Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Mato Grosso

“Hoje temos Forças de Segurança motivadas e isso já está refletindo na melhor prestação de serviços ao cidadão”, destaca secretário

Publicado

Mato Grosso vive um novo momento na Segurança Pública, desde o início da gestão do governador Mauro Mendes, com investimentos expressivos que resultaram em recordes de apreensão de drogas, fortalecimento do combate à criminalidade e valorização profissional. A afirmação é do secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), coronel César Augusto Roveri.

De acordo com o secretário, além da entrega de novas unidades prisionais, batalhões, companhias e delegacias, a Sesp tem atuado pela valorização do servidor público, por meio de ações como o auxílio fardamento e a entrega de pistolas da marca austríaca Glock, consideradas uma das melhores do mundo.

“Com as novas pistolas, temos uma polícia melhor equipada e um policial mais motivado. Hoje, cada policial tem o seu instrumento de trabalho de forma individual, em que ele pode dar manutenção e aumentar o tempo de vida útil do equipamento. Isso é um grande diferencial para a segurança pública. Temos forças de segurança motivadas e, com certeza, isso já está vai refletindo em uma melhor prestação de serviço em cada instituição para o cidadão”, afirma o secretário.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

1) Secretário, o Governo de Mato Grosso está investindo em tecnologia para garantir ainda mais eficiência em diversas áreas, dentre elas a segurança pública, e o programa Vigia Mais MT, em parceria com as prefeituras, é um exemplo disso. Quantos municípios firmaram a parceria e já estão instalando as câmeras?

Temos 108 municípios que fizeram a adesão ao programa e, até o momento, 73 municípios fizeram a retirada das câmeras na Secretaria de Segurança Pública. Esses municípios têm um prazo de instalação, que é de três meses, prorrogável por mais três meses, devido a logística e todo o aparato de instalação que eles têm que fazer, de rede lógica, parte elétrica e física. Isso leva um tempo, mas já temos um número expressivo de prefeituras que fizeram a adesão.

2) O governador Mauro Mendes fala que o programa Vigia Mais MT vai transformar Mato Grosso em um Big Brother, com câmeras monitorando todas as regiões do Estado. Qual o impacto do programa na segurança pública do Estado? Os resultados já podem ser sentidos pela população?

Realmente, teremos mais de 15 mil câmeras de segurança instaladas em todo o Estado de Mato Grosso, assim que tivermos a efetividade 100% do programa. O Vigia Mais MT é um programa que foi idealizado pelo governador Mauro Mendes, pensado por ele, e determinado a nós que fizéssemos todo o planejamento e execução, usando tecnologia e inteligência artificial, e com certeza esse programa tem um impacto muito positivo na segurança pública.

Veja Mais:  Polícia Civil cumpre 4 mandados contra traficante em São José do Rio Claro

Já temos, sim, resultados positivos. Na cidade de Sorriso, por exemplo, tivemos uma tentativa de homicídio e a câmera do programa Vigia Mais MT instalada levou, em questão de menos de uma hora, à prisão de dois criminosos que passaram de moto e que fizeram disparos com arma de fogo, e a apreensão da arma de fogo, levando esses criminosos a responderem pelo seu crime perante a justiça.

3) O Governo realizou, em 2022, o concurso público para a Segurança e muitos aprovados já foram convocados. Como fica o quadro de servidores das forças de segurança com esse reforço, tendo em vista que o último concurso tinha sido realizado há 10 anos?

Nós realmente ficamos uma década sem concurso público na Segurança Pública, e o governador Mauro Mendes, sensível a essa situação e muito preocupado com a segurança pública do Estado, determinou esse concurso público ainda na sua gestão passada, e agora em 2023 nos autorizou a fazer esse chamamento.

