Mato Grosso
“Camarote mostra preocupação do Governo de MT com as necessidades das pessoas autistas”, afirma mãe de filhos com TEA

A cuiabana Wérica Weiller viveu uma experiência inédita ao acompanhar, pela primeira vez, seus dois filhos autistas no Camarote do Autista, ação do programa SER Família Inclusivo, idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes e gerido pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
“Tudo aqui foi pensado com muito carinho, desde a entrada até a recepção, tudo acolhedor. Isso mostra que existe uma preocupação real com as necessidades das pessoas autistas”, afirmou sobre a organização do espaço.
Para Wérica, que também é autista, o momento representou mais do que lazer, foi uma celebração da inclusão e do respeito à neurodiversidade. Moradora do bairro Santa Isabel, em Cuiabá, ela compartilhou que esta foi a segunda vez que inscreveu os filhos no sorteio e ambos, Caio e Gabriela, foram contemplados na segunda tentativa no jogo do Cuiabá contra o Athletico Paranaense, no dia 15 de abril.
“Quando recebi a ligação, eu estava dentro do Uber com minha filha. Ela só faltou pular de alegria. Se um fosse sorteado, eu nem teria com quem deixar o outro. Eles sempre estão juntos. Foi uma felicidade imensa”, relembrou.
O Camarote do Autista tem promovido inclusão e lazer às crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante os jogos do Cuiabá Esporte Clube na Arena Pantanal. Em 2023 e 2024, foram contempladas 296 pessoas por meio de sorteios.
Wérica descreveu o ambiente do camarote como essencial para garantir conforto e bem-estar à sua família. “Se estivéssemos no meio da arquibancada, eles não aguentariam ficar. Aqui, eles assistem, descansam, comem, voltam a assistir, tudo no tempo deles. E o mais importante: sem olhares de julgamento”, contou.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
De acordo com a primeira-dama Virginia Mendes, ver histórias como a da Wérica e de seus filhos mostra que o trabalho desenvolvido está no caminho certo, uma vez que o Camarote do Autista não é apenas um espaço físico, mas um símbolo do compromisso com a inclusão e com o respeito à diversidade.
“Como mãe e como primeira-dama, sei da importância de garantir que todas as crianças e famílias sejam vistas, acolhidas e respeitadas. Essa luta pelos direitos das pessoas com autismo é uma das causas que carrego com o coração. Enquanto eu puder, seguirei trabalhando para que mais famílias tenham acesso a políticas públicas humanizadas e transformadoras”, reforçou.
Segundo o secretário interino de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes Haagsma, a emoção de Wérica representa exatamente o objetivo que o Governo de Mato Grosso quer alcançar com o Camarote do Autista: garantir que cada pessoa com TEA e suas famílias possam viver momentos de lazer com dignidade, conforto e acolhimento.
“Sabemos dos desafios enfrentados diariamente por essas famílias e, por isso, cada detalhe dessa ação é pensado com muito cuidado. A inclusão não pode ser só discurso; precisa estar presente em cada política pública, como estamos fazendo aqui no Governo de Mato Grosso, sob a liderança da primeira-dama Virginia Mendes”, destacou.
Além do acesso ao camarote, Wérica, seus filhos e milhares de outros mato-grossenses autistas contam com um importante recurso garantido pelo Estado: a Carteira de Identificação do Autista (CIA). O documento é emitido gratuitamente pela Setasc e assegura ao portador atendimento prioritário em estabelecimentos como supermercados, postos de saúde e eventos esportivos. A carteira também é requisito para participar dos sorteios de acesso ao camarote inclusivo da Arena Pantanal.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
Para Wérica, a carteirinha simboliza um marco de autonomia. “Ela nos permite conhecer lugares e usufruir deles com mais tranquilidade. Se a criança não se sente bem, podemos sair sem constrangimento. Isso faz toda a diferença”, afirmou.
Caio, o filho mais velho, foi diagnosticado com dois anos e meio. Já a filha mais nova recebeu o diagnóstico aos nove anos. Wérica recebeu o primeiro diagnóstico ainda na infância, aos três anos, mas naquela época o autismo não era reconhecido como hoje.
“O nome que usavam era ‘retardo psicomotor’. Eu não falava, não andava. Minha mãe me levou ao centro de reabilitação, fiz sessões com fonoaudióloga, psicóloga, todas as terapias. Mas não existia o termo autismo. Ela lutou muito para que eu pudesse me desenvolver. Hoje, aos 40 anos, me orgulho da nossa trajetória”, compartilhou.
Wérica agradeceu à primeira-dama e ao Governo do Estado pelo trabalho que fazem pela inclusão. “Eu sei que não é fácil. As pessoas querem tudo de imediato, mas tudo exige esforço e dedicação. E eles têm lutado pelos autistas. Essa luta não pode parar, porque o que estamos conquistando hoje vai beneficiar as crianças de amanhã”, pontuou.
Com uma história que atravessa gerações, Wérica representa a força das mães atípicas que enfrentam desafios diários com coragem, e que hoje celebram cada conquista com esperança no futuro.
Carteira de Identificação do Autista
A CIA contém dados específicos da pessoa com TEA, além de contato de emergência e informações do responsável legal, quando aplicável. O cadastro pode ser feito via aplicativo MT Cidadão, desde setembro de 2022, com opção de emissão digital (prazo de 5 dias úteis) ou física (prazo de até 30 dias). Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (65) 98421-4080 ou (65) 3613-5711, ou ainda no site oficial da Setasc.
Fonte: Governo MT – MT
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Por Bruna Pinheiro / Formad
Mato Grosso
Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.
Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.
No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.
“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.
Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.
No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.
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