Nacional
“A fome me preparou para a dor”, diz jovem que perdeu couro cabeludo em kart
Resiliência não é uma palavra forte o suficiente para descrever o comportamento de Débora Stefanny Dantas de Oliveira . Não à toa ela ganhou notoriedade e tem hoje mais de 160 mil seguidores no Instagram. Débora conta sua história com a naturalidade de quem não conhece a vida sem obstáculos. “A fome me preparou para a dor”, disse ao ser perguntada sobre o que sentiu quando teve todo o couro cabeludo arrancado em um acidente de kart.
No dia 11 de agosto deste ano, dia dos pais, Débora foi com seu namorado, Eduardo Tumajan, a sogra e a enteada andar de kart em uma pista que fica no estacionamento do supermercado Walmart, na região de Boa Viagem, no Recife. Era a primeira vez de todos, que seguiram os procedimentos de segurança e, animados, tiraram fotos dos preparativos. Mas o passeio terminou em tragédia quando o cabelo de Débora se soltou da touca que usava por baixo do capacete, prendeu na corrente do motor e foi puxado, levando junto seu couro cabeludo . Seu crânio ficou exposto das sobrancelhas até quase a nuca.
Débora conta que ao perceber que estava coberta de sangue, colocou a mão na cabeça e entendeu o que tinha acontecido. Sua primeira reação foi um grito, mas logo em seguida respirou fundo e começou a raciocinar sobre o que deveria ser feito. Saiu do kart e da pista para evitar que algum outro carro batesse nela e se deitou de bruços, para que caso desmaiasse, não fraturasse o crânio, que ela já sabia que estava exposto.
Seu namorado se aproximou, desesperado, e a própria Débora começou a dar instruções sobre o que deveriam fazer. Ela se manteve acordada e calma até ser levada para o centro cirúrgico, algumas horas mais tarde. Débora se lembra de todos os momentos e conta tudo com serenidade. “Escutava os gritos das pessoas em volta. Criança vomitando, gente gritando e correndo”. No hospital, enquanto aguardava para ser atendida, vários médicos se surpreenderam ao perceber que ela estava consciente.
Ela diz não ter sentido dor na hora, em função da adrenalina do momento. Enquanto estava no carro a caminho do hospital, porém, disse que o sofrimento era intenso. “Eu disse ‘pelo amor de deus, alguém me dá um sedativo que eu tô começando a sentir muita dor. Aí eles me deram morfina”, relata sobre sua chegada ao hospital. “A parte mais desesperadora foi quando eles tentaram deitar minha cabeça na maca, aí eu gritava”, completa.
Apesar da gravidade, a calma vista no calor do momento se manteve. Por causa do trauma, ela foi atendida por psiquiatras e psicólogos, mas foi liberada por todos. Débora conta que nunca teve medo de morrer ou das sequelas. “O meu maior medo nunca foi o problema estético, foi se esse acidente poderia me impedir de ser médica”.
Segundo ela, a única vez que sentiu medo de verdade foi quando pensou que poderia perder a visão, mas depois que o oftalmologista disse que estava tudo bem ficou tranquila. Nas cirurgias posteriores, manteve o otimismo. “Nunca fui triste para o centro cirúrgico, nunca tive medo de que ia dar errado”.
Hoje, Débora e Eduardo fazem duras críticas aos procedimentos de segurança da pista de kart . Eles relatam que não receberam nada para que ela prendesse o cabelo, que a touca usada era grande demais e que ao pedirem para usar macacões de corrida foram desencorajados por um funcionário. “Não era para o motor estar exposto, não era a balaclava certa, não era para o meu cabelo soltar. Não é normal, tava errado”, diz Débora, que está tomando medidas judiciais, mas busca um acordo.
Sofrimentos em hospitais virou sonho de salvar vidas
O acidente do dia 11 de agosto não foi a primeira dificuldade da vida de Débora. Aos 19 anos ela acumula uma grande quantidade de obstáculos, todos abordados com uma leveza surpreendente. Ao contrário do que se pode esperar, Débora não se ressente da própria sorte.
A menina de Paulista, na Grande Recife , foi abandonada pelos pais biológicos assim que nasceu. Ela foi criada pelos avós, a quem chama de pais. O pai-avô, porém, morreu quando ela tinha apenas oito anos de idade.
Pouco depois, sua mãe-avó ficou doente. Elas se mudaram para a capital em função das constantes internações e tratamentos de dona Lindalva Maria da Silva. Débora conviveu desde muito nova com a rotina de um hospital, o que também explica seu sonho de cursar medicina.
Em 2016, quando tinha apenas 16 anos, sua avó também morreu e ela se viu sozinha. Na época, morava com outros filhos adotivos de dona Lindalva, com quem nunca teve uma boa relação. Ao longo de sua vida, porém, Débora também encontrou alguns anjos. Uma delas foi uma tia de consideração que a deixou morar em sua casa, que não estava sendo ocupada por ninguém, em troca de que Débora cuidasse do imóvel.
No ano seguinte, sua vida estava mais ou menos estabilizada. Ela fala com animação do período em que, ainda com dificuldades, tinha foco total na realização de seus sonhos. “2017 foi um super ano da minha vida! Eu espero que o ano que vem seja assim, e eu vou fazer de tudo para ser”, diz. Débora estava no terceiro ano do ensino médio, que cursava na parte da tarde. De manhã trabalhava como assistente administrativa em um hospital e de noite fazia um cursinho pré-vestibular, que ela usava o salário quase inteiro para pagar. Aos sábados ainda fazia aulas de francês em uma escola de idiomas onde ganhou uma bolsa integral.
A vontade de Débora de estudar e seu sonho de cursar medicina ganham uma dimensão impressionante quando ela conta que para poder fazer o cursinho teve que renunciar a muitas coisas, incluindo comida. Ela conta que passava quase o mês todo comendo pipoca e macarrão instantâneo. Andava muitos quilômetros por dia para economizar passagens de ônibus. “Foi um ano em que fiquei bem exercitada”, brinca.
São esses os momentos que vêm à mente quando Débora lembra do que sentiu durante o acidente. “Eu já tive que aguentar muita dor na minha vida. Muita. Quando você anda com fome, com dor de cabeça… Eu não tinha dinheiro para comprar remédio de dor de cabeça. Eu acho que eu estava sendo preparada para passar por essa dificuldade”, explica.
A rotina exaustiva de seus 17 anos culminou no dia em que Débora, de tão cansada, pegou no sono no ponto de ônibus. Acordou de madrugada e teve que esperar até às 5h, quando os ônibus voltam a circular, para ir embora.
À base de pipoca e macarrão instantâneo
No fim de 2017 ela prestou o vestibular e foi aprovada para o curso de administração na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As aulas, porém, só começavam no segundo semestre e, no meio tempo, sua vida passou por outras reviravoltas: O hospital onde ela trabalhava não quis renovar seu contrato. Ao mesmo tempo, a dona da casa onde ela vivia pediu o imóvel de volta.
A prima do ex-namorado conseguiu convencer a proprietária da kitnet onde vivia a deixar Débora viver em uma outra unidade de graça por dois meses, enquanto procurava emprego. Nesse período, ela fez uma série de trabalhos temporários, mas não conseguiu nada fixo.
Quando estava prestes a ser expulsa de casa, Débora começou a faculdade e conseguiu uma bolsa para trabalhar com um professor. O valor do benefício, no entanto, não era suficiente para pagar o aluguel. Uma negociação permitiu que ela continuasse morando no mesmo lugar por um preço mais baixo, mas novamente Débora gastava quase todo o salário em uma só despesa. A solução foi voltar para a dieta de pipoca e macarrão instantâneo.
Débora define a si própria como “muito determinada”. Esse modo de ser transparece o tempo todo durante a conversa. Um exemplo foi justamente o que aconteceu em seguida, quando ela decidiu largar a faculdade de administração na UFPE para voltar a estudar e buscar seu sonho de ser médica.
Nessa altura ela trabalhava em um curso que ensina técnicas de estudo de português, matemática e inglês. O trabalho, mais uma vez, era meio período e não chegava a pagar um salário mínimo inteiro, mas o suficiente para custear sua moradia e, aos trancos e barrancos, sobreviver. Como se não bastasse, Débora também voltou a fazer cursinho, dessa vez com bolsa integral.
Sobre os percalços, ela afirma que “foi uma experiência que acabou me deixando mais forte. Eu não encaro tudo isso que eu passei como uma coisa ruim, mas algo que me construiu como eu sou hoje. A Débora que está aqui hoje só é a Débora porque passou por isso”. “Hoje em dia eu tenho muito mais empatia com as pessoas, com as dificuldades das pessoas”.
Ao relembrar os passos de sua ainda curta e muito emocionante história, Débora não sente pena de si mesma. “Todas as situações que eu passei, eu não falo com tristeza. Eu passei por tudo isso e eu sou uma sobrevivente. Eu não desisti, então por que eu desistiria agora?”, diz, fazendo um paralelo com o acidente.“Eu penso: posso passar a minha vida toda chorando ou eu posso seguir a minha vida e fazer o que eu puder de melhor com isso, como eu sempre fiz”.
A forma de encarar a vida surpreende até os mais próximos. “O que mais chamou a atenção foi a postura dela. Eu no lugar dela teria ficado chorando no hospital”, diz o namorado, Eduardo. “Ela tem uma alegria muito grande de viver”.
Os anjos da guarda em sua vida
Ainda que muito sozinha, Débora não teria passado por tudo sem o apoio de algumas pessoas, que ela faz questão de destacar. Após seu acidente, ela conta que as pessoas não se afastaram porque já eram poucas as relações próximas em sua vida. “Eu fui muito ajudada, eu não tenho do que reclamar”, diz.
Assim que seu caso ficou conhecido em todo o Brasil, circulou a notícia de que uma pedagoga paraense de 23 anos havia oferecido para doar seus cabelos para que Débora fizesse uma peruca. Ela, porém, não foi a única. A jovem pernambucana conta que cerca de 50 pessoas fizeram a mesma proposta. “Achei muito lindo se mobilizarem para me doar cabelo, só que eu só tenho uma cabeça”, diz com sua simplicidade característica.
“Uma peruca de cabelo é algo muito sério por ser caro. Eu recebi [ofertas de] 50 pessoas, eu não vou poder pegar o de todo mundo, não seria junto com tantas mulheres que sofrem com a perda do cabelo por alopécia, por câncer ou pelo próprio escalpelamento”, explica. Débora e Eduardo querem aproveitar a oportunidade para ajudar outras pessoas que precisam, mas cujos casos são desconhecidos. Ela explica que vai conversar com todos que ofereceram ajuda para pedir que eles participem de um projeto que ela está desenvolvendo, que consiste em fazer as perucas e doar para outras pessoas que também precisam.
Outra pessoa que é lembrada com muito carinho tanto por Débora quanto por Eduardo é o agora amigo Dimitri. Ele foi a pessoa que os socorreu e os levou até o hospital no dia da tragédia. Eduardo sempre lembra como foi difícil conseguir ajuda enquanto ainda estavam na pista de kart.
O homem, que acabou se tornando um amigo, ao perceber que ninguém faria nada e o resgate demoraria a chegar, colocou-os em seu carro e dirigiu até o Hospital da Reparação. Além disso, Dimitri esperou até tarde da noite com eles no hospital e, ao ver Eduardo coberto de sangue, deu a ele a camisa que ganhou de dia dos pais.
O papel de Eduardo na história de Débora também merece destaque. No dia 11 de agosto, foi ele quem resgatou o couro cabeludo da namorada e carregou-a no colo para que não caísse. Desde então ele não saiu de seu lado. Eduardo é dono de óticas em Recife e deixou as lojas aos cuidados da família para poder estar com Débora durante os quase dois meses em que ela esteve em tratamento no Hospital Especializado de Ribeirão Preto.
Os dois acabaram de completar um ano de namoro. Desde o começo do ano são noivos, mas quando perguntados sobre o casamento, Débora afasta: “Só daqui quinze anos”. Rindo, eles explicam que vão esperar até que ela, que tem apenas 19 anos, se forme na faculdade para só então avançar no sonho de constituir uma família.
20 cirurgias e guarda-sol como “companheiro”
O acidente ao qual Débora sobreviveu é chocante. “Eu não tinha percebido que tinha sido uma coisa tão difícil de se acontecer. Só percebi na hora que eu vi a foto da minha cabeça”, diz. Eduardo explica que em outros acidentes similares a morte é quase certa, porque a força do motor ao puxar o cabelo faz com que a pessoa quebre o pescoço. “Ela foi um milagre”, resume o namorado.
Em uma situação tão intensa, é de se esperar que as consequências também sejam graves. Débora já passou por mais de 20 cirurgias e vai enfrentar um tratamento, incluindo mais incontáveis procedimentos cirúrgicos, pelos próximos dois a seis anos. Seu cabelo nunca mais vai crescer.
Como havia de ser, frente a maneira como esta mulher encara a vida, a perda do cabelo não a deprime: “Eu gostava demais do meu cabelo, mas eu não tenho como voltar atrás, então não tem porque eu ficar ‘ai meu deus minha vida acabou’ porque eu perdi o cabelo”. Ela reforça que não é vaidosa, apesar de dizer que não gosta de “andar esculhambada”, mas destaca a relação que tinha com sua “juba”, como ela mesma define, que passava da cintura.
As consequências deixadas, porém, vão além das óbvias. Para reconstruir seu couro cabeludo, Débora teve que tirar pele das costas e das pernas. Hoje, ela carrega cicatrizes. O procedimento também limitou seus movimentos e impôs outros tipos de sequelas, como a impossibilidade de tomar sol e a coceira da cicatrização. “Você retirar uma parte do corpo para cobrir outra é funcional, mas não é natural, então tem várias consequências”, explica.
Quando conta sobre isso, é o único momento em que Débora reclama, ainda que com moderação. Ela diz que “é muito chato” ter que sair na rua sempre protegida por um guarda-sol e que a coceira a deixa de mau humor.
Os procedimentos cirúrgicos incluíram ainda a retirada da veia safena, na perna, para restabelecer o fluxo sanguíneo na região do pescoço. Esse é outro momento do qual Débora lembra sem saudades, uma vez que teve que ficar um bom tempo com a cabeça virada para o lado esquerdo.
Medicina em Harvard, por que não?
Durante toda a conversa de quase duas horas, uma coisa foi constante nas falas de Débora: o sonho de cursar medicina. Isso é o que sempre a moveu para superar as dificuldades do passado e é o que ainda a move para superar mais esta.
Agora, Débora decidiu que quer fazer o curso em Harvard, universidade americana que fica na cidade de Boston, no estado de Massachusetts. Um dos motivos, ela brinca, é não ter que enfrentar o sol o tempo todo. Outro, é intelectual: “Eu quero desenvolver a neurociência com tecnologia. Eu quero ter acesso à tecnologia, eu tenho sede daquilo”.
Para atingir seu objetivo ela está focada em desenvolver seu inglês, mas como não tem dinheiro para pagar um curso de idiomas, ela estuda por conta própria. Seu método, porém, é um pouco diferente. Ao invés de fazer exercícios tradicionais, Débora estuda física, química e matemática na língua estrangeira.
Enquanto seu sonho não se concretiza, Débora desenvolve alguns projetos paralelos. Além das inúmeras entrevistas que tem concedido, do que mostra da sua vida em seu perfil do Instagram e das palestras que dá em escolas públicas, ela começou a escrever um livro.
Débora conta que não sabe quando ou se irá publicar o registro, mas já sabe o título: “Uma hora eu chego em casa”. Ela explica que o nome é uma referência a um dia específico deste ano em que aprendeu muitas coisas. Não dá detalhes, porém, sobre o que teria acontecido, mas diz que explicará no livro.
Quando perguntada de onde tira forças para continuar indo tão ferozmente atrás de seu sonho, ela responde que acredita em seu valor. “O problema das pessoas é que às vezes elas não se acham importantes. Não existe sociedade sem as pessoas. E eu sei que eu sou importante para essa área, porque eu vou desenvolver essa área. Eu quero dar a minha vida para salvar vidas. Eu vou fazer de tudo para isso. Eu vou persistir até conseguir, porque eu sei que isso não vai fazer diferença só para mim, mas para muita gente”.
Nacional
Eleições 2026: regras do TSE sobre IA impactam as campanhas de 2026
Resolução em vigor permite ao tribunal punir manipulação digital e amplia vigilância sobre campanhas e redes sociais

Enquanto a regulamentação geral da inteligência artificial segue represada no Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assume o protagonismo ao fechar o cerco jurídico sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026. Amparada pela Resolução nº 23.732, em vigor desde 2024, a Justiça Eleitoral já dispõe de instrumentos normativos para banir deepfakes, exigir a identificação de materiais sintéticos e enquadrar estratégias digitais de partidos e candidatos.
De acordo com Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital na ESPM, FAAP e Insper, as diretrizes do tribunal suprem uma lacuna crucial deixada pela lentidão do Legislativo na votação do Marco Legal da IA (PL 2338/2023). “O TSE exerce o poder de polícia, o que permite regulamentar e fiscalizar condutas no processo eleitoral de forma ágil. Na prática, mesmo com a tramitação da lei geral em curso, o pleito deste ano já conta com uma normatização plenamente válida e com eficácia de lei”, destaca o especialista.
Na avaliação do jurista, o arcabouço consegue delimitar a fronteira entre o uso legítimo da ferramenta nas campanhas, como a edição técnica de materiais e a automação de processos, e a criação de peças manipuladas para induzir o eleitor ao erro. A norma prevê sanções severas nos casos em que a irregularidade for comprovada.
Um dos pontos centrais da norma é a exigência de rotulagem, onde todo material produzido por IA precisa trazer um sinal visual ou sonoro explícito, como marca d’água. O ônus de provar eventual falsificação, no entanto, cabe ao denunciante, cabendo à Justiça analisar cada representação individualmente, sob os critérios de contexto, finalidade e impacto do dano.
As resoluções também elevam o cerco sobre as plataformas digitais, exigindo credenciamento formal, transparência quanto aos financiadores de impulsionamentos e filtros rígidos para a promoção de anúncios. Em situações específicas, as próprias redes sociais poderão ser responsabilizadas pelo material pago que veiculam.
Para consolidar as diretrizes do pleito, a Justiça Eleitoral optou por atualizar mecanismos de remoção ágil de publicações nocivas sem alterar o texto-base de IA aprovado em 2024. A decisão sinaliza que a prioridade do TSE em 2026 não é expandir a regulamentação sobre as ferramentas, mas focar na fiscalização e na responsabilização prática dos infratores.
Apesar do rigor, Opice Blum pondera que o principal desafio dos magistrados será coibir a manipulação digital sem comprometer o debate público. “Não há uma solução binária. A avaliação será sempre contextual, ponderando se a manifestação está protegida pela liberdade de expressão ou se houve propósito ilícito”, conclui.
Sobre o Opice Blum
Opice Blum Advogados é sinônimo de inovação digital. Desde 1997, o escritório é parceiro de seus clientes, redefinindo os limites do possível e trazendo novas estratégias para novas necessidades. Com um time de advogados especialistas, o escritório está onde a transformação acontece e se destaca pela excelência em áreas capazes de impactar positivamente os setores em que atua, como Proteção de Dados, Segurança da Informação, Contencioso Digital e Legal Innovation, entre outras.
Nacional
Novo Caged: Brasil registra saldo de 145,1 mil empregos formais em junho
Levantamento mensal apresenta informações sobre o mercado de trabalho no país

Cuiabá liderou a geração de empregos com 848 novos postos, seguida por Várzea Grande, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cocalinho – Foto por: Secom/MT
O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou nesta quarta-feira (29/7) os dados do Novo Caged relativos a junho de 2026. De acordo com o levantamento, o mercado formal de trabalho registrou, no mês passado, saldo de 145.161 postos de trabalho, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos.
No acumulado do ano, de janeiro a junho de 2026, o saldo registrado é de 921.645 vagas formais. Nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo foi de 963.921 empregos com carteira assinada.
GRUPOS ECONÔMICOS – Os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas tiveram saldos positivos em junho. O setor de Serviços registrou 74.514 novos postos de trabalho. O resultado decorreu, principalmente, das atividades Administrativas e Serviços Complementares (26.634); Saúde Humana e Serviços Sociais (20.436); e Transporte, Armazenagem e Correio (16.217).
Em seguida aparecem os setores de Agropecuária (22.898), Comércio (19.177), Indústria (14.438) e Construção (12.136).
UNIDADES DA FEDERAÇÃO – Em junho deste ano, 25 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo. Os maiores foram em São Paulo, com 34.981 novos empregos formais, Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856). Em termos relativos, a maior variação percentual ocorreu no Amapá (1,04%), seguido pelo Acre, com alta de 0,88%, e Mato Grosso, com 0,85%.
GRUPOS POPULACIONAIS – No recorte populacional, as mulheres foram responsáveis por um saldo de 72.592 vagas e os homens por 72.569 postos. A população de até 24 anos teve o maior saldo positivo, com 125.430 postos.
No recorte por escolaridade, pessoas com ensino médio completo tiveram saldo de 109.255, seguidos pelo nível médio incompleto, com 15.185. Na análise por raça, o saldo foi de 106.176 para pardos; 28.636 para brancos; 20.199 para pretos; e 776 para indígenas. O saldo foi negativo para amarelos (-66) e para vínculos sem informação de etnia e raça (-10.563).
SALÁRIOS – O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. Para os trabalhadores considerados típicos, o salário real de admissão foi de R$ 2.446,27, enquanto para os trabalhadores não típicos foi de R$ 2.101,51.
EMPREGO NO ANO — De janeiro a junho de 2026, o saldo foi positivo em quatro dos cinco
grandes grupamentos de atividades econômicas. O destaque foi o setor de Serviços, que
gerou 571.926 postos formais no semestre (+2,5%), especialmente nas atividades de
administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais,
responsáveis por 208.737 empregos no primeiro semestre do ano.
A Construção gerou 168.962 postos de trabalho, crescimento de 5,73%, com maior expansão nas atividades de Obras de Infraestrutura (+64.793) e Construção de Edifícios (+60.552). A Indústria apresentou saldo de 143.442 postos (+1,6%) e a Agropecuária registrou saldo positivo de 40.853 novas vagas. O Comércio foi o único setor com saldo negativo, registrando redução de 3.514 postos de trabalho no acumulado do ano.
Nas Unidades da Federação, os maiores saldos no acumulado de 2026 foram registrados em São Paulo (252.558), Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Em termos relativos, as maiores variações positivas ocorreram no Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%).
Nacional
Por que gritos e punições físicas não contribuem para o desenvolvimento emocional da criança

Portrait of mother and son happy cuddle together in the park. Family concept.
Atualmente, grande parte dos pais reconhece a importância do diálogo na educação de seus filhos, porém, muitos deles ainda recorrem aos gritos e às punições como método de solução de conflitos. Uma pesquisa do Instituto Futuro para a Infância (IFI), em parceria com a Quaest, revelou que 62% dos brasileiros já gritaram com crianças e quase metade admitiu ter utilizado punições físicas como forma de disciplina.
Para a pedagoga Andreia Dichelli, supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil, os dados evidenciam um desafio comum na parentalidade: transformar o conhecimento sobre práticas educativas mais respeitosas em atitudes concretas no dia a dia.
De acordo com a especialista, mesmo que um grito possa interromper um comportamento momentaneamente, ele não ensina nem ajuda a criança a desenvolver habilidades socioemocionais fundamentais, que são essenciais para a vida.
“A infância é o período em que a criança aprende principalmente por meio do exemplo. Ela observa como os adultos resolvem conflitos, expressam emoções e se relacionam com as pessoas. Quando é educada por meio de gritos ou punições físicas, tende a compreender que essa é uma forma aceitável de lidar com as dificuldades”, comenta Andreia.
A especialista explica que a obediência conquistada pelo medo costuma ser imediata, mas passageira porque raramente gera aprendizado. O grito pode até interromper uma atitude, porque assusta a criança, mas isso não significa que ela tenha compreendido porque aquele comportamento não era adequado. Na maioria das vezes, ela apenas reage ao medo.
Além disso, esse tipo de estratégia pode dificultar o desenvolvimento da autorregulação emocional e influenciar a forma como a criança passará a lidar com conflitos ao longo da vida.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Ela também ressalta que, a longo prazo, esse tipo de estratégia é prejudicial para o desenvolvimento da autorregulação emocional da criança e influencia a forma como ela irá se relacionar com outras pessoas.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Limites sem violência
Para Andreia, estabelecer regras e dizer “não” continua sendo uma das principais responsabilidades da família. A diferença está na forma como esses limites são apresentados.
“Ser firme não significa ser agressivo. Uma atitude simples e muito eficaz é abaixar-se para ficar na altura da criança, estabelecer contato visual e falar com uma voz calma, mas segura. Depois, é importante procurar compreender o que aconteceu e ajudar a criança a reconhecer e nomear aquilo que está sentindo”, sugere Andreia.
Segundo ela, acolher emoções como tristeza, medo, frustração e raiva, sem abrir mão de regras claras e consistentes, ajuda a criança a desenvolver recursos para lidar com esses sentimentos de maneira saudável.
E quando o adulto perde a paciência?
Andreia lembra que nenhum cuidador é perfeito e que perder a paciência eventualmente faz parte da experiência de educar. Nesses casos, reparar a relação é tão importante quanto estabelecer limites.
“Quando o adulto reconhece o erro, explica o que aconteceu e pede desculpas quando necessário, a criança aprende algo importante: todo mundo erra, mas é possível assumir isso e reconstruir a relação através do diálogo”, aponta a supervisora pedagógica.
Para a especialista, reconhecer o erro fortalece a confiança entre adultos e crianças e transforma um momento difícil em uma oportunidade de aprendizado. Ao mostrar que é possível lidar com sentimentos como raiva, frustração e tristeza sem recorrer a gritos ou violência, os adultos ensinam, na prática, uma das habilidades mais importantes da infância: resolver conflitos com respeito, empatia e inteligência emocional.
Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma rede pioneira dedicada exclusivamente à Educação Infantil, com atuação voltada à valorização da primeira infância como uma fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das crianças. Com 36 unidades distribuídas na capital paulista, Grande São Paulo e interior do Estado de São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores. Especializado no atendimento de crianças de 4 meses a 6 anos, o Fadelito possui metodologia própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar e aprimorada continuamente a partir de estudos e novas descobertas da Educação Infantil. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa multidisciplinar criado para bebês do berçário, que integra conhecimentos de Pediatria, Fisioterapia e Pedagogia para estimular, de forma planejada e respeitosa, o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social de cada criança, considerando as particularidades de cada fase da primeira infância. Mais do que uma rede de escolas, o Fadelito trabalha ativamente para fortalecer a compreensão de que investir nos primeiros anos de vida é investir no desenvolvimento humano e no futuro da sociedade.
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