Então, esse impacto em toda a sociedade é muito importante, porque teremos um reforço da Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros Militar, em que as nossas forças de segurança estarão completando seu efetivo, o seu quadro de material humano e principalmente no interior do Estado.
É a primeira vez na história recente, que nós temos conhecimento, que o governo determinou que o interior do Estado seja reforçado e atendido para que não tenhamos cidades com efetivo baixo. Isso é muito importante porque, assim, teremos cidades com maior efetivo de policiais militares e civis, e bombeiros para prestarem o melhor serviço para a sociedade.

4) Secretário, o governador determinou tolerância zero para crimes de invasão de terra, ocorrências que víamos com frequência em anos anteriores em Mato Grosso. De que forma as forças de segurança atuam para cumprir a determinação do governador e combater esses crimes?

Realmente, o governador Mauro Mendes determinou tolerância zero com relação a invasões ilegais de terra em todo o Estado de Mato Grosso. Isso foi amplamente divulgado por meio de um vídeo que o próprio governador fez, e ele fez questão de postar, sendo o primeiro governador do Brasil a se posicionar dessa forma.

Aqui em Mato Grosso nós criamos um protocolo, uma forma de atendimento em que não somente a Polícia Militar atende ao chamado, naquelas primeiras 24 horas de invasões de terra. Funciona da seguinte forma: o proprietário aciona a segurança pública, registra um boletim de ocorrência e informa a unidade policial mais próxima. As forças de segurança, com cumprimento desse protocolo, e de forma alinhada, Polícia Militar e Polícia Judiciária Civil, vão até o local dessa invasão e retiram esses invasores. No local nós constatamos não somente o crime de invasão de terra, mas também crimes subsidiários que estão junto na invasão, como crimes ambientais, de porte ou posse ilegal de arma, veículos de forma irregular ou até mesmo veículos furtados e roubados, enfim, qualquer outro time de crime que esteja agregado a essa invasão de terra é registrado e os criminosos são levados até a delegacia de Polícia Civil. Então, a PJC participa junto com a Polícia Militar na ação e as pessoas vão responder pelos crimes cometidos.

Veja Mais:  Governo investe na construção de Centro Logístico de Abastecimento e Distribuição

5) A Sesp também tem se destacado com apreensões recordes de drogas nos últimos anos. A que o senhor atribui esse aumento de apreensões e qual o significado disso para a sociedade?

Olha, eu atribuo isso ao grande investimento que o governador Mauro Mendes vem fazendo ao longo dos últimos quatro anos e meio. Fez isso no seu primeiro mandato e continua fazendo alto investimento na segurança pública, onde nós temos polícias melhores equipadas, policiais melhores qualificados, uma inteligência mais atuante, e, com certeza, a apreensão desses entorpecentes, que cresceu significativamente nessa última gestão e este ano, em que temos recordes de números, ela traz um melhor resultado para a sociedade, porque teremos menos crimes, um menor fluxo de entorpecentes no Estado ou passando pelo Estado, e tem crimes que acontecem pelo autoconsumo de entorpecentes, pelo tráfico de drogas, e temos os crimes de homicídio, furto e roubo, que acompanham o tráfico de drogas. Então, esse resultado positivo para a sociedade é muito grande, tendo em vista que esse alto investimento que o Governo tem feito tem dado esse bom resultado.

6) Secretário, uma coisa que chama a atenção é que as forças de segurança têm atuado de forma mais integrada nessa gestão, complementando o trabalho uma da outra. Isso fortalece o combate à criminalidade em Mato Grosso?

Com certeza fortalece todo o trabalho e toda a estratégia contra a criminalidade do Estado de Mato Grosso. No dia da nossa posse, em 1º de janeiro deste ano, cumprindo a determinação do governador Mauro Mendes de trabalharmos com mais eficiência, entregar mais e atender melhor o cidadão mato-grossense, eu disse que nós trabalharíamos de forma integrada e assim temos feito com todas as forças policiais da segurança pública de Mato Grosso, em parceria com o Ministério Público, Tribunal de Justiça, com a PGE, Defensoria Pública, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, enfim, todos os órgãos e poderes que trabalham conosco em parceria. Essa integração, a organização do Estado como um todo, traz o melhor resultado para a segurança pública.

