Artigos
Raio-X: E agora, Capitão?

Foto: Assessoria
Quando a estratégia vira armadilha
A distância entre a Prefeitura e a Câmara Municipal é curta, mas, estranhamente, o prefeito parece ter se perdido nesse trajeto após a aprovação de projetos polêmicos na última quarta-feira (12). Ou seria tudo parte de uma estratégia muito bem calculada?
Entre as decisões que sacudiram o cenário político rondonopolitano, está a redução do limite da Requisição de Pequeno Valor (RPV) de 30 salários mínimos (R$ 45.540,00) para apenas R$ 7 mil, impactando diretamente servidores e credores municipais.
Como se não bastasse, a criação de diversos cargos na Secretaria de Saúde ocorreu sem qualquer transparência quanto aos custos e critérios de admissão.
O Prefeito também aprovou R$ 41.983.697,40 (quarenta e um milhões, novecentos e oitenta e três mil, seiscentos e noventa e sete reais e quarenta centavos) em créditos adicionais, entre Especiais e Suplementares, sem que a real situação financeira do município tenha sido oficialmente apurada.
Mas como justificar isso quando a própria gestão alega ter herdado um rombo financeiro do antecessor?
A Lei nº 4.320/64 determina que a abertura de créditos adicionais – incluindo os Créditos Especiais – deve estar lastreada em recursos disponíveis e devidamente identificados, via balanço patrimonial do exercício anterior. Além de tudo isso…
E, agora, Capitão? A perda de rumo na quarta-feira revelou-se uma jogada bem planejada, já que, na quinta-feira (13), dois aliados da gestão passada foram nomeados, um deles ex-Diretor Presidente da CODER. Mas eis a ironia: a mesma CODER atravessa uma crise financeira severa, com um passivo de dívidas ultrapassando os R$ 280 milhões, conforme auditoria interna da Prefeitura.
Endividamento tributário, previdenciário e atrasos com fornecedores desenham um quadro de falência iminente.
O caos explodiu com a paralisação dos trabalhadores da CODER, organizada pelo SISPMUR, na quinta-feira (13), após atrasos salariais.
E, agora, Capitão? Foi justamente diante desse cenário que surgiu um tal dossiê, atribuindo à gestão anterior a responsabilidade pelo colapso da companhia.
Mas a nomeação do ex-Diretor da CODER para um cargo na autarquia SANEAR não enterra de vez a narrativa de que o caos era apenas uma “herança maldita”?
E, agora, Capitão? Ou os problemas vêm de uma conspiração climática, fruto das intempéries do verão e das chuvas torrenciais?
E, agora, Capitão? O dossiê virou bumerangue? Ou, como diria o velho Barba, querem te “fritar na própria banha”?
Recentemente, afirmou que “um capitão não abandona um navio afundando”.
Talvez o navio CODER não afunde mais, mas há o risco de que o Capitão seja atirado ao mar sem boia salva-vidas, jogado aos “monstros marinhos”, enquanto a embarcação ressurge das cinzas (como uma Fênix) e segue seu curso.
Nesse caso, não cabe a analogia do “boi de piranha”.
E, agora, Capitão? Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.
A quarta-feira escancarou que o jogo político é prático, e o “toma lá, dá cá” tem lado (direito), o mesmo pragmatismo da velha política.
Fontes palacianas sugerem que, se a CODER naufragar, a redução do RPV revelará sua verdadeira intenção: empurrar para a famigerada fila dos precatórios os direitos trabalhistas dos quase 600 Coderianos que serão demitidos, pois são regidos pela CLT.
Muitos deles sequer estarão vivos para receber o que lhes é de direito.
Antes de completar 100 dias, a nova gestão já teve sua primeira baixa no primeiro escalão com o pedido de exoneração do chefe do Procon, Olivar.
O triturador de aliados foi ligado mais cedo do que o esperado.
A exoneração, aparentemente isolada, pode ser apenas um prenúncio de novas turbulências.
E, agora, Capitão? Com a nomeação do ex-Diretor da CODER, a “herança maldita” mudou de cara.
A sombra do passado tornou-se presente. E pode se tornar seu algoz.
Será o Capitão capaz de navegar em mares tão turbulentos, ou será tragado pelas ondas que ele mesmo ajudou a criar?
Artigos
Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
Artigos
63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
Artigos
A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
-
Política MT07/09/2026 - 20:19Evento esportivo bancado com recursos públicos tem participação de candidata questionada pelo TRE-MT
-
Rondonópolis08/09/2026 - 15:04Adonias Fernandes toma posse como vereador na Câmara de Rondonópolis
-
Política MT10/09/2026 - 14:05Alessandra acusa adversário de “jogar baixo” e diz que candidatura incomoda por ameaça à disputa por cadeira na ALMT
-
Rondonópolis08/09/2026 - 15:14Prefeitura ratifica contratação de R$ 288 mil para serviços de ginecologia em Rondonópolis
-
Política MT10/09/2026 - 11:15Advogado compara Wellington Fagundes a “chupim” em crítica à aproximação de Janaína Riva com o PL
-
Rondonópolis10/09/2026 - 16:24Prefeito encaminha veto a projeto que suspendia extinção da CODER
-
Rondonópolis09/09/2026 - 15:02TCE-MT mantém suspenso sorteio de carros comprados com recursos da Saúde em Rondonópolis
-
Política MT10/09/2026 - 16:53Ibrahim deixa suplência de Janaina para se dedicar coordenação das campanhas de Nininho e Fábio Garcia







