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Senado 2026: O Xadrez do Segundo Voto que Definirá a Segunda Vaga em Mato Grosso

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Ilson Galdino, advogado e servidor-público municipal

Uma recente pesquisa do instituto Percent Brasil, divulgada nesta segunda-feira, lança luz sobre o cenário inicial para a disputa ao Senado por Mato Grosso em 2026, um pleito que renovará duas das três vagas do estado. Os números posicionam o governador Mauro Mendes (União Brasil) como o favorito isolado para uma das cadeiras, mas a complexidade de uma eleição com dois votos por eleitor transforma a briga pela segunda vaga em um tabuleiro de xadrez estratégico, onde alianças improváveis e a migração de votos serão decisivas.

A pesquisa, realizada com 1.200 eleitores entre 29 de julho e 4 de agosto, mostra Mauro Mendes com 36,3% das intenções de voto no cenário estimulado para a primeira opção. Ele é seguido pela deputada estadual Janaina Riva (MDB), com 17,9%. A distância para os demais pré-candidatos é considerável, com José Medeiros (PL) marcando 6,2%, Jayme Campos (União) com 5,8%, e Carlos Fávaro (PSD) com 3,7%.

Primeira Opção de Voto para o Senado (Estimulada)

Mauro Mendes (União): 36,3%

Janaina Riva (MDB): 17,9%

José Medeiros (PL): 6,2%

Jayme Campos (União): 5,8%

Carlos Fávaro (PSD): 3,7%

Pedro Taques (Solidariedade): 3,4%

Antonio Galvan (sem partido): 2,3%

Branco/Nulo: 4,1%

Indecisos/Não Responderam: 20,3%

Quando se analisa a segunda opção de voto, o cenário se embaralha, e a liderança se inverte: Janaina Riva é a mais citada, com 12,4%, seguida de perto por Mauro Mendes, com 11,8%.

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O alto índice de indecisos para o segundo voto (30,3%) revela que a dobradinha ainda não está na mente da maioria do eleitorado.

Para além dos números, uma análise baseada nas tendências e alinhamentos políticos de Mato Grosso permite traçar cenários mais complexos, conforme o desafio proposto.

A premissa central é que a afinidade ideológica e as rivalidades pessoais moldarão a distribuição do segundo voto.

O campo da direita, embora majoritário no estado, apresenta-se dividido. A análise sugere que:

Eleitores de Mauro Mendes: Tendem a consolidar o voto em um nome de perfil similar ou de seu arco de alianças, mas dificilmente migrariam para Janaina Riva, vista como uma potencial adversária política, apesar de ambos pertencerem ao mesmo campo ideológico.

Eleitores de Janaina Riva: Da mesma forma, não devem conceder seu segundo voto a Mendes. Também é improvável que apoiem José Medeiros, que representa uma linha mais ideológica e de extrema-direita.

Eleitores de José Medeiros e Antonio Galvan: Este grupo, alinhado à extrema-direita bolsonarista, tende a formar uma dobradinha entre si. Seu segundo voto dificilmente iria para Janaina ou para candidatos de centro, como Fávaro e Taques.

Essa divisão interna cria um desafio, para garantir as duas vagas, a direita precisaria que os eleitores de Mendes, Janaina e Medeiros/Galvan dobrassem seus votos dentro do mesmo espectro, algo que as rivalidades internas podem impedir.

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A candidatura do senador Jayme Campos é um fator que pode redesenhar o cenário. Apesar de pontuar na pesquisa, sua candidatura ao Senado é considerada de baixa viabilidade. A expectativa é que ele recue para disputar uma vaga na Câmara Federal, o que levaria seus votos a migrarem para o espectro de centro. Nesse cenário, o principal beneficiado seria o ministro Carlos Fávaro.

Essa movimentação, se confirmada, removeria um concorrente de peso e poderia transferir seus 5,8% de intenções de voto diretamente para Fávaro, fortalecendo sua posição na corrida.

Diante da fragmentação à direita, surge uma janela de oportunidade para os candidatos de outros espectros. A análise sugere um movimento estratégico:

O Segundo Voto de Janaina: Sem o apoio dos eleitores de Mendes e Medeiros, os 17,9% de eleitores de Janaina precisariam buscar uma segunda opção. O nome mais provável seria o do ministro Carlos Fávaro, visto como um candidato de centro, ligado ao agronegócio, mas parte do governo federal progressista.

A Conexão Fávaro-Taques: Seguindo essa lógica, os eleitores de Carlos Fávaro, por sua vez, poderiam ver no ex-governador Pedro Taques uma segunda opção viável. Ambos representam uma alternativa à polarização mais radical, formando um eixo de centro que poderia atrair votos de eleitores que rejeitam os extremos.

Uma Vaga em Aberto e a Decisão no Segundo Voto, a pesquisa da Percent Brasil oferece um retrato claro do momento: Mauro Mendes é o favorito para conquistar uma das duas vagas ao Senado em 2026. Seu capital político como governador o coloca em uma posição de largada extremamente confortável.

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A segunda vaga, contudo, está completamente em aberto e será o prêmio de uma batalha muito mais complexa.

Se a análise das tendências se confirmar, Janaina Riva dependerá de uma estratégia ousada, consolidar seu eleitorado e buscar o segundo voto em um campo diferente do seu, possivelmente em uma aliança tática com o grupo de Fávaro e Taques. Enquanto isso, a direita mais radical, com Medeiros e Galvan, tentará consolidar seu nicho para eleger ao menos um representante.

A eleição de 2026 em Mato Grosso será, portanto, decidida não apenas na escolha do primeiro nome, mas na complexa e estratégica definição do segundo voto.

Os 30,3% de eleitores que ainda não sabem em quem votar pela segunda vez serão o alvo principal das campanhas e os verdadeiros fiéis da balança na definição da futura bancada do Estado no Senado Federal.

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

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DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

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Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

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Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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