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Mato Grosso

Governo de Mato Grosso investe R$ 142 milhões na cultura e no esporte em quatro anos de gestão

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Nos últimos quatro anos (2019 a 2022), o Governo de Mato Grosso investiu mais de R$ 142,025 milhões na Cultura e no Esporte, entre editais e gestão de espaços públicos.

Nesse período foram lançados 20 editais de fomento à cultura e ao esporte, que contemplaram todas as regiões de Mato Grosso, resultado de concorrências públicas descentralizadas e com formatos mais democráticos.

À frente da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) desde abril deste ano, Jefferson Neves destaca os resultados alcançados até aqui.

“A Secel/MT segue dedicada à construção de políticas públicas inovadoras, assertivas e de inclusão nunca vista no estado. Todas essas conquistas são méritos de uma equipe alinhada, aguerrida e consciente. Digo consciente, porque todos os setores da secretaria entendem bem a necessidade de fazer reparos históricos. Todos estão empenhados em questões como criação de formatos de editais mais democráticos, inclusivos e abrangentes, evidenciando a participação de mais grupos, como quilombolas, portadores de necessidades especiais e comunidade LGBTQIA+. Estamos atentos às questões geográficas ou regionais”.

Confira as principais ações e editais lançados até o momento.

MT salta de 15° para 5° lugar no Sistema Nacional de Cultura

O esporte e a cultura festejaram a aplicação de R$ 90 milhões nos últimos quatro anos. O investimento garantiu ao Estado o 5º lugar no ranking do Sistema Nacional de Cultura – um avanço de dez posições. O resultado foi uma mudança significativa nas políticas públicas, garantindo uma participação mais homogênea de 102 municípios.

MT Afluentes

Com recursos na ordem de R$ 12 milhões, o Governo de Mato Grosso lançou o MT Afluentes, edital da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer dedicado à produção cultural e de eventos natalinos nos municípios do estado. 

O Edital MT Afluentes surgiu com o intuito de incentivar os municípios a se organizarem com o CPF da Cultura (Conselho, Plano e Fundo de Cultura). Vale ressaltar que os recursos foram destinados diretamente às prefeituras municipais contempladas e, assim, distribuídos à cadeia produtiva local de acordo com cada proposta apresentada.

MT Preservar

A preservação do patrimônio histórico e cultural ganhou uma importante fonte de financiamento no estado. O Governo de Mato Grosso, por meio da Secel-MT, lançou o edital MT Preservar, que está financiando a recuperação e requalificação de bens imóveis tombados, públicos e privados. 

O investimento total é de R$ 3,7 milhões para atendimento de propostas que variam de R$ 50 mil a R$ 300 mil, distribuídas em três lotes de acordo com o tipo de proponente. A seleção pública contempla 24 imóveis pertencentes a pessoas físicas, organizações sociais e prefeituras em todo o Estado. 

MT Movimentar

Os editais Movimentar auxiliaram financeiramente os setores de cultura, esporte e lazer durante a pandemia. Foram investidos R$ 3 milhões para contratação de atividades online desenvolvidas pelos profissionais das áreas, em Mato Grosso.

Na área cultural, foram selecionados 500 projetos com valor único de R$ 5 mil, totalizando R$ 2,5 milhões. Para atividades desportivas, foram R$ 437,5 mil no total, contemplando 125 atividades esportivas, paradesportivas e de lazer, no valor médio de R$ 3,5 mil cada.

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Economia Criativa

A Economia Criativa investiu um total de R$ 5,7 milhões em 84 projetos em Mato Grosso. Entre os editais estão Gaming Up (jogos eletrônicos), Starter (mundo das artes, negócios digitais e criações funcionais) e Cine Motion (curta-metragem, videoclipe, videodança e videoarte).

Além desses, o edital Move – MT aplicou R$ 257 mil para aceleração de 30 projetos e negócios criativos, de inovação e impacto sociocultural. Cada um recebeu 2.500 horas de formação e mentoria para criação de negócios rentáveis e sustentáveis.

