Mato Grosso
Aripuanã pede reabertura de cadeia pública
O diretor do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de Mato Grosso – Sinpol-MT, sub sede de Juína, Jean Adriano Meira Teixeira, participou de uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (31), em Aripuanã (1.200 km de Cuiabá), para discutir as consequências do fechamento da cadeia pública da cidade. Participaram ainda o deputado estadual João Batista (Pros), representantes do Sindicato dos Servidores Penitenciários – Sindspen, OAB local e membros da comunidade.
A principal conclusão foi a sobrecarga de trabalho que atingiu os quatro investigadores de Polícia daquela cidade, que a partir de agora são obrigados a conduzir presos para outras cidades. As duas opões mais próximas são Colniza e Juína, uma a 150 km e a outra a 250 km de Aripuanã, um percurso que de ida e volta pode demorar quase um dia, dependendo do estado da rodovia não pavimentada.
O comprometimento da atividade fim do investigador de Polícia é o pior efeito do fechamento da delegacia. A função do investigador é investigar ilícitos penais, mas se apenas quatro profissionais precisam fazer o trabalho que antes era feito por agentes prisionais, e ainda devem cuidar do prédio e registrar boletins de ocorrência, está claro que o policial ficou sobrecarregado, disse Meira, lembrando que isso não é justo e nem sensato.
Além do mais, os policiais civis de Aripuanã não contam com viatura adequada para o transporte de preso, já por si só uma atividade de risco, principalmente levando-se em conta que um ou no máximo dois investigadores são incumbidos de cada viagem.
A conclusão das discussões foi que a cadeia de Aripuanã precisa ser reaberta imediatamente. De acordo com o diretor da sub sede do Sinpol-MT de Juína, os participantes decidiram encaminhar um documento ao governo pedindo que a cadeia seja reativada com a maior urgência possível.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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