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Mato Grosso

Audiência de Custódia: ciclo de diálogos discute avanços e desafios nos 7 anos da implantação

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Superlotação dos presídios, alto número de presos provisórios, elevada taxa de reincidência criminal e desrespeito a determinações de Tratados Internacionais de Direitos Humanos, dos quais o Brasil é signatário, são alguns dos problemas citados pelas autoridades que atuam no Sistema de Justiça que precisam ser combatidos. Em Mato Grosso, uma das medidas adotadas para mudar este cenário foi a implantação, em julho de 2015, das audiências de custódia.
 
Para marcar a data, o Poder Judiciário, por meio do Grupo de Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), realiza o I Ciclo de Diálogo sobre audiências de custódia – 7 anos em Mato Grosso. A abertura do ciclo ocorreu na manhã desta segunda-feira (15), no Auditório Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça. “Mato Grosso foi o segundo Estado a implantar a Audiência de Custodia, já são sete anos de implantação desse instrumento, mas sempre precisamos pensar em avanços. A Justiça brasileira prende muito e prende mal e isso tem nefastas influencias na vida e no destino dos réus”, avaliou o Supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri.
 
Perri afirmou que uma das maiores causas de encarceramento é a reincidência. “A maioria dos nossos presos está presa por conta da reincidência, muitas vezes por um crime pequeno banal, um crime de furto, receptação. A reincidência mostra que o Estado está falhando na ressocialização”, criticou. “A pessoa que cumpre sua pena e depois volta a delinquir mostra uma ineficiência do Estado na ressocialização, que é o principal objetivo da pena. O GMF está trabalhando fortemente para diminuir a reincidência e só podemos fazer isso com capacitação, profissionalização e oferecendo dignidade aos nossos reeducandos”, cita.
 
O desembargador afirma que a audiência de custódia é um instrumento importante que foi implantado por Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e depois, com o pacote Anticrime (Lei Nº. 13.964/2019), tornou-se medida obrigatória. “Vejo como valiosíssimo instrumento das liberdades individuais do cidadão brasileiro. É preciso que o juiz leve a sério a máxima de que a prisão deve ser a última das últimas medidas a se adotar no processo”, defendeu.
 
O magistrado citou que a estrutura da Comarca de Cuiabá é exemplo par ao país. “A pessoa que entra numa audiência de custódia aqui em Cuiabá passa por um médico legista, enfermeira, assistente social, psicólogo. Precisamos expandir esse tipo de instrumento para todos os juízes do Estado de Mato Grosso, tanto quanto possível, temos que ir avançando”, argumentou.
 
Público-alvo – Direcionado aos profissionais que atuam na área de execução penal (equipe técnica, policiais penais e servidores do Judiciário), Policia Militar, Politec, Polícia Civil, o Ciclo continuará com encontros virtuais (às segundas-feiras) até 19 de setembro. Ao todo seis temas que fazem parte da coleção “Fortalecimento das Audiências de Custódia” do CNJ serão abordados: audiências de custódia; monitoração eletrônica; uso de algemas; tortura; tomada de decisões; proteção social.
 
O secretário-adjunto de Administração Penitenciária (SAAP), Jean Carlos Gonçalves, destacou que o advento da audiência de custódia serviu como controle da “porta de entrada” no âmbito do sistema penitenciário. “Conheço bem a realidade do nosso Estado, temos dimensões continentais e precisamos de aparelhamento para que a audiência de custódia possa funcionar na sua totalidade”, apontou.
 
O secretário-adjunto informou que Mato Grosso registrou um decréscimo na população carcerária. “Em 2012 tínhamos entre 11.500 a 12.500 pessoas presas no Sistema Penitenciário do Mato Grosso. Hoje esse número está entre 1.100 a 1.200 pessoas, mas o grande desafio do Sistema Penitenciário brasileiro, não só de Mato Grosso, é o elevado número de presos provisórios. Estudos mostram que quase 80% das pessoas encarceradas provisoriamente, quando sentenciadas são condenadas a um regime diferente do que o fechado ou pior, o tempo que ele ficou preso esperando julgamento já é superior a pena recebida.”
 
