados para empresas e projetos de empreendedorismo feminino.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas pela internet, na plataforma Sympla. Para participar, os interessados devem doar 5 quilos de alimentos não perecíveis no dia do evento. As arrecadações serão destinadas ao programa Sesc Mesa Brasil.
Serviço:
 
Evento Circuito do Varejo 2026
 
Inscrições: Ingresso solidário de 5 kg de alimentos não perecíveis
Lucas do Rio Verde
Data: 3 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Sebrae em Lucas do Rio Verde, Avenida Pará, 484-s –
Alvorada, Lucas do Rio Verde
Inscrições:  via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-lucas-do-rioverde/3412816)
Alta Floresta
Data: 9 de junho, a partir das 18h
Local: Teatro Agostinho Bizinotto – Centro Cultural, Travessa C-A, Alta Floresta
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-altafloresta/3405873)
Colíder
Data: 11 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Amazonia ACIC – R. Luiz Aldori Neves Fernandes, 745 – Centro, Colíder
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicaocolIder/3405768)
Água Boa
Data: 23 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório da Associação Comercial de Água Boa (Aceab) – R. Nove, 338 – Centro, Água Boa
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-aguaboa/3405939)
O Sistema S do Comércio é presidido pelo empresário José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
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Mato Grosso

Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

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Foto- Assessoria

Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.

Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.

As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.

Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.

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Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.

Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.

Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.

Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.

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A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.

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Mato Grosso

Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres

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A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.

A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.

Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.

De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.

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As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.

“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.

Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.

Foto: Reprodução. 

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