Outra importante ação do setor de Economia Criativa é o Grande Hotel da Criatividade, em andamento, com recursos de R$ 4 milhões e previsão de entrega para 2023. Em reforma, o Grande Hotel, localizado na avenida Getúlio Vargas, atrás da Catedral de Cuiabá, patrimônio histórico e cultural de Mato Grosso, vai abrigar o Centro de Referência da Economia Criativa de Mato Grosso. O prédio está sendo restaurado com recursos do BNDES.

Viver Cultura

Com investimento de R$ 10 milhões, o edital Viver Cultura selecionou 261 propostas de variadas áreas artístico-culturais. Serão contemplados 112 projetos do mundo das artes, que incluem música, teatro, dança, circo, artes visuais e artesanato, 12 ações formativas e mais 26 propostas em circulação, exposições, mostras e festivais.

O Viver Cultura vai contemplar ainda 111 projetos de vivências e práticas culturais de povos e comunidades indígenas, ribeirinhas, negras e quilombolas, hip hop, capoeira, povos ciganos, LGBTQIA+, populações imigrantes e refugiados. Os resultados ainda não foram divulgados. 

Estevão de Mendonça de Incentivo à Literatura

Edital totalmente dedicado à literatura, investiu R$ 2,6 milhões em projetos de publicação, de fomento à leitura e de incentivo à escrita.

Com este edital, a Secel-MT contemplou 30 projetos, sendo 17 obras de literatura – poesia, prosa, juvenil, infantil e revelação – e 13 de fomento à leitura, nas categorias contador de história, mediador de leitura, formação de mediadores e oficina literária. 

Festival Cultura em Casa

O edital Cultura em Casa selecionou ações e projetos relevantes de profissionais da cultura mato-grossense prejudicados pela pandemia do coronavírus. A proposta foi promover uma programação cultural regional com apresentações artísticas, cinema, debates, oficinas e palestras, transmitidas pela internet. Investimentos de R$ 300 mil.

Os profissionais de 162 projetos receberam entre R$ 700 e R$ 2 mil, dependendo do trabalho executado e da quantidade de pessoas participantes da ação. Para além da região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, foram selecionados 45 projetos fortalecendo os laços de identidade regional e a econômica da cultura em Mato Grosso. 

De artes teatrais e circenses, literatura, tradições à música e dança, as produções do interior revelam a riqueza das manifestações culturais ao mesmo tempo em que conectam o povo mato-grossense aos artistas da região.

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Lei Aldir Blanc

Foram R$ 29,5 milhões aplicados em cinco editais para 570 projetos financiados: Renda emergencial mensal aos trabalhadores da cultura impedidos de trabalhar por conta das restrições da pandemia e passando por necessidades, além dos editais Conexão Cultura Jovem, MT Criativo, Circuito de Mostras e Festivais, MT Nascentes e MT Conexão Mestres da Cultura.

A Secel-MT conseguiu ainda pluralizar o atendimento ao setor cultural, em relação aos editais do passado. Foram destinados 60% dos recursos para os municípios do interior de Mato Grosso e 40% para os municípios da Baixada Cuiabana. Foi criada uma nota social para segmentos invisíveis da cultura, nunca antes valorizados por outros editais, em outras épocas.

Setores e agentes, que nunca tiveram acesso aos recursos públicos destinados à cultura, desta vez tiveram oportunidade. Exemplo para cidades com menos de 40 mil habitantes, portadores de necessidades especiais e uma nota social especifica para mulheres. Artistas, que antes não tinham acesso, disputam de igual para igual.

26° Salão Jovem Arte

Após um hiato de cinco anos, o Salão Jovem Arte, a maior vitrine das artes plásticas mato-grossenses está de volta. O Edital de Chamamento Público dispôs de R$ 350 mil para realização da 26ª edição do evento. 

O Salão foi realizado em três diferentes espaços cuiabanos: Galeria Lava Pés, Cine Teatro Cuiabá e Sesc Arsenal, sempre com entrada franca.

Pontos de Cultura

O objetivo foi premiar 30 instituições da sociedade civil sem fins lucrativos, com atuação comprovada há pelo menos três anos em atividades culturais, por meio de repasse de recursos financeiros da Política Nacional de Cultura Viva. A fim de fomentar o reconhecimento, articulação e fortalecimento da Rede Cultura Viva no Estado de Mato Grosso, tem o propósito de reconhecer ações de formação; assistência e intercâmbio; participação social e mobilização em rede; informação, promoção e comunicação. Foram investidos R$ 7 milhões.