Jean Carlos destaca que há regiões no Estado com média de 70% de presos provisórios. “Em uma regional, o número de presos provisórios chegou a 82% nas cadeias. Se resolvermos este problema acabamos com a superlotação, que impede o desenvolvimento de políticas públicas e de assistência. Impede com que os gestores cumpram o que a legislação prevê”.
 
Moção de Agradecimento – Durante a abertura do evento, o GMF entregou à desembargadora Maria Erotides Kneip uma Moção de Agradecimento em reconhecimento aos serviços prestados ao Estado de Mato Grosso desde a implantação da audiência de custódia no ano de 2015, quando era corregedora-geral da Justiça do TJMT, com base na adesão pelo governo do Estado e pelo Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso ao Termo de Cooperação Técnica n 007/2015, firmado entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério da Justiça e o Instituto de Defesa do Direito de Defesa.
 
“Mato Grosso foi o segundo Estado brasileiro que buscou junto ao coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF/CNJ), Luís Geraldo Lanfredi e ao ministro Ricardo Lewandowski, a implantação da audiência de custódia. E neste espaço foi realizada a primeira audiência de custódia de Mato Grosso, no dia 24 de julho de 2015, seis meses antes da Resolução CNJ, que implantou o instrumento. Quem presidiu essa audiência , junto com o ministro Lewandowski, foi o juiz Marcos Faleiros. O réu tinha sido preso por dirigir embriagado e após passar por audiência ele respondeu o processo em liberdade e já saiu daqui empregado. São coisas que mostram a imprescindibilidade da audiência de custodia”, lembrou a desembargadora, que fez um relato da implantação do instrumento no Estado.
 
Capacitação – O Ciclo atende as ações pactuadas entre o TJMT e o Programa Fazendo Justiça do CNJ, por meio do Termo de Cooperação Técnica nº11/2020 – SEI N. 02842/2019, no que tange à ação das audiências de custódia. A aula inaugural foi ministrada pela coordenadora das audiências de custódia de Mato Grosso, Caroline Pitanga. “O programa Fazendo Justiça presta apoio às audiências de custódia dentro do bojo das ações que foi pactuada com o Poder Judiciário. Então a ideia é trazer mais dignidade para o sistema penitenciário, desde a porta entrada, que é a audiência de custódia até a porta de saída, por isso o programa tem uma série de ações pactuadas e dentro dessas ações, uma série de capacitações e nesse sentido o programa presta apoio ao GMF para realização deste evento”.
 
O programa atua para a superação de desafios estruturais do sistema penal e do sistema socioeducativo, a partir do reconhecimento do estado de coisas inconstitucional nas prisões brasileiras pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Fazendo Justiça compreende um plano nacional com 28 ações para as diferentes fases do ciclo penal e do ciclo socioeducativo, adaptado à realidade de cada unidade da federação com o protagonismo dos atores locais. As ações reúnem as melhores práticas de diferentes gestões do CNJ e se desdobram em apoio técnico, doação de insumos e articulação institucional.
 
O I Ciclo de Diálogos sobre as Audiências de Custódia: 7 Anos em Mato Grosso é realizado em parceria com a Coordenadoria de Ensino Penitenciário (ACADEPOLP/MT), com apoios da Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso; Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (ESMAGIS); Programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
 
O coordenador de Ensino e Aperfeiçoamento do Servidor Penitenciário, policial penal Jonathan Francisco Pereira, também participou da atividade, assim como a promotora de Justiça, Josane Fátima de Carvalho Guariente; defensor público José Carlos Evangelista Miranda Santos; médico legista na Perícia Oficial e Identificação (Politec), Eduardo Andraus Filho; diretora executiva do Escritório Social, Beatriz Fátima Dziobat, presidente da Funac, Winkler de Freitas Teles; diretor da Escola Superior da Defensoria Pública, defensor público Fernando Soubhia; delegado Carlos Francisco de Moraes, superintendente de políticas penitenciárias da Secretaria de Administração Penitenciária (Saap), Fabiana Thiel, gerente de Custodia da SAAP-MT, Wagner Safe, delegado Juliano Silva de Carvalho.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens: Foto1: Horizontal e colorida do dispositivo de autoridades na abertura do evento. Foto 2: Horizontal e colorida do desembargador Orlando Perri entregando a Moção de Aplausos à desembargadora Maria Erotides.
 
