Mato Grosso
Governo abre período de trabalho técnico do Plano Plurianual
A solenidade de abertura do Plano Plurianual (PPA) foi o pontapé inicial para o trabalho de todos os órgãos estaduais na formulação do documento estratégico, que estabelece diretrizes, objetivos e metas da administração pública para os próximos quatro anos. O evento ocorreu na manhã desta quinta-feira (21.03), no Auditório Cloves Vettorato.
Em discurso, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, pediu empenho e compromisso dos mais de 200 servidores de todo o Estado envolvidos diretamente na elaboração do PPA (2020-2023). Ele destacou que o planejamento estratégico será a base para a oferta de serviços melhores para o cidadão.
“Não vamos fazer desta ferramenta o simples cumprimento de um dispositivo constitucional. Vamos fazer deste momento uma oportunidade de realmente pensarmos, planejarmos, criarmos soluções, e nos lançarmos ao desafio, e, daqui há quatro anos, vermos que Mato Grosso cresceu, se desenvolveu, e que participamos desta história”, orientou o chefe do Executivo.
O secretário de Planejamento e Gestão (Seplag), Basílio Bezerra, ressalta que o principal objetivo é que as metas sejam realistas e reflitam o que governo pretende executar, elencando o que é mais importante de forma estratégica para Mato Grosso, e principalmente, para contemplar a necessidade da sociedade.
“O nosso planejamento, a partir deste momento, será feito de forma diferenciada. É importante os gestores trabalharem com a percepção de que o planejamento deverá ser efetivamente cumprido pelo Estado. As metas serão monitoradas de forma permanente pela equipe para auxiliar o Estado a entregar o resultado esperado”, afirmou o gestor.
O trabalho será coordenado pela Seplag, que conforme o coordenador geral do PPA e secretário adjunto de Planejamento e Gestão de Políticas Públicas, Anildo Cesário Correa, já capacitou em fevereiro deste ano a equipe para atuar como multiplicadora da metodologia dentro dos órgãos que farão parte do processo de elaboração do documento.
O trabalho será executado em oito grandes grupos temáticos, divididos entre educação, saúde, segurança pública, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico sustentável, gestão pública I e II, e os poderes.
Cada secretaria ou órgão deverá elencar suas metas, ações e programas para integrar o Plano, que norteará a elaboração anual da Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO). O cronograma de ações foi estabelecido pela portaria nº18 de2019 da Seplag.
Entre as etapas de elaboração estão a capacitação das equipes, diagnóstico e propostas de intervenção, análise das orientações estratégicas de governo, e, por fim, consolidação e validação das propostas e ações. O prazo legal para que o Executivo estadual encaminhe o documento para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso é 30 de agosto deste ano.
Prestigiaram a solenidade os secretários de Segurança Pública, Alexandre Bustamante; Cultura, Esporte e Lazer, Allan Kardec; Assistência Social e Cidadania, Rosamaria Carvalho; Desenvolvimento Econômico, Cesar Miranda; Saúde, Gilberto Figueiredo; Fazenda, Rogerio Gallo; Procurador Geral, Francisco de Assis Lopes; Controlador, Emerson Hideki Hayashida; presidentes de autarquias e secretários adjuntos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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