Gestão de espaços públicos

O Governo de MT investiu R$ 55 milhões em gestão de espaços públicos. A Secel-MT priorizou os investimentos na gestão dos equipamentos culturais e esportivos localizados na capital mato-grossense, pois são espaços públicos que oferecem serviços e ações diretamente para a população.

Foram destinados aproximadamente R$ 36 milhões para a gestão e pleno funcionamento do Complexo Arena Pantanal (Arena Pantanal, Ginásio Aecim Tocantins, Palácio das Artes Marciais Lusso Sinohara, piscina olímpica e uma quadra para a prática de vôlei de praia e futevôlei).

Os outros R$ 19 milhões referem-se à manutenção das atividades do Cine Teatro Cuiabá, MT Escola de Teatro, Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, Museu de História Natural de Mato Grosso, Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, Residência dos Governadores, Galeria de Artes Lava Pés e Casa Cuiabana.

Projeto Olimpus

O Projeto Olimpus é um dos mais relevantes programas de apoio financeiro ao desenvolvimento do esporte em Mato Grosso. Neste projeto, estão incluídos os editais Bolsa Atleta, Bolsa Técnico e o Prêmio Medalha Olímpica MT. O investimento total do Governo de Mato Grosso soma R$ 7, 3 milhões.

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Bolsa Atleta (Projeto Olimpus)

Para atletas, o valor investido pelo Governo de Mato Grosso saltou de R$ 1,5 milhão em 2020 para R$ 5 milhões em 2022, enquanto o número de atletas beneficiados saltou de 151 para 371.

Bolsa Técnico (Projeto Olimpus)

O Projeto Olimpus foi ampliado mais uma vez. Lançado em 2020 pelo Governo de Mato Grosso, via Secel/MT, atualmente, além das bolsas para atletas de base e profissionais e para atletas paralímpicos em diversas categorias, o projeto garantiu o auxílio, por 12 meses, para treinadores em duas categorias: Bolsa Técnico Nacional e Bolsa Técnico Internacional.

O número de vagas para técnicos beneficiados saltou de 30 em 2021 para 95 em 2022, enquanto o valor investido aumentou de R$ 360 mil para R$ 1,5 milhão.

Prêmio Medalha Olímpica (Projeto Olimpus)

A ampliação do Olimpus reserva ainda uma sessão de premiações, com recompensas para atletas, paratletas, atletas-guias e técnicos que conseguirem convocação e/ou medalha nos Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos, realizados no Japão em 2021.

A premiação ficou assim organizada: Prêmio Atleta Olímpico (R$ 30 mil para o atleta convocado para Olimpíadas do Japão); Prêmio Técnico Olímpico (R$ 10 mil para o técnico convocado); Prêmio Medalha Olímpica (R$ 100 mil para cada um dos atletas de Mato Grosso que conquistassem pelo menos uma medalha olímpica, independente se de bronze, prata ou ouro); e Prêmio Técnico Medalha Olímpica (R$ 30 mil).

Ao final das olimpíadas de Tóquio 2021, 18 representantes de Mato Grosso – oito atletas e 10 técnicos – foram beneficiados pelo projeto, com um investimento total de R$ 320 mil,

Pontos de Esporte e Lazer 2020

Organizações que desenvolvem ações sociais de esporte e lazer receberam uma importante fonte de fomento, com o edital lançado pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secel/MT. Denominado Pontos de Esporte e Lazer, o edital inédito de chamada pública disponibilizou vagas para 25 organizações da sociedade civil, com prêmios de R$ 15 mil cada. Apenas uma não foi preenchida.

O edital investiu o total de R$ 360 mil que contou com recursos do Fundo de Desenvolvimento Desportivo do Estado de Mato Grosso (Funded). Cada organização da sociedade civil selecionada recebeu o prêmio em parcela única.

Pontos de Esporte e Lazer 2021

Em 2021 o número de vagas disponibilizadas aumentou para 40 instituições que desenvolvem projetos esportivos de interesse social. A seleção pública realizada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer contou com investimento de R$ 1,2 milhão para organizações sociais com prêmio de R$ 30 mil para cada uma.

Fonte: GOV MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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