No link abaixo você lê outras matérias sobre o tema Audiências de Custódia.
 
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso

Rumo abre 28 vagas de emprego para o novo terminal ferroviário da BR-070, na região de Primavera do Leste

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Oportunidades não exigem experiência profissional e incluem oito vagas destinadas a pessoas com deficiência; todos os candidatos devem ter ensino médio completo

Foto-Assessoria

A Rumo, maior operadora de logística ferroviária do país, está com 28 vagas de emprego abertas para o cargo de Operador de Terminal I, na região de Primavera do Leste, no sudeste de Mato Grosso. As oportunidades são para atuação no novo terminal ferroviário da BR-070, localizado no município de Dom Aquino, e não exigem experiência profissional. Do total de vagas, oito são destinadas a pessoas com deficiência (PCDs).

De acordo com a empresa, para concorrer às vagas, é preciso ter ensino médio completo, idade mínima de 18 anos e disponibilidade para trabalhar em turnos. Não é exigida experiência anterior.

Os profissionais contratados vão atuar diretamente na rotina operacional do terminal, auxiliando no carregamento e descarregamento de caminhões e vagões, no escoamento de produtos e na organização e limpeza das áreas de trabalho, de acordo com os procedimentos de segurança da operação.

Como será a seleção de candidatos às vagas?

O processo seletivo será realizado pela empresa Help Recrutamentos em parceria com a Rumo. Os interessados podem entrar em contato pelos telefones (66) 99230-2727 ou (66) 99283-6714 para obter informações sobre a participação do processo seletivo, inclusive detalhes sobre valores e horários.

Expansão das atividades da Rumo em Mato Grosso – As contratações ocorrem em um momento de ampliação da presença da Rumo na região sudeste de Mato Grosso. Inaugurado em junho deste ano, o Terminal da BR-070 integra a primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso e está localizado em um ponto estratégico para o escoamento da produção agrícola da região de Primavera do Leste.

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Com capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho, o terminal amplia a infraestrutura logística disponível para o escoamento das safras e também cria novas oportunidades de trabalho para os municípios localizados na região.

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Mato Grosso

Prefeitura de Colíder e Senac-MT firmam parceria para oferta de cursos profissionalizantes

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Iniciativa prevê formações nas áreas de saúde, tecnologia, beleza, agronegócio, segurança do trabalho, gestão, comércio e serviços, entre outros segmentos, em 2027

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT) e a Prefeitura de Colíder formalizaram, na tarde desta terça-feira (6), uma parceria para ampliar a oferta de cursos profissionalizantes no município, localizado a cerca de 650 quilômetros de Cuiabá. As ações estão previstas para 2027 e deverão contemplar a comunidade em geral, incluindo pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A iniciativa foi discutida durante encontro entre representantes do Poder Executivo municipal e do Senac-MT, com a participação do diretor regional da instituição, Igor Cunha; da gerente do Senac Colíder, Irisnéia de Moura; do prefeito Rodrigo Luiz Benassi; além de gestores, assessores e equipes técnicas das duas administrações.

O planejamento contempla a oferta de cursos de capacitação e formação profissional para a comunidade, desde formações de curta duração até especializações e cursos técnicos. A proposta busca atender diferentes perfis e necessidades, ampliando as possibilidades de acesso à educação profissional e de preparação para o mercado de trabalho.

Para o presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, investir em qualificação profissional significa criar condições para que o desenvolvimento econômico dos municípios também se transforme em oportunidades para a população.

