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Mato Grosso

Seplag avança em inovação, economia e modernização da gestão pública

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Com foco em eficiência, inovação e modernização da gestão pública, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso (Seplag-MT) encerrou 2025 com resultados expressivos que representam economias significativas aos cofres públicos e ampliação do acesso do cidadão aos serviços do Estado, impulsionados por investimentos em transformação digital, governança para resultados, gestão de pessoas, compras públicas e patrimônio.

Planejamento e Governo digital

Em 2025, as ações da área de Governança para Resultados, Inovação e Transformação Digital geraram impactos expressivos na eficiência da gestão estadual, com destaque para as duas edições do Prêmio Eficiência e Inovação em Práticas Públicas, que resultaram em mais de R$ 561 milhões em ganhos estimados de economia e eficiência e mobilizaram mais de 1.300 servidores.

A transformação digital avançou com a implantação de 96 novos serviços no Portal de Serviços e no aplicativo MT Cidadão, que somam 1,4 milhão de usuários cadastrados e mais de 11,8 milhões de acessos, ampliando a interação entre Estado e cidadão. Também foi instituído o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (ceIA.MT), com foco em capacitação e inovação.

Na área de Tecnologia da Informação, as ações de padronização e análise de processos resultaram em economia superior a R$ 30 milhões em 2025, além do avanço da infraestrutura de conectividade com a implantação de 235 novos links de internet pelo programa Mais Infovia, todos monitorados por painéis de inteligência.

Por fim, destaca-se o planejamento estadual que concentra a coordenação central de mais de 400 ações de governo e 680 produtos entregues à população, sendo monitorados por mais de 270 indicadores.


Administração Sistêmica

Em 2025, a Secretaria Adjunta de Administração Sistêmica executou um amplo conjunto de reformas, obras e projetos que modernizaram a infraestrutura administrativa do Estado. Foram realizadas intervenções no complexo do Palácio Paiaguás. A sede da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão passou por reformas, como no Espaço de Eventos, que terá capacidade para 480 pessoas, bem como ocorreu a reforma e a modernização da Escola de Governo.

O portfólio de 2025 contemplou ações estratégicas em outras frentes, como a elaboração de diversos projetos arquitetônicos: nova sede Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar, modernização da Praça das Bandeiras, paisagismo do corredor do BRT na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, projetos estruturantes como o novo edifício-sede da MTI; a restauração, reforma e ampliação do antigo Cridac para abrigar a Delegacia Digital da PJC/MT, a DERF e a DHPP; o novo Batalhão da Polícia Ambiental e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PMMT, consolidando avanços na modernização, funcionalidade e qualificação dos espaços públicos estaduais.

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Patrimônio e Serviços

Em 2025, um dos principais destaques da Superintendência de Gestão de Serviços, vinculada à Adjunta de Patrimônio e Serviços, foi a migração de 333 unidades consumidoras para o Mercado Livre de Energia, medida que reduziu significativamente o custo com energia elétrica e projeta uma economia de R$ 156,5 milhões ao longo de cinco anos, com a utilização de energia 100% renovável. A iniciativa colocou o Estado como pioneiro em nível nacional e garantiu o 2º lugar no Prêmio de Inovação de 2025, reforçando o compromisso com eficiência e sustentabilidade.

Outro avanço relevante foi o Sistema de Concessão de Adiantamento (Sicad), que, desde sua implantação em 2022, viabilizou 541 intervenções em prédios públicos, promovendo redução de prazos, otimização de recursos e uma economia potencial estimada em R$ 83,1 milhões. Pela relevância e impacto do projeto, a iniciativa recebeu reconhecimento nacional da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Na área de gestão do patrimônio público, foi priorizada a destinação adequada de imóveis desocupados, sempre em conformidade com o interesse público e a legislação vigente. Como resultado, um imóvel ocioso foi alienado por meio de leilão público, após a comprovação da inexistência de interesse da Administração em sua utilização, gerando arrecadação de R$ 238 mil aos cofres públicos. Além disso, outros quatro imóveis desocupados encontram-se em fase de preparação para leilão, com avaliação estimada em R$ 15,5 milhões.

A atuação também avançou na regularização de imóveis públicos anteriormente concedidos e já ocupados, possibilitando sua venda aos atuais ocupantes, conforme previsão legal. Em 2025, esse processo resultou na alienação de um imóvel avaliado em R$ 6,2 milhões, enquanto outros nove imóveis estão em fase final de regularização, com potencial de arrecadação estimado em R$ 59,78 milhões, recursos que poderão ser revertidos em políticas públicas prioritárias.

Paralelamente, foram destinados ao desfazimento 20.495 bens móveis fora de uso, medida que contribui para a organização dos espaços públicos, a atualização dos registros patrimoniais e o fortalecimento da gestão eficiente dos recursos públicos.

Ganha Tempo

O Ganha Tempo, vinculado à Secretaria Adjunta de Patrimônio e Serviços (SEAPS) da Seplag, ultrapassou 1,3 milhão de atendimentos entre janeiro e novembro de 2025, reunindo 242 serviços em um único espaço, como emissão de documentos, atendimentos do Detran, serviços de água e energia, orientações fiscais e outros serviços públicos essenciais. O órgão registrou crescimento de 12,47% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando-se como uma das principais portas de acesso do cidadão aos serviços públicos em Mato Grosso.

