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Mato Grosso

Jornada da Saúde: quinto painel discute inteligência artificial e saúde mental

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O primeiro painel desta sexta-feira (16 de junho) na VI Jornada da Saúde, realizada em Cuiabá (MT), teve como tema “Aspectos Destacados do Direito da Saúde”. Autoridades ligadas ao setor e da área do Direito debateram assuntos, divididos em três palestras, que permeiam a realidade da saúde pública e suplementar no país.
 
O encontro é realizado pelo Conselho Nacional de Saúde (CNJ), por meio do Comitê Organizador do Fórum Nacional para a Saúde (Fonajus), em parceria com o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Comitê Estadual de Saúde.
 
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) Guilherme Maluf presidiu o painel 5 e abriu os trabalhos deste segundo dia de evento. Para ele as palestras são importantíssimas pela relevância dos tópicos em pauta.
 
“Foi abordada a saúde mental, avanços tecnológicos e a escassez de orçamentos. Temas relevantes e que com frequência estão no Judiciário para soluções. A saúde não consegue se fazer na sua plenitude apenas com a gestão do Poder Executivo, então é necessário atores complementares como Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas para que, de mãos dadas, possam fortalecer o Sistema de saúde da população brasileira.”
 
O professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de São Paulo (FMUSP), Arthur Guerra falou sobre a saúde mental e a realidade da carreira dos juízes. Segundo números apresentados pelo médico, atualmente são cerca de 100 milhões de processos ativos no Judiciário brasileiro. Esse é um dos diversos aspectos que sobrecarregam a rotina dos magistrados.
 
“Saúde mental é qualidade de vida, sono regular, momentos para a família dentro de um contexto onde a pessoa possa viver bem, não viver onde haja prejuízo pra ela ou para quem esteja em torno dela.”
 
O palestrante apontou que todas as questões relacionadas à saúde mental foram potencializadas com a pandemia da Covid-19 e que as alterações se mantêm mesmo após a pandemia, como quadros de ansiedade, depressão e uso excessivo de álcool. Ele afirma que a prevenção é fundamental. “Todos temos responsabilidade sobre saúde mental especialmente com a pandemia. Prevenção é o principal. A melhor prevenção é o exemplo de cada um. O exemplo de vocês não é a melhor forma de ensinar algo para alguém. É a única”, disse ao mencionar que a postura de cada um vai auxiliar na identificação do quadro precocemente.
 
Presente como palestrante do mesmo painel, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Richard Pae Kim mencionou a Resolução N. 207 do CNJ, que institui Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário.
 
Em sua palestra, Richard Pae Kim, supervisor do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), falou sobre seus sonhos e esperanças na judicialização da saúde. Ele resolveu alterar o tema abordado, que inicialmente seria Gestão dos Dados nos Comitês Executivos Estaduais de Saúde.
 
Elencou mais de 10 sonhos, entre eles que a pessoa possa, em sua casa acessar serviços de saúde enquanto cidadão. Que possa marcar sua consulta, não perder a passagem de ônibus que gastou e ser efetivamente atendido, passar pela cirurgia e voltar pra casa com saúde restabelecida.
 
“Sonho do sistema multiportas com várias frentes, uma Defensoria com rede que dialogue com várias frentes. Defensoria que consiga índices de 70% de solução sem ter que promover ação judicial. Que tenhamos câmaras de mediação para resolver hipóteses em que muitas vezes é um problema de diálogo. Que os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania, os Cejuscs tenham sua especialização, que possam marcar audiência em prazo razoável de 48 horas e atender adequadamente a população para se chegar a um acordo”, continuou o conselheiro.
 
Outro sonho citado por Richard Pae Kim é que com ou sem Judiciário sejam criados o chamado sistemas de mecanismos de resolução de disputas on-line, como o consumidor.gov, antes de se procurar a Justiça. “Sonho que as procuradorias invistam no seu poder de fazer acordos judiciais; que o Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário tenha multiprofissionais, qualificados que sejam concursados, trabalhando em regime de cooperação e que sejam capacitados para essa função. Que tenha setor administrativo e que as pessoas possam dialogar com a administração pública e resolver demandas.”
 
O último palestrante foi o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, que apresentou a “Inovação e Saúde – vulnerabilidade da vida e a saúde como nova frente de desenvolvimento”.
 
“Como é importante que o tema da economia e saúde, da ciência, tecnologia e inovação façam parte essencial do cumprimento da Constituição, da saúde como um direito . Temos que ter conhecimento para viabilizar o projeto mais ambicioso de nosso país que é garantir acesso à saúde, equânime e integral. […] Temos que construir uma via harmônica e cooperativa que quem ganha é a população brasileira. A saúde não é ausência de doença, ela é uma qualidade de vida”, afirmou.
 
De acordo com o secretário, para que haja um sistema universal de saúde que de fato permita atingir os objetivos do acesso equânime não há nenhum sistema universal no mundo que não tenha uma política de corporação tecnológica baseada em evidências.
“Que tenhamos um sistema de tecnologia e inovação que permita sustentar esse sonho do acesso universal”, disse ao apresentar posteriormente, por meio de slides, a visão que o Ministério da Saúde tem de economia sobre como garantir o acesso universal e integral à saúde.
 
Para Gadelha, cuidar da saúde pode ser uma grande frente de desenvolvimento no Brasil. “A saúde é uma verdadeira fonte de desenvolvimento no nosso país e a gente tem que conscientizar a sociedade brasileira que a nossa entrada no século XXI depende da gente ter base econômica, base tecnológica e base científica para cuidar da vida. Isto gera emprego, renda e desenvolvimento. […] Não se faz saúde sem inteligência artificial. O que a gente está tratando aqui é um projeto nacional de desenvolvimento.”
 
Presente no evento, a deputada estadual Janaina Riva Fagundes, primeira vice-presidente da ALMT ressaltou a importância da Jornada da Saúde e o que significa um evento como este ser realizado.
 
“Falo especialmente como política. A gente poder acompanhar e entender um pouco como funciona a judicialização da saúde, as obrigações que são impostas aos gestores, aos poderes executivos e o quanto isso auxilia ao mesmo tempo quem mais precisa. Porque a gente, enquanto deputados estaduais, o principal é atender a população. Sabemos que em casos onde existe dificuldade, o Poder Judiciário tem sido a solução, que é a que salvar vidas, que dá garantias que estão na Constituição Federal ao cidadão e são muito relevantes para o processo da saúde pública. São tantos os problemas de saúde, tão amplos, subjetivos e individuais para cada um que nessas dúvidas é onde o Poder Judiciário se faz presente buscando não só resolver, mas amparar na totalidade aquele cidadão.”
 
Várias autoridades marcaram presença no segundo e último dia do evento, entre elas a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Clarice Claudino da Silva, a presidente do Comitê Estadual de Saúde do Poder Judiciário de Mato Grosso e diretora da Escola Superior da Magistratura do Estado (Esmagis-MT), desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, a vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, demais desembargadores e desembargadoras, juízes e juízas, acadêmicos, médicos de vários estados.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Foto1: Imagem colorida da mesa de debate com cinco homens sentados. Ao centro está o conselheiro Guilherme Maluf que fala ao microfone. Foto 2: Arthur Guerra segura microfone com mão esquerda. Ele usa óculos de armação escura. Está com blaser preto, camisa branca e gravata azul. Foto 3: Ricard Pae Kim sentado à mesa. Ele usa terno preto, gravata cor vinho e camisa branca. Foto 4: Carlos Gadelha segura o microfone com as duas mãos durante palestra. Ele usa óculos de grau terno escuro e camisa branca.
 
 
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Dani Cunha/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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