Veja Mais:  Seminário de Gestão da Saúde debaterá temas de relevância para o SUS em MT

7) O governador tem falado com frequência que, pela primeira vez na história do Estado, cada policial terá sua própria pistola Glock. Qual o impacto dessa ação para os servidores das forças de segurança e para o combate à criminalidade?

Com a entrega dessas novas pistolas, temos uma polícia melhor equipada e um policial mais motivado. Hoje, cada policial tem o seu instrumento de trabalho de forma individual, em que ele pode dar manutenção e esse material ter uma vida útil maior do que o material que tínhamos antigamente, que passava a cada serviço, de mão em mão de cada policial. Então, hoje, cada policial militar, civil, bombeiro, policial penal, ter a sua arma Glock, seu equipamento de trabalho de forma individual, é um grande diferencial para a segurança pública e, com certeza, está refletindo numa melhor prestação de serviço de cada instituição em prol do cidadão.

8) Não apenas na compra de pistolas, o Governo também tem investido na melhoria da estrutura de trabalho dos servidores das forças de segurança, como auxílio fardamento, reformas e construções de unidades, novas viaturas, radiocomunicação, entre outras ações. Para o senhor, isso valoriza o profissional? E qual o impacto para a sociedade?

Valoriza e muito o profissional de todas as instituições, porque estamos falando de um profissional que vai trabalhar em estruturas ou reformadas ou novas, estamos falando de viaturas dignas.

Eu me recordo bem que, há cinco anos, nossas viaturas ficavam paradas no meio da rua por falta de pagamento ou de combustível. Isso desmotiva o profissional. Então, ter viaturas novas e uma radiocomunicação digital em todo o Estado de Mato Grosso fortalece a ação de segurança, porque dá proteção na comunicação da Segurança Pública. Temos, ainda, novos prédios, novas unidades, um investimento alto no sistema penitenciário, onde hoje não temos mais déficit de vaga no sistema prisional. Estamos falando de unidades novas, modernizadas, automatizadas, onde esse profissional também se sente valorizado, assim como em todas as outras instituições, com compra de novos equipamentos, no caso dos Bombeiros, de caminhões tanque, veículos de resgate, por exemplo, e uma série de outros equipamentos.

Então, a Segurança Pública tem vivido novo momento, com grandes investimentos e isso valoriza muito o servidor. E o profissional valorizado, com certeza, entrega um melhor resultado para a sociedade. Ele se empenha mais no serviço e o impacto disso para a sociedade é um serviço de melhor qualidade e uma segurança pública melhor.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

Publicado

Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

Veja Mais:  Polícia Civil cumpre 4 mandados contra traficante em São José do Rio Claro

Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

Continue lendo

Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

Publicado

Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

Veja Mais:  Polícia Civil cumpre 4 mandados contra traficante em São José do Rio Claro

Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

Veja Mais:  Produtos de 65 artesãos de Mato Grosso serão expostos na Fit Pantanal 2023

 

Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

Veja Mais:  Seciteci prorroga cronograma de avaliação do processo seletivo do Pronatec

Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

——————————————————————–

Saiba mais dos impactos do Cota Zero

Um ano depois: o que sobrou do Cota Zero em Mato Grosso?

Modo de vida tradicional em Mato Grosso é silenciado por Lei

Pesca, não. Hidrelétricas, sim; Cota Zero e a relação com a expansão de empreendimentos em MT

Cota Zero inicia terceiro ano de vigência em MT com lentidão judicial e falta de respostas 

 

Por Bruna Pinheiro / Formad

Continue lendo

Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

Publicado

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

Veja Mais:  Operações históricas marcam legado da Polícia Civil de MT em quase dois séculos da instituição

Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana