Mato Grosso
Altares remanescentes da Catedral demolida são destaque na cerimônia de reabertura do Museu de Arte Sacra
Após dois longos anos, o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso (MAS-MT) está com as portas abertas novamente. Com novas alas, mais acessibilidade e um acervo de valor imensurável, a população poderá visitá-lo de quarta-feira a domingo, sempre das 9h às 17h.
Na cerimônia de reabertura, que começou cerca de 20h, o calor de quase 40° parecia não incomodar os visitantes que transitavam pelas galerias bem iluminadas do velho-novo museu, fundado em 1980.
Ao lado da Igreja do Bom Despacho, no complexo Seminário Nossa Senhora da Conceição, edificado 1858, personalidades políticas e religiosas, agentes culturais e entusiastas estiveram presentes na cerimônia que abalizou a reinauguração deste que é um dos mais importantes patrimônios da tricentenária Cuiabá.
Presente na reabertura do Museu, o governador Mauro Mendes disse que é muito importante para a sociedade valorizar sua cultura e revisitar sua história sempre.
“Nenhum povo é capaz de caminhar em direção ao futuro sem compreender o presente e valorizar o passado. Estamos escrevendo a história agora também. Aquilo que seremos no futuro depende muito da nossa capacidade de compreender os desafios, tomar as decisões certas, arregaçar as mangas e trabalhamos juntos. Hoje estamos dando um passo importante, uma demonstração de que valorizamos e valorizaremos sempre todos aqueles que contribuíram e contribuem para a preservação da nossa cultura”.
Um dos grandes destaques dessa nova fase do Museu é a ala reservada aos retábulos da antiga catedral, Igreja Bom Jesus de Cuiabá. São dois altares dos séculos XVIII e XIX, de 8 metros de altura cada, um neoclássico e outros barroco rococó, expostos pela primeira vez desde que a antiga Catedral foi demolida, em 1968.
A coordenadora do MAS-MT, Viviene Lozi, comemora. “Estamos imensamente felizes por trazer este museu de volta à visitação. E mais felizes ainda por poder entregar também esses retábulos, tão representativos para a nossa história e nossa identidade”.
Segundo ela, há mais novidades pela frente. No aniversário de 300 anos de Cuiabá, serão entregues outros dois retábulos barrocos da antiga Catedral. “Só tenho a agradecer pela confiança que o poder público depositou na instituição que já está à frente do museu há uma década”, referindo-se à Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso.
Para o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Allan Kardec, fa retomada do museu é uma prova de que todos os esforços da atual gestão estarão voltados de maneira bastante sensível para o patrimônio histórico e cultural. “Queremos fazer muito mais pelas artes e pelos agentes da cultura. É certo que já estamos nos organizando para reabrir outros equipamentos culturais tão importantes quanto este”.
Ele ressaltou a importância da restauração dos retábulos, da conservação do acervo de peças de arte sacra e relembrou que o espaço é de uma riqueza histórica ímpar. “Há um século, esta era a morada de Dom Aquino Corrêa e hoje, o Museu salvaguarda parte de sua memorabília e conserva itens que trazem à memória outros importantes períodos da história mato-grossense. É uma honra poder participar deste momento”.
À ocasião da reabertura, foi lançado o livro “Museu de Arte Sacra – Três décadas de Preservação, Valorização e Educação”, publicação que traz toda a historiografia desse museu que completa 39 anos em março. O livro, organizado pelos professores Renilson Rosa, Cristiane Thais do Amaral e pela diretora do MASMT, Viviene Lozi, revela os trabalhos desenvolvidos no museu nas últimas três décadas.
Serviço
O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso fica na Praça do Seminário, na Rua Clóvis Hugney, 239, bairro Dom Aquino. Aberto à visitação de quarta-feira a domingo, das 9h às 17h. Ingresso a R$5. Outras informações: (65) 3646-9101
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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