“O desenvolvimento de uma cidade passa necessariamente pela qualificação das pessoas. Quando aproximamos o Senac do poder público, das empresas e da comunidade, conseguimos transformar as necessidades do mercado em oportunidades concretas de formação, emprego, renda e desenvolvimento social”, afirma Tião da Zaeli.

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A definição das formações considera as características do mercado de trabalho local e as demandas apresentadas por empresas, pelo setor produtivo, por parceiros institucionais e pela própria comunidade. Entre as áreas contempladas estão saúde, tecnologia da informação, beleza, agronegócio, segurança do trabalho e informática, além de possibilidades de formação em gestão, comércio, turismo, inovação e indústria.

Segundo Igor Cunha, a construção conjunta com o município permite direcionar a atuação da instituição às necessidades concretas da população e do setor produtivo.

“Nosso objetivo é garantir que cada formação tenha conexão com as oportunidades que existem e com as novas demandas que estão surgindo em Colíder. O Senac-MT está fortalecendo sua atuação junto aos municípios e ao setor produtivo para formar profissionais preparados para as transformações do mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, apoiar as empresas que precisam de mão de obra cada vez mais qualificada”, destaca o dirigente.

Além da oferta voltada à comunidade em geral, o planejamento prevê atenção especial aos públicos que enfrentam maiores barreiras de acesso à qualificação profissional. Parte das ações deverá contemplar pessoas atendidas pela rede socioassistencial do município, incluindo públicos acompanhados pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e por outros serviços de assistência social.

Para a gerente do Senac Colíder, Irisnéia de Moura, a iniciativa representa um avanço na parceria entre a instituição, o poder público, as empresas e a população.

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“Nós conhecemos de perto a realidade de Colíder, conversamos com empresários, parceiros e com a própria comunidade e sabemos o quanto a qualificação pode mudar trajetórias. Serão oportunidades para que as pessoas desenvolvam novas habilidades, conquistem uma profissão, retornem ao mercado de trabalho ou avancem em suas carreiras. Teremos ainda um olhar especial para quem está em situação de vulnerabilidade, fazendo com que a educação profissional chegue também a quem mais precisa de uma oportunidade”, ressalta a gerente.

Também participaram da reunião os assessores de diretoria do Senac-MT, Robério Dias e Leonardo Lima; o engenheiro da instituição, Felipe Gaona; e o consultor de vendas do Senac Colíder, João Alves.

A programação detalhada, os requisitos para participação, o cronograma e as formas de inscrição nos cursos serão divulgados posteriormente pelos canais oficiais da Prefeitura de Colíder e do Senac-MT.

O Sistema Comércio de Mato Grosso é integrado pela Fecomércio-MT, Sesc-MT e Senac-MT e é filiado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.

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Mato Grosso

No Mato Grosso, três em cada dez mulheres viveram situações de violência doméstica em 12 meses sem declará-las como violência

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Atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero com dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher permite comparar o cenário de violência doméstica declarada e não declarada entre as unidades da Federação

O Mapa Nacional da Violência de Gênero, recém-atualizado com os resultados por unidade da Federação da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, aponta que Mato Grosso registra 29% de mulheres que relataram ter vivido, nos 12 meses anteriores à pesquisa, ao menos uma das situações concretas de violência investigadas, embora não tenham declarado espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar. O resultado do estado oscila dentro da margem de erro da estimativa do país (29%), o que não permite classificá-lo como distinto do patamar nacional.

A análise, possível pelo cruzamento de dados — uma das premissas do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), o Instituto Natura e a Gênero e Número —, evidencia a distância entre a violência vivenciada pelas mulheres e aquela que chega aos registros oficiais e, consequentemente, ao alcance das políticas públicas de proteção e acolhimento.

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, tem propósito semelhante: investigar o problema além das estatísticas oficiais do país. O levantamento ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A pesquisa tem amostra probabilística e nível de confiança de 95%.

“Ampliar a Rede de Proteção é fundamental, mas os dados mostram que precisamos olhar também para o que acontece antes de a mulher chegar na Rede. Uma política pública só consegue proteger plenamente quando as mulheres têm informação para reconhecer a violência, conhecem seus direitos e encontram caminhos acessíveis e seguros para buscar ajuda”, afirma Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.