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Além disso, os dados do sistema de avaliação também demonstram a aprovação dos cidadãos. Até o inicio de janeiro foram registradas 397.291 avaliações, das quais 99,72% classificaram o atendimento como excelente, ótimo ou bom. Esses resultados evidenciam o alto nível de qualidade percebido pelos usuários.


Arquivo Público

Também vinculado à SEAPS, o Arquivo Público de Mato Grosso (APMT) foi totalmente restaurado, fato que não ocorria há mais de 50 anos e, atualmente, oferece serviços de consulta ao acervo histórico e administrativo, atendimento a pesquisadores, apoio técnico a órgãos públicos, pesquisa documental online e digitalização de documentos.

Entre janeiro e outubro de 2025, foram realizados mais de 26.217 atendimentos, além da digitalização de 243 mil itens, reforçando o papel da instituição na preservação da memória e da história do Estado. Foi criado o Espaço Memórias, para abrigar diversas exposições permanentes e temporárias, aberto para visitações.


Aquisições Governamentais

Em 2025, os processos de compras e contratações conduzidos pela Secretaria Adjunta de Aquisições Governamentais resultaram na economia de recursos públicos, com a análise de 176 processos que totalizaram R$ 1,09 bilhão estimado, dos quais R$ 1,03 bilhão foram homologados e disponibilizando as atas de registro de preço para futura contratação, gerando economia direta de R$ 66,04 milhões, o equivalente a 6,01% de economicidade.

Além disso, a ampliação do uso de modelos mais ágeis de contratação, como os credenciamentos para projetos e reformas, proporcionou economia operacional adicional de R$ 5,1 milhões. Os credenciamentos realizados pela Seplag ultrapassaram R$ 36,6 milhões em contratos, sendo nove processos de projetos que atenderam 26 unidades públicas e 34 processos de reformas, com atendimento a 22 unidades, consolidando essa modalidade como alternativa mais ágil, econômica e eficiente para a execução de demandas do Estado.

Gestão de Pessoas

Em 2025, a Secretaria Adjunta de Gestão de Pessoas da Seplag avançou na modernização da gestão de pessoas, com a ampliação do uso de sistemas digitais e a valorização dos servidores públicos estaduais. Destacam-se a implantação do SIGPAS em 18 órgãos, a automação de férias e licenças, a implementação de soluções como a Declaração de Bens e Valores, a Carteira Funcional Digital e o Recadastramento Funcional, além do desenvolvimento da Posse On-line, que estará disponível a partir de 2026.

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O Sistema Integrado de Gestão de Pessoas (SIEP) encontra-se em fase de testes na Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso (CGE) e na Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso (PGE).

No âmbito estratégico e institucional, foram implementados painéis de Business Intelligence e o Sistema Estadual de Seleção (SIES), viabilizando oito processos seletivos com mais de 10,7 mil inscritos. As ações de capacitação, reconhecimento e promoção da qualidade de vida incluíram eventos institucionais, o Programa LíderES+, a condecoração de servidores pelos 25 anos de serviço e o lançamento do Programa Saúde e Bem-Estar, que realizou mais de 22.821 agendamentos de atendimentos on-line, nas áreas de psicologia, nutrição, endocrinologia, psiquiatria e ortopedia, beneficiando 6.016 servidores vinculados a 40 órgãos estaduais.

Adicionalmente, o Protocolo Saúde e Bem-Estar acompanhou 915 servidores, sendo 753 na capital e 162 no interior do Estado, por meio de atuação integrada de nutricionistas e educadores físicos. Deste total, 452 servidores permaneceram em acompanhamento ativo, resultando na realização de 3.535 treinos monitorados. A Ação Vida Saudável promoveu 13.862 aferições de bioimpedância, com atendimento a 7.144 servidores, alcançando 28 órgãos do Poder Executivo Estadual.

Já a Secretaria Adjunta de Gestão de Pagamento de Pessoal avançou na modernização da gestão pública com melhorias no Sistema Estadual de Administração de Pessoas (SEAP), garantindo mais agilidade, segurança e conformidade legal aos registros de plantões, jornadas extraordinárias e adicionais. Além disso, destaca-se que o pagamento dos salários ocorreu dentro do mês, buscando honrar com compromisso assumido com os servidores ativos e inativos.


Escola de Governo

Em 2025 a Escola de Governo de Mato Grosso ampliou significativamente a oferta de cursos, fortaleceu parcerias e modernizou sua estrutura. Foram emitidos 15.141 certificados, o que representou um aumento de cerca de 20% em relação a 2024. Foram ofertados 304 cursos (EaD, híbridos e presencial), o que representou um aumento de 31% quando comparado a 2024. Destaca-se que foram certificados 650 líderes do Poder Executivo Estadual, superando em 164% a meta estabelecida para 2025, situação que reforça o papel estratégico da Escola de Governo no desenvolvimento institucional do Estado.

Fonte: Governo MT – MT

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Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

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Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

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O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

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Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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