Gráfico 1 – Percentual de mulheres que vivenciaram situações de violência nos últimos 12 meses sem declará-las espontaneamente, por unidade da Federação

O levantamento realizado pelo DataSenado revela que 33% das mato-grossenses já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Entre o total de mulheres entrevistadas em Mato Grosso, 14% relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, realizada em 2025. Entre as mulheres que declararam ter sofrido violência provocada por um homem, 88% relataram violência psicológica, 84% violência física e 70% violência moral. Em 59% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão. Do total de vítimas no estado, 10% ainda convivem com a pessoa que as agrediu e, destas, 79% moram com o agressor.

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Nas situações de violência mais grave, 59% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ciúmes, 52% disseram que ele estava inconformado com o término ou tentativa de término do relacionamento e 43% relataram que ele estava bêbado. Já para 82% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão. O impacto na rotina diária foi sentido por 72% das vítimas, enquanto 68% disseram que o convívio com outras pessoas foi afetado, 45% disseram que seus estudos foram impactados e 43% relataram impactos na vida profissional ou trabalho remunerado.

“Os dados ajudam a romper com uma leitura da violência doméstica como um episódio isolado e que a violência não termina quando a agressão acaba. Ela reorganiza a rotina, afeta relações, trabalho, renda e as possibilidades que uma mulher tem de tomar decisões sobre a própria vida. Quando olhamos para esses dados em conjunto, conseguimos entender que enfrentar a violência de gênero exige mais do que responder à agressão: exige políticas capazes de olhar para as condições que permitem que essas mulheres reconstruam suas vidas”, afirma Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número.

A pesquisa aponta que em Mato Grosso o conhecimento sobre os instrumentos de proteção permanece limitado. Embora 97% das mulheres tenham afirmado conhecer ou já ter ouvido falar da Defensoria Pública e 93% da Delegacia da Mulher, 70% dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 8% afirmam não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 69% relatam conhecê-las pouco e 15% afirmam não ter conhecimento sobre o recurso (somando 84% com conhecimento superficial ou inexistente).

A Defensoria Pública é o serviço de proteção mais conhecido pelas mato-grossenses, citado por 97% das entrevistadas, seguida pela Delegacia da Mulher, com 93%, pelo CRAS ou CREAS, com 85%, e pelo Ligue 180, com 79%. Ao mesmo tempo, 73% afirmam conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar. Os dados indicam ainda que 82% das mato-grossenses perceberam aumento da violência doméstica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores à pesquisa e que 69% enxergam o Brasil como um país “muito machista”.

No Brasil, 93,6% das vítima não reconheceram a violência doméstica como tal ou não buscaram proteção policial

Das quase 29 milhões de mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 24,97 milhões de mulheres, cerca de 87%, relataram situações concretas de violência sem nomeá-las espontaneamente como violência. Quando se soma a esse grupo 1,87 milhão de mulheres que declararam ter sofrido violência, mas não acionaram a delegacia, o Ligue 180 ou o 190, chega-se a 26,84 milhões de brasileiras, ou 93,6% das vítimas na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial.

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Para Beatriz Accioly, Gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura, esses dados mostram que o problema é maior do que os registros oficiais conseguem captar. Muitas mulheres vivem situações de violência sem nomeá-las dessa forma e isso significa que a necessidade real de proteção e atendimento é muito maior do que a que hoje chega às delegacias, aos serviços de saúde e à Justiça.

“Para quase 25 milhões de brasileiras, a violência aparece apenas quando perguntamos o que aconteceu, mas desaparece quando perguntamos diretamente se elas sofreram violência. Isso revela uma barreira anterior ao próprio acesso à política pública: reconhecer e nomear o que se está vivendo. Se a mulher não reconhece o que vive como violência, torna-se muito mais difícil procurar proteção e acolhimento. Por isso, informação de qualidade não é algo acessório: é parte fundamental de qualquer política pública de enfrentamento à violência contra as mulheres. Não basta que a rede esteja preparada para acolher quem chega; precisamos também criar caminhos para alcançar quem ainda não consegue reconhecer que pode buscar ajuda”, afirma Beatriz.

De acordo com o levantamento, apenas 4% das brasileiras declararam ter sofrido violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Porém, ao serem questionadas sobre situações específicas de violência, sem que o termo fosse citado na pergunta, esse percentual sobe para 33% das brasileiras que relatam experiências compatíveis com violência doméstica. Isso significa que 29% da população feminina brasileira vivenciaram essas situações sem identificá-las e nomeá-las espontaneamente como violência.

“Creio que a grande contribuição do Senado Federal seja revelar a realidade da violência doméstica contra as mulheres, em todas as unidades da Federação, e, mais importante, expor claramente como esta realidade ainda está muito distante dos registros oficiais de todas estas localidades, logo, do alcance de políticas públicas efetivas. O Mapa Nacional não é apenas mais um agregador de dados sobre o tema, ao contrário, é talvez o principal instrumento público, efetivo, capaz de expor, comparar, confrontar e mudar a realidade vivida, a cada 12 meses, pelas mulheres no Brasil”, afirma José Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado.

Acesse o Mapa e a Pesquisa.

SOBRE O DATASENADO

O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento tem o método, a responsabilidade técnica estatística e a produção de resultados realizada pelo instituto e integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país. (senado.leg.br/datasenado)

SOBRE O OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA

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Criado em 2016 pelo Senado Federal, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, atua na produção e integração de informações que subsidiam políticas públicas e fomenta o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres. (senado.leg.br/omv)

SOBRE O MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO

O recorte estadual da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher estará disponível, a partir de 25/8*, na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero. O Mapa é resultado da união de esforços de muitas mãos e corações. A ideia de fazer diferente, de construir algo relevante, motivou organizações, profissionais e vontades, todos com um único propósito: criar uma ferramenta poderosa na luta contra a violência que atinge mulheres e meninas. Realizado por meio da cooperação entre Estado, sociedade civil e imprensa, o projeto é fruto da parceria entre o Senado Federal (representado pelo Observatório da Mulher e DataSenado), o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa dedicada à integração e à transparência dos principais dados sobre a violência de gênero no Brasil. (senado.leg.br/mapadaviolencia)

SOBRE O INSTITUTO NATURA

Fundado em 2010 no Brasil, o Instituto Natura é uma organização sem fins lucrativos que atua pela transformação sistêmica da realidade social na América Latina. Viabilizado pela venda de produtos sociais como o Natura Crer Para Ver e as Ofertas do Bem Avon e presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, organiza sua atuação em três causas estratégicas: Educação, com foco na alfabetização na idade certa, no fomento ao Ensino ‘Médio e no fortalecimento de todo o ecossistema necessário para uma escola de qualidade; Desenvolvimento Integral das Consultoras de Beleza Natura e Avon, com ações multissetoriais voltadas para este grupo, agente de transformação em suas comunidades; e, desde 2024, Direitos e Saúde das Mulheres, agenda que é realizada em parceria com a Avon e foi incorporada a partir da integração com o Instituto Avon, que atuava há mais de 20 anos com iniciativas pelo cuidado com a saúde das mamas e fim da violência contra as mulheres. Em articulação com governos, sociedade civil e setor privado, o Instituto Natura apoia a formulação e implementação de políticas públicas de impacto sistêmico e duradouro e promove ações e campanhas de conscientização dentro da causa das mulheres, sempre apoiada pela Avon.

SOBRE A GÊNERO E NÚMERO

A Gênero e Número é uma associação sem fins lucrativos dedicada à produção, análise e comunicação de dados especializados sobre gênero, raça e sexualidade. Seu propósito é promover transformações sociais em prol da equidade e da justiça social, apoiando a tomada de decisões e a participação cidadã por meio de linguagem gráfica, conteúdo audiovisual, pesquisas, relatórios e reportagens